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A Vingança da Múmia
Original:La venganza de la momia
Ano:1975•País:Espanha
Direção:Carlos Aured
Roteiro:Paul Naschy
Produção:Julián Esteban
Elenco:Paul Naschy, Jack Taylor, María Silva, Helga Liné, Luis Dávila, Rina Ottolina, Eduardo Calvo, Fernando Sánchez Polack, Pilar Bardem, José Martínez Blanco

Conhecido como o Lon Chaney espanhol, Paul Naschy (ou Jacinto Molina em nome de nascença) ficou amplamente conhecido como o hombre lobo pela atuação em 12 produções com o personagem Conde Waldemar Daninsky. Mas ele também atuou como vilão em outras obras, incluindo o papel de Conde Drácula, e a dupla performance no horror A Vingança da Múmia (La venganza de la momia, 1975), com direção de Carlos Aured, a partir de um roteiro do próprio Naschy, repetindo a parceria de El espanto surge de la tumba (1973), A Verdadeira História do Lobisomem (El retorno de Walpurgis, 1973) e Os Olhos Azuis da Boneca Quebrada (Los ojos azules de la muñeca rota, 1974).

Em A Vingança da Múmia, o roteiro de Naschy segue a linha narrativa de outras produções do subgênero, principalmente o clássico A Múmia (The Mummy), de 1932, com uma vestimenta da Hammer, na obra de 1959, comandada por Terence Fisher. A diferença que se nota em sua versão espanhola está na violência e quantidade de mortes, dando à produção um aspecto de slasher. Começa na 18ª dinastia egípcia, apresentando o sádico faraó Amenhotep (Naschy), que, ao lado de sua companheira Amarna (Rina Ottolina), sequestrava e torturava mulheres até a morte, até ser traído pelo Sumo Sacerdote Anchaff (Fernando Sínchez Polack). Envenenado e numa condição imóvel, ele nem consegue lamentar a morte de sua amada, sendo embalsamado vivo.

Com um salto no tempo, ambientado no início do século XX, com referência à época em que Howard Carter descobriu a tumba de Tutancâmon, Nathan Stark (Jack Taylor) e sua esposa Abigail (Maria Silva) encontram a tumba de Amenhotep e a conduzem para um museu em Londres, sob o cuidado de Sir Douglas Carter (Eduardo Calvo), que não sabe que sua filha, Helen (Ottoline), é uma descendente de Amarna. A descoberta atrai o interesse de Assad Bey (Naschy) e Senofed (Helga Liné), que planejam realizar um ritual para despertar a múmia, promover sua vingança e liberdade. Para tal, precisam inicialmente do sangue de três mulheres; e depois de desperta, mais sete servirão para o objetivo, desde que a criatura encontre, por fim, o corpo ideal para trazer de volta sua amada.

Naschy, caracterizado como a múmia, apresenta uma movimentação diferente de outras produções do estilo. Ele não tem aquele andar lento, com os braços elevados, e aspectos cadavéricos; seu monstro traz uma maquiagem intensa — sem Jack Pierce, sua aparência parece antecipar os zumbis de Oasis of the Dead e Zombi 3, se estes estiverem com dor de dente — e é capaz de enfrentar seus inimigos como um homem comum, mas com força extrema. Mesmo com o sumiço de mulheres nas proximidades, demora para Nathan aceitar que a múmia está desperta, fazendo vítimas, assim como o Inspetor Taylor (Luis Dávila), que precisa pesquisar o passado de Assad para entender suas pretensões. Além disso, não se justifica na trama de Naschy o sequestro e manutenção em cárcere de Nathan e Abigail, sendo que outras pessoas que tentaram atrapalhar os planos foram mortas no encontro com a múmia.

Apesar da falta de originalidade, o que compensa são as mortes violentas. Cabeças esmagadas, corpos queimados e um alto número de vítimas impedem que o longa possa ser considerado arrastado — há momentos, claro, que mostram a tentativa de invasão de Nathan, precisando escalar uma parede com detalhes, ou do inspetor descobrindo os passos do vilão para seguir os rastros para impedir uma tragédia de maiores proporções. Além da boa atuação de Naschy, pode-se elogiar também a força expressiva de Jack Taylor (de O Terror da Serra Elétrica e O Último Portal), como o arqueólogo herói remetendo a Peter Cushing.

A Vingança da Múmia não é memorável mas vale como curiosidade a quem aprecia o trabalho de Paul Naschy. É mais interessante que Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy’s Tomb, 1971), que tem também um número alto de mortes e é inspirado em obra de Bram Stoker. Há lendas da internet que dizem que existe uma versão mais ousada do filme Aured, com inclusão de cenas de nudez, mas que essa versão se encontra perdida, talvez precisando de algum arqueólogo para cavar os estúdios da Lotus Films Internacional para apresentá-la ao mundo como fizera Carter em 1923.

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