Border (2018)

0
(0)

Border
Original:Gräns
Ano:2018•País:Suécia
Direção:Ali Abbasi
Roteiro:Ali Abbasi, Isabela Eklof, John Ajvide Lindqvist
Produção:Nina Bisgaard
Elenco:Eva Melander, Eero Milonoff, Jorgen Torsson, Sten Ljunggren

Premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem, este estranho filme sueco inspirado em um conto de John Ajvide Lindqvist (escritor de Deixa ela Entrar) traz um discurso sobre o diferente no âmbito social, misturando mitologia nórdica, drama e suspense.

Tina (Eva Melander) trabalha na alfândega sueca. Seu dom de farejar medo, vergonha, culpa entre outros sentimentos, é utilizado para descobrir pequenos delitos como transportes ilegais de bebidas por exemplo. Ao descobrir em suas aferições um civil que portava um cartão de memória com pornografia infantil, Tina é questionada e solicitada para ajudar a polícia, a partir de seu dom, a descobrir a possível origem deste cartão. Em paralelo a essa investigação, surge a figura de Vore (Eero Milonoff), que é muito semelhante fisicamente com Tina. Vore desperta uma curiosidade na solitária mulher, que aceita sua condição devido à aparência física, sofrendo diversos preconceitos da sociedade que a cerca. Mora com uma pessoa apenas para suprir sua solidão, e parece encontrar paz apenas quando se conecta com a natureza, ao caminhar pela floresta, se comunicando com animais e nadando em um lago. Através de Vore, Tina descobre sua origem, onde a mesma passa a entender sua conexão com a natureza, seus dons e suas supostas deformidades. Vore mostra que ela pode ser melhor que qualquer um que a julgue e não precisa aceitar as condições que lhe são impostas, porém Tina se vê dividida entre o que é certo e errado, dentro de sua credulidade humana.

O roteiro, que é assinado a três mãos pelo também diretor, o iraniano Ali Abbassi, por Isabela Eklof e pelo próprio escritor do conto de onde foi inspirado, John Ajvide, trabalha bem as subtramas em que os personagens principais são inseridos, porém a investigação a cerca da rede de pedofilia, que parecia ser o ponto principal da narrativa, acaba suprimida pela origem e relação entra Tina e Vore. O diretor constrói bem esta relação, criando uma tensão crescente entre a convicção de Vore e a incerteza de Tina sobre a condição e o papel de ambos perante a sociedade. A dupla é muito bem interpretada por Eva Melander e Eero Milionff, que mesmo debaixo da pesada maquiagem, conseguem transmitir seus sentimentos dentre suas expressões corporais e faciais.

Border pode ser um filme bizarro, mas levanta uma discussão que talvez tenha se perdido em sua estranheza. Traduzindo para o português, Border significa Fronteira, mas talvez devamos entender como limite. Uma analogia sobre o diferente, cenas que beiram entre o sublime e o grotesco, entre o humano e o animalesco, o diretor provoca o espectador ao inserir mitologia nórdica dentro de sua narrativa, em um mundo onde ainda se divide em questões sobre xenofobia, preconceito, racismo e homofobia.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

(Visited 1.697 times, 1 visits today)

Ivo Costa

Cineasta formado pela Escola Livre de Cinema, dirigiu os curtas “Sexta-feira da Paixão”, “O Presente de Camila”, “Influência” e “Com Teu Sangue Pagará. Produziu o curta ‘Vem Brincar Comigo’. Atualmente é crítico no site Boca do Inferno e professor do Curso Cinema de Horror, da Escola Livre de Cinema. Fez parte do Júri Popular do Festival Cinefantasy em 2011, Júri Oficial do Festival  Boca do Inferno 2017, Juri Oficial da Mostra Espanha Fantástica no Cinefantasy 2020.  Realizou a curadoria da Mostra Amador do Cinefantasy 2019 e do Festival Boca do Inferno 2019.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.