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O Corte da Navalha
Original:Razorback
Ano:1984•País:Austrália
Direção:Russell Mulcahy
Roteiro:Peter Brennan, Everett De Roche
Produção:Hal McElroy
Elenco:Gregory Harrison, Arkie Whiteley, Bill Kerr, Chris Haywood, David Argue, Judy Morris, John Howard, John Ewart, Don Smith, Mervyn Drake, Redmond Phillips

“Ele está esperando…e pode sentir seu medo. Algo mais horrível do que qualquer pesadelo inimaginável.”

Sem passagem pelos cinemas brasileiros, O Corte da Navalha (Razorback, 1984) chegou às fitas de vídeo pela VTI com a tagline acima, que faz uma referência ao sucesso A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street), lançado no mesmo ano. Quatro anos depois de seu lançamento, foi exibido nas nossas madrugadas com o título As Garras do Terror, alcançando caráter cult e se destacando no subgênero “filme de monstro” e sendo referenciada ao lado de Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981) e outras produções do estilo. O que mais chamava a atenção nesse longa de Russell Mulcahy, de Highlander – O Guerreiro Imortal (1986), é a qualidade técnica, ambientação e principalmente ousadia.

Adotando a cartilha esquemática do estilo — morte inicial, trauma e vingança, aparição gradual do monstro, combate final —, ainda assim O Corte da Navalha se mostrou surpreendentemente eficiente. No prólogo, ambientado no interior da Austrália, Jake Cullen (Bill Kerr) está cuidando do netinho numa madrugada atmosférica, quando algo invade sua moradia e ataca o quarto da criança. Acusado pelo crime, uma vez que ninguém acredita nas ações de um javali-navalha gigantesco, Jake é inocentado por falta de provas, embora a comunidade já o tenha condenado pelo crime, com olhares acusatórios e preconceito.

Dois anos após a tragédia, a região erma recebe a visita da jornalista americana Beth Winters (Judy Morris) na realização de um documentário sobre as caças locais também como denúncia das práticas ilegais. A chegada tumulta os locais, incluindo até mesmo Jake, que tem dedicado sua vida a provar o que aconteceu no passado com o apoio de Sarah Cameron (Arkie Whiteley). Depois que Beth descobre que Benny Baker (Chris Haywood) e seu irmão feioso Dicko (David Argue) conduzem um matadouro e fábrica de ração ilegal, ela é perseguida no deserto e só não é estuprada pelo reaparecimento do javali. Os criminosos fogem, e Beth é morta pelo animal, numa ação surpreendente do roteiro de Peter Brennan e Everett De Roche (de Link – O Animal Assassino e Patrick). É ousado pelo fato do espectador já ter simpatizado com a personagem e o destaque que recebeu em mais de vinte minutos em cena.

Com o estranho desaparecimento, o marido de Beth, Carl (Gregory Harrison), chega ao deserto para investigar o paradeiro da esposa, conversando com Jake e os irmãos Benny e Dicko, fingindo ser canadense. Não demora para os bandidos abandonarem o rapaz no deserto, ficando à mercê das ameaças incluindo o javali assassino, tendo o apoio apenas de Sarah e Jake, dispostos a descobrir e expor verdade.

Apesar dos recursos limitados para um filme de monstro, o trabalho de Russell Mulcahy é bastante convincente, sabendo esconder a criatura e acobertar os diversos animatrônicos e porcos com dentição elevada com o belíssimo cenário. É beneficiado pela excelente fotografia de Dean Semler, de Mad Max 2, que aposta na beleza do deserto, das cores naturais e faz uso de neblinas artificiais e tempestades como contribuição ao clima. Considerado por muitos como o “Tubarão com um javali“, O Corte da Navalha é até hoje uma das principais referências no subgênero e ajudou na expansão do ozploitation, produções exploitation da Austrália.

Parece ter se inspirado no caso real de Azaria Chamberlain, uma bebê de nove semanas que desapareceu em 17 de agosto de 1980. Embora aleguem que a filha foi morta por um dingo, canídeo australiano, os pais, Lindy e Michael Chamberlain, não tiveram a mesma sorte de Jake, sendo considerados culpados pela morte da criança: Lindy foi condenada à prisão perpétua, enquanto Michael foi apontado como cúmplice. A mãe foi libertada em 1986, mas somente em 1988 ambos foram considerados inocentes. Trinta e dois anos depois, em 12 de junho de 2012, a justiça australiana alterou a certidão de óbito da pequena Azaria, como vítima de um animal.

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1 comentário

  1. Esse filme me lembra a época que o canal TCM ainda prestava e passava de tudo. Foi lá que assisti Razorback em 2010 ou 2011. Depois disso nunca mais vi e hoje o TCM não passa quase nada de interessante.

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