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Pânico: O Legado do Grito
Original:It all Began with a Scream
Ano:2025•País:EUA
Autor:Padraic Maroney•Editora: Darkside Books

Algumas franquias são tão marcantes que continuam relevantes mesmo após décadas da estreia do primeiro filme. Nos anos 90 o gênero terror estava um tanto saturado – com óbvias exceções, como O Silêncio dos Inocentes, é claro – após a Era de Ouro dos Slashers (final dos anos 70 e começo dos 80). Halloween, Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo foram e são icônicos, jorrando sangue na cara dos espectadores enquanto eles pediam por cada vez mais, e seus pedidos foram atendidos. Diversas sequências, vilões indestrutíveis e banhos de sangue, a fórmula que deu tão certo foi o motivo do declínio. O público já sabia que aquele grupo de adolescentes estava condenado, já sabia que quem fizesse sexo morreria, já sabia que a garota virgem sobreviveria e, especialmente, que o assassino apareceria vivo no final. Parece que era o fim dos slashers. Até que veio Pânico.

Logo no início, Pânico já mostra que veio para subverter expectativas ao fazer uma ligação com a frase que se tornaria um marco do terror para, em seguida, matar a garota que claramente parecia a heroína da vez nos primeiros minutos. E essa pessoa era ninguém menos que Drew Barrymore, uma das atrizes mais populares da época. Com essa abertura, o longa ganhou a atenção dos fãs para, ao final dos créditos, ter a sua devoção. Com personagens que sabem as “regras” de um filme de terror e seus padrões, uma final girl que revida e não é a imagem da pureza e escancarando os clichês já existentes, Pânico se tornou um sucesso justamente pela sua metalinguagem. Ele pegou tudo aquilo que uma geração já conhecia e transformou, ironizou e deixou todos ávidos por mais. E foi a parceria de Kevin Williamson e Wes Craven – sim, o diretor de A Hora do Pesadelo, que viveu e fez parte dos anos dourados dos slashers, esteve aqui reinventando esse subgênero com sucesso –, além de toda uma equipe unida e dedicada, que tornou isso possível. Pânico estreou na semana de natal em 1996 e, mesmo assim, teve uma excelente bilheteria em sua estreia, e os números aumentaram ainda mais nas semanas seguintes. O terror voltou a brilhar nas telas com força total, os slashers adolescentes estavam de volta, com filmes como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e Lenda Urbana se inspirando naquele que não demoraria a virar um clássico.

Em Pânico: O Legado do Grito, Padraic Maroney disseca os bastidores da franquia, contando desde o processo de escolha de Wes Craven como diretor, a ideia inicial de roteiro e as mudanças e escolha de elenco, até os problemas que aconteceram nas produções dos quatro primeiros filmes. Surpreendentemente, poucas polêmicas cercam o filme e seus envolvidos, sendo a equipe toda muito unida desde o começo e Craven fazendo questão de tratá-los como uma família. Mesmo atores mais conhecidos, como Courteney Cox, foram humildes e acolhedores com os novatos, e com frequência todos se reuniam para conversar e se divertir. Desentendimentos entre os atores não era algo que acontecia naquele set, mas já na parte criativa a história é outra.

Com o sucesso do primeiro filme, o orçamento para uma sequência foi muito superior ao anterior, assim como a pressão. Diversos atores mais consolidados em Hollywood queriam a chance de aparecer no longa, especialmente na impactante cena inicial. Ainda havia aquele clima familiar criado pelo diretor, mas não demorou para que a distribuidora, dirigida pelos irmãos Weinstein, desse pitacos não solicitados no roteiro dos filmes posteriores, o que criou um clima um tanto caótico entre as filmagens e pode ser percebido pelo público em alguns momentos. Se alguma coisa soa estranha em alguma das sequências, provavelmente é porque a própria criação do roteiro já foi uma bagunça, e isso é comentado no livro.

Maroney coleta depoimentos de diversas pessoas que trabalharam no filme como recrutadores de elenco, figurinistas, produtores e até mesmo atores que apareceram durante poucos minutos. Entretanto, a obra peca em não trazer comentários substanciais da protagonista Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette e outros personagens-chave da trama. Também não há uma análise mais aprofundada das cenas ou mesmo grandes detalhes do processo de filmagem, sendo essa parte contada de uma forma mais superficial. O que temos aqui são diversas curiosidades de bastidores, com uma ênfase maior na pré-produção do primeiro filme – o que faz sentido, afinal, foi ali que tudo começou -, os perrengues que aconteceram nas sequências, o motivo de levar mais de uma década entre Pânico 3 e Pânico 4 (o último da franquia dirigido por Craven) e mais alguns causos, como por exemplo a escolha da máscara de Ghostface. Há um breve texto sobre Pânico 5 e um rápido comentário sobre Pânico 6, sendo essa uma obra focada nos filmes dirigidos por Wes Craven.

Pânico: O Legado do Grito é um documentário em forma de livro sobre as curiosidades dos bastidores de uma franquia que, em 2026, completa 30 anos da estreia de seu primeiro filme. Às vésperas da estreia de Pânico 7, é um material interessante para fãs que querem saber mais sobre os percalços e processos da produção de um filme que, com toda a simplicidade tecnológica dos anos 90, fez toda uma geração lembrar da fatídica frase: “qual seu filme de terror favorito?” até os dias de hoje. Curiosamente, a geração que cresceu com Pânico odeia atender o telefone. Coincidência ou influência? Fica o questionamento. O fato é que a importância de Pânico para o terror é inegável, mostrando que sempre há espaço para reinvenções no gênero.

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