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What We Do in the Shadows (2014)

What We Do in the Shadows
Original:What We Do in the Shadows
Ano:2014•País:Nova Zelândia
Direção:Jemaine Clement, Taika Waititi
Roteiro:Jemaine Clement, Taika Waititi
Produção:Emanuel Michael, Taika Waititi, Chelsea Winstanley
Elenco:Jemaine Clement, Taika Waititi, Jonathan Brugh, Cori Gonzalez-Macuer, Stuart Rutherford, Ben Fransham, Rhys Darby, Jackie van Beek, Elena Stejko

Afirmar que What We Do in the Shadows é uma das melhores comédias dos últimos anos é pouco. Ele é a melhor comédia com vampiros desde A Dança dos Vampiros (1967) de Polanski.
Mais uma pérola vinda da Nova Zelândia, que na mesma safra veio o interessante Housebound de Gerard Johnstone.

A premissa é puro nonsense: aqui temos um mockumentary (documentário falso) em que acompanhamos a rotina de quatro vampiros que dividem uma casa juntos (no começo temos o alerta de que cada cameraman estava protegido com um crucifixo). São eles: o rebelde Deacon (Jonathan Brugh), o galã Vladislav (Jemaine Clement, numa caracterização parodiando o Drácula de Gary Oldman), o selvagem Petyr, o mais velho da trupe, com 800 anos (interpretado Bem Franshman, imitando o vampiro Kurt Bretch do Salem’s Lot de Tobe Hooper, que por sua vez era uma versão ainda mais grotesca do Nosferatu de Murnau) e o dândi afetado Viago (Taiki Waititi, que embora seja uma óbvia paródia ao Lestat de Anne Rice, o ator afirma ter se inspirado em sua própria mãe para compor o personagem).

O filme acompanha o dia-a-dia, quero dizer a noite-à-noite, dos vampiros, desde o começo. Com Viago despertando de seu caixão, com um auxilio de um rádio-relógio, e indo acordar os outros vampiros, até o momento em que esse clã peculiar se reúne para caçar (é engraçado vê-los se arrumando para sair, já que não podem ver suas imagens em espelhos).

What We Do in the Shadows (2014)

O filme extrai comicidade do anacronismo das características milenares desses seres com o comportamento da vida moderna. Por exemplo: eles saem para caçar numa avenida movimentada, cheia de boates e bares, mas não conseguem entrar, pois como vampiros eles precisariam ser convidados, resultando que são barrados por seguranças (com filmagens nas ruas, com ar daquelas pegadinhas típicas de Sacha Baron Cohen, o Borat). Em outra cena vemos como Vladislav, ou apenas Vlad, um outrora grande hipnotizador, capaz de enfeitiçar uma multidão inteira, hoje em dia não consegue chamar a atenção de uma simples pessoa assistindo TV. Isso sem falar nas vestimentas dos vampiros, que nos remetem ao vestuário de séculos passados.
Vale destacar que eles não são os únicos vampiros na cidade, como por exemplo, tem a dupla de menininhas que saem à noite procurando pedófilos para atacá-los.

Depois de situações hilárias despejadas logo no começo, você logo pensa: “pena que o filme vai perder o fôlego e a graça, como sempre acontece”! Ledo e feliz engano, o filme não perde o pique em momento algum, sendo engraçado até os créditos finais.

Claro que para manter o interesse o filme vai criando situações e incluindo mais personagens bizarros, como Jackie (Jackie van Beek), a criada humana de Deacon, que arranja vítimas para os vampiros, com a vã esperança de ser agraciada com a vida eterna. E é essa versão feminina de Renfield que acaba apresentando para os vampiros Nick (Cori Gonzalez-Macuer), que acaba sendo também transformado numa criatura da noite, e cujo comportamento fanfarrão acaba gerando problemas para o grupo.

What We Do in the Shadows (2014)

Outro personagem interessante é Stu (Stuart Rutherford), amigo de Nick quando era humano, que acaba ganhando a simpatia do clã, ao ser aceito, apesar de ser uma pessoa normal. Na verdade Stu é um nerd sem personalidade, sem carisma e caladão – a simpatia do grupo por alguém tão sem sal é outra piada do filme.

Uma sequência antológica é quando vão para uma festa chamada “Baile de Máscaras Profano”, um evento anual onde se reúnem várias criaturas como: vampiros, zumbis, bruxas. E humanos não entram. Eles levam o Stu, o que causa problemas. Nesse ponto o espectador encontra um furo, se não pode humanos, e os cinegrafistas que estão filmando? Não podemos esquecer que estamos numa espécie de found footage, logo a sensação de equívoco é desfeita quando os próprios são citados pelos monstros num momento de “tensão”.

Temos ainda o clã de lobisomens, em eterno conflito com os vampiros. Como não rir dos licantropos, na cena em que eles, ainda em forma humana, se reúnem para se acorrentarem em árvores (como o Michael Paré em Lua Negra), e o líder da “matilha”, o macho-alfa, um deles que compareceu com calça de brim ao invés de um abrigo folgado, o que quer dizer que na manhã seguinte ele ficará sem calças.

What We Do in the Shadows (2014)

Não sobra nem piadas pra polícia, aqui representado por um casal de policiais patetas, que, numa cena em que visitam a casa dos vampiros, você dá um desconto por estarem hipnotizados, mas em outra, quando prendem um inocente cachorro, culpando-o por um ataque dos lobisomens, logo se percebe que a imbecilidade deles é natural.

Com tiradas dignas de Monthy Python (em vários momentos Viago, o vampiro blasé, me lembrou do Michael Pallin), o longa tem sacadas geniais em cima da mitologia vampiresca, diálogos inspirados, bom ritmo e personagens carismáticos (é difícil não simpatizar com esses sanguessugas). Os efeitos especiais aqui são bem feitos e bem dosados, a maquiagem e o sangue também estão na medida certa.

Enfim, uma bela paródia com o universo dos vampiros que fará o espectador se divertir do começo ao fim. Imperdível tanto para os apreciadores do cinema de horror, que se deliciará com as brincadeiras em cima dos clichês do gênero, quanto para quem gosta de uma ótima comédia.

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6 Comentários

  1. Muito bom esse filme, o único filme que eu realmente gostei do Taika Waititi, que na minha opinião tem se mostrado um diretor medíocre, extremamente superestimado e com um ego totalmente alto. Talvez o responsável pela qualidade desse filme foi Jemaine Clement, que infelizmente não fez muita coisa depois desse filme.

  2. Vou discordar de você.
    “O Mistério de Karmina” (1996) é a melhor comédia com vampiros desde “A Dança dos Vampiros”.

  3. Só uma palavra: “Seal”. Quem assistiu vai entender.

    1. Eu assisti o filme , achei que deixe passar.. não entendi a refêrencia

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