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Match
Original:Match
Ano:2025•País:África do Sul
Direção:Danishka Esterhazy
Roteiro:Jon Kaplan, Al Kaplan
Produção:Andrea Pienaar
Elenco:Humberly González, Shaeane Jimenez, Dianne Simpson, Jacques Adriaanse, Luke Volker, Nikita Faber, Dean Goldblum, Peter Butler, Alex McGregor, Cassiel Eatock-Winnik

A busca pela combinação perfeita é comum nos aplicativos de namoro e também nas zapeadas pelos streamings. Tanto em um quanto no outro, você está interessada(o) em algo que tenha a ver com você, sem deixá-la(o) com a sensação de perda de tempo, possível decepção como se estivesse a bordo de um navio que certamente irá naufragar. Em qualquer procura, é sempre bom ler as letras miudinhas do perfil ou da sinopse, observar referências nas redes sociais, ir além das chamadas de vídeo e trailers. Manter sempre ativo o desconfiômetro pode ser de grande valia em muitas situações.

O serviço gratuito de streaming da Tubi não é tão conhecido pelos originais, apostando muitas vezes em produções clássicas e populares. Talvez seja a razão que muitos nem se interessem pelos seus originais, como é o caso de Match. Não há muitas críticas por aí, e as referências são voltadas aos envolvidos. A começar pela diretora, Danishka Esterhazy, que, em 2021, fez uma boa releitura do slasher B Slumber Party Massacre com O Massacre da Festa do Pijama, mas havia dirigido anteriormente o horror com animatrônicos The Banana Splits Movie, anterior ao primeiro Five Nights at Freddy´s. São dois exemplares que carregam algumas doses de humor agressivo, sarcasmo monstruoso e até uma ou outra ideia ofensiva, elementos que serão revistos em Match. Muito disso se deve ao roteiro co-escrito por Al e Jon Kaplan, do improvável Zombeavers – Terror no Lago (2014). E o elenco conta com o protagonismo da venezuelana Humberly González, de O Tarô da Morte; e algumas poucas cenas de Nikita Faber, que você não deve ter visto em O Ataque do Tubarão de 6 Cabeças (2018).

Se à exceção da diretora, não há rostos conhecidos como um perfil de rede social recém-criado e com baixa confiança, resta arriscar pela proposta. Paola (González) é uma garçonete de 27 anos que vive o clichê da busca por um relacionamento estável. Encontros frustrados são mostrados nos velhos padrões do estilo, incluindo trocas de mensagens toscas e até envio de pênis. Quando o match com um tal Henry parece promissor — rapaz bem afeiçoado com boa conversa, ainda que sofra de uma doença autoimune que o impede de sair de casa e a vídeo-chamada trave —, Paola ignora os avisos da irmã Maria (Shaeane Jimenez) e vai à casa do rapaz, sem medir as consequências.

Piora quando a pessoa que atende a porta é a mãe dele, a estranha Lucille (Dianne Simpson), que serve uma taça de vinho alterada, fazendo-a perder os sentidos. Até então, nada de novo no fronte. Eu tinha esperanças que a Paola fosse uma psicopata ou que houvesse alguma surpresa nas intenções daquela família, mas não. Conduzida por um labirinto de corredores e quartos, não condizentes com a aparência externa da casa, ela é deixada no quarto de Henry (Jacques Adriaanse), alguém que parece ter fugido de algum apocalipse radioativo ou dos desertos de Viagem Maldita. Monstruoso, com uma aparência que faria Sloth se sentir um galã de telenovela, entre protuberâncias e problemas de acne, o rapaz aguarda, como a Princesa, de Entes Queridos (2009), pela moça com quem irá perpetuar sua espécie.

Pouco mais de vinte minutos de filme e Match já apresentou basicamente todas as cartas. Quando Henry tenta apresentar seu pênis imenso para um ato grotesco de violência sexual, Paola tem a mesma sorte de Jay Hernandez em O Albergue (2005): seu vômito serve para o vilão escorregar e perder os sentidos, permitindo uma reação da jovem em fugas por quartos bizarros com corpos de outros matches e um outro hóspede, Eli (Luke Volker), que parece disposto a ajudar. Paola conta com outras facilidades como o fato do pai cego (Peter Butler) estar aguardando um procedimento cirúrgico, o que traz o alerta à Maria, e o monstro que habita a morada gostar de música com sotaque latino.

Distante de ser uma final girl de atitudes inteligentes — algumas até condizem com o seu desespero —, Paola é uma moça de poucas palavras, simpática e sem preconceitos, atormentada por pesadelos que contribuem para seu inferno pessoal. Já Lucille faz o papel carbono da mãe louca, protetora e insana, com atitudes incestuosas e palavras ácidas como as que dirige para Natalie (Faber), cujas fotos do aplicativo de namoro não condizem com sua aparência atual. Já os demais personagens aparecem pouco, o suficiente para servirem para a sangreira do último ato.

Um taco de beisebol com pregos arranca parte da cara de alguém, olhos são rasgados, cabeças esmagadas… um prato passível de ser indigesto, mas nada supera um pênis monstruoso sendo retirado de uma armadilha de ratos, sem que a câmera se esquive em qualquer momento. Esterhazy diverte pelos excessos e com uma narrativa dinâmica, com várias situações acontecendo ao mesmo tempo, sem tempo para cochilos e consultas no celular. Pode ser que seus absurdos de Filme B contemporâneo não agradem a todos, não haja a compatibilidade com os seus gostos e você ao final não deixe um coração de interesse. De toda forma, Match está aí como mais um exemplar de produção insana, propondo mais do que o cartaz e a sinopse aparentam.

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