Mal Nosso (2017)

Original:Mal Nosso
Ano:2017•País:Brasil
Direção:Samuel Galli
Roteiro:Samuel Galli
Produção:Samuel Galli, Victor Molin, Tato Siansi
Elenco:Fernando Cardoso, Ricardo Casella, Reinaldo Colmanetti, Walderrama Dos Santos, Ademir Esteves, Maria Galves, Maria Clara Gonçalves, Gabriela Grecco, Antony Mello, Sonia Moreno, Luara Pepita, Maysa Pettes, Thais Prates, William Salles, Nicole Silva

O cinema de terror nacional continua enchendo o público de orgulho. Em uma fase bastante produtiva, o longa Mal Nosso, do diretor Samuel Galli, acaba de ser incluído na grade do Netflix. Apesar do filme ter passado por algumas salas de cinema no começo do ano, a inclusão no canal de streaming permite que uma grande quantidade de pessoas possa ter acesso ao longa. O resultado é bastante interessante como produto de gênero.

Mal Nosso acompanha um estranho homem chamado Arthur (Ademir Esteves), que no meio da noite assiste a um vídeo na deepweb com um serial killer chamado Charles (Ricardo Casella). Logo Arthur marca um encontro com Charles e o contrata para matar uma pessoa. Obviamente não sabemos quem é a vítima, mas Arthur é bastante claro com relação as regras que Charles deve seguir para executar o serviço e receber o pagamento.

Fugindo de uma narrativa linear, o roteiro, também escrito por Samuel Galli, é repleto de idas e vindas, o que auxilia o público a querer acompanhar o filme. A trama, marcada por reviravoltas, é entregue aos poucos para o público ir coletando provas na construção da obra como produto completo. Algumas pessoas podem achar que a estrutura da trama é estranha. Na verdade trata-se de uma narrativa contada em capítulos e estes não estão ordenados.

Devido as restrições orçamentárias, não teria sentido fazer uma cópia barata de um filme de horror comercial com um orçamento muito maior e foi justamente isso que chamou a atenção da critica e dos festivais lá fora, a subversão dos atos, o mix dentro do gênero e certas desconstruções”, explica Samuel. Mal Nosso teve orçamento estipulado em R$ 350 mil.

As escolhas narrativas do filme poderiam representar um risco para a obra, mas felizmente o resultado deu certo. “Eu queria fazer um filme que misturasse o horror real, que é representado pelo Serial Killer de maneira muito crua, real e violenta, e o horror sobrenatural de forma quase inocente. Eu sou muito adepto da doutrina espírita e o filme tem muito disso”, defende Samuel.

No filme é possível reconhecer desde exemplos de gore, leituras sobrenaturais, violência explícita e até questões existencialistas. Além disso, o filme traz excelente trabalho de maquiagem, crédito do cineasta Rodrigo Aragão, que já demonstrou seus dotes em filmes como Mata Negra e Mar Negro. “Eu mandava desenhos para o Rodrigo e ele os adaptava da melhor maneira possível. Essa troca de desenhos ocorria até a gente chegar em um consenso”, explica Samuel sobre o trabalho de maquiagem.

O elenco está muito bem em seus papeis com destaque para Ademir Esteves e Fernando Cardoso como a versão mais jovem de Arthur. A direção de Samuel com o elenco é sutil e funcional do ponto de vista que todos, ou quase todos, representam personagens introspectivos, o que ajuda ainda mais no estranhamento da trama. Aqui temos uma ou duas exceções, mas que não interferem no produto final. Mais importante, não se trata de um filme de terror com gritaria e sustos a cada cinco minutos. O medo vem do estranho, do suspense, da falta de entendimento diante de certas ações embora ao final tudo seja explicado.

O filme corre vários riscos e demanda paciência e estômago. Mas está me surpreendendo a absorção do público. Lá fora a critica foi extremamente positiva, inclusive a do Los Angeles times que considerou o filme ‘um dos filmes de gênero mais seguros e não convencionais e seguros dos últimos anos“, comemora Samuel. Para ele, o cinema de terror brasileiro vive artisticamente uma fase muito boa. “Mas é necessário um maior carinho dos produtores, distribuidoras, mídia, critica e público com o gênero. E precisa de grana, principalmente para a divulgação”, completa.

Então não perca tempo e vá conferir Mal Nosso. O filme possui um roteiro que vai prender a sua atenção e sequências muito marcantes. Diante da mesmice que parte da produção internacional mainstream tem oferecido, é muito bom ver uma trama nacional que foge do óbvio.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

5 comentários em “Mal Nosso (2017)

  • 24/09/2019 em 00:09
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    Muitas vezes, pensando comigo mesmo, fico refletindo sobre o trabalho alheio e em como aquela pessoa não o executa corretamente ou o faz com desleixo. O que eu acabei de descrever foi o filme relatado, “Mal Nosso”. O filme é muito ruim, as atuações são péssimas, os diálogos são tosquíssimos e os trejeitos robóticos dos atores também comprometem (e muito!) o resultado final. Não é uma obra longa, muito pelo contrário, é até bem curto, porém o espectador se vê como um desbravador tentando peneirar algo bom em meio a tantos desastres simultâneos. Não costumo escrever comentários, mas esse filme é realmente muito ruim. Tentei ao máximo extrair algo bom, e, com exceção dos efeitos práticos, eu não consegui retirar muita coisa.

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  • 17/07/2019 em 10:51
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    Ao ver a critica e as imagens postadas,o telespectador pode se sentir enganado,pois são poucos os momentos em que envolve a criatura acima e até mesmo o gore(competente por sinal) e sim, a atuação de alguns atores compromete o resultado e o clima arrastado da trama é outro ponto que poderia ser um pouco diferente,menos arrastado os dialogos! No mais com certeza é um bom filme e merece uma conferida!

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  • 15/07/2019 em 23:10
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    Bom filme, interessante e diferente do que se vê por aí. Melhor do que muitas tralhas gringa como A Maldição da Chorona, Anabelle, A Freira etc.
    Mas a grama do vizinho é sempre mais verde.

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    • 23/07/2019 em 17:16
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      Muito melhor sem duvidas, ou falso patriotismo, simplesmente bem melhor mesmo.

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  • 15/07/2019 em 15:20
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    A atuação dos dois atores compromete o resultado final…

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