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Mar Negro (2013)

Mar Negro
Original:Mar Negro
Ano:2013•País:Brasil
Direção:Rodrigo Aragão
Roteiro:Rodrigo Aragão
Produção:Hermann Pidner
Elenco:Mayra Alarcón, Carol Aragão, Kika de Oliveira, Walderrama Dos Santos, Tiago Ferri, Gurcius Gewdner, Cristian Verardi, Mariana Zani

Quando um cineasta de horror se propõe a fazer um produto “tipicamente brasileiro”, ele está mais ou menos fodido. Basta ler qualquer entrevista de diretores, pseudo-diretores e pseudo-pseudo-diretores falando sobre as benditas dificuldades de fazer um filme do gênero no Brasil para ouvir a velha máxima: “nosso país está cheio de lendas e folclore a serem explorados pelo cinema”. Isso é dito numa proporção muito maior do que é praticado, mas a verdade é que ficar preso nas tais crendices e elementos nacionais não é o suficiente para fazer o tal produto 100% nacional.

Pois alguém que passou por cima disso (e também das mencionadas dificuldades de se fazer cinema por aqui – coisa que emperra a carreira de muita gente) foi o capixaba Rodrigo Aragão. Em 2008, ao lançar o ótimo Mangue Negro, ele já mostrava que era possível, sim, para fazer filme sangrento com pouca grana e muita dedicação. Experiente na área de efeitos especiais, Rodrigo conta que passava a semana toda trabalhando nas maquiagens e animatrônicos para filmar nos fins de semana. Mas não foram os sensacionais efeitos dos zumbis que colocaram Mangue Negro num ranking especial. Mangue Negro era único porque se passava num Brasil orgânico e espontâneo, e porque possuía um roteiro capaz de fazer o público acreditar que aquela história, por mais absurda que fosse, podia estar acontecendo com gente comum e tupiniquim.

Esse feito foi repetido em A Noite do Chupacabras e levado às últimas consequências com Mar Negro. É nele que Aragão realiza aquele que talvez seja o melhor filme de zumbis desde o britânico Todo Mundo Quase Morto, de 2004. Mas chamar Mar Negro de apenas um “filme de zumbis” seria uma injustiça, já que nos 105 minutos de metragem guardam bizarrices como monstros marinhos, rituais satânicos, o Necronomicon, vinganças sangrenta e até o próprio capeta!

Walderrama dos Santos, ótimo como sempre, assume o papel de Albino (que já havia aparecido em A Noite do Chupacabras, interpretado por Eduardo Moraes), o tímido funcionário de boteco que é apaixonado por Indiara (Kika Oliveira, estonteante). Ela é casada com o pescador vivido por Marcus Konká, que numa noite de trabalho acaba pegando o monstro conhecido como baiacu-sereia em sua rede.

Mar Negro (2013) (2)

É a mordida do baiacu-sereia que espalha a praga dos zumbis pelo vilarejo. Como se não bastasse, naquela mesma noite está sendo inaugurado o Sururu’s Club, um bordel comandado por Madame Ursula (Cristian Verardi, a melhor coisa do filme). Os frequentadores do Sururu’s Club são interpretados por diversos nomes do cenário independente nacional, como Joel Caetano, Gurcius Gewdner, Petter Baiestorf e Coffin Souza (este último hilário no papel de um político safado). No elenco feminino, destaque vai para Mariana Zani e Gisele Ferran como moças de vida fácil, e Mayra Alarcón, esposa do diretor Aragão, como a cantora latina Isidora Fernandes. Todos eles terão que lutar contra a praga dos zumbis no puteiro, o que significa muito sangue, mutilações, gosma, momentos escatológicos e um final apoteótico que fecha o pacote com louvor.

Escrever um roteiro capaz de conciliar isso tudo já seria um feito e tanto, mas segundo Aragão, o filme foi filmado quase que no improviso. A ideia do ataque dos zumbis num bordel, por exemplo, havia sido abandonada por falta de recursos, mas acabou sendo retomada quando o elenco e equipe se mostraram dispostos. Já o final, com a aparição de uma criatura no mínimo inusitada (melhor não contar para não estragar a surpresa) já entra para a história como um dos momentos mais “what the fuck” do cinema nacional.

Assim como os filmes anteriores do diretor, Mar Negro está tendo uma ótima recepção em festivais e mostras nacionais e internacionais. Mas sua grande conquista foi conseguir distribuição no circuito comercial. O filme deverá ser lançado em 27 de dezembro deste ano, e por isso mesmo tem a grande responsabilidade de chamar a atenção do grande público para o que é feito no nosso gênero preferido por todo o país, e que não é pouco. Cacife para isso ele com certeza tem.

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7 Comentários

  1. Simplesmente sensacional esse filme mostra que o cinema nacional não é só cidade de Deus e Tropa de Elite (diga-se de passagem que ambos são excelentes).

  2. Eu adorei ver o filme, achei bem divertido. Claro que o baixo orçamento prejudica a produção, mas levando em consideração as condições em que o filme foi feito isso nem é importante. Uma das cenas que mais gostei foi quando a Kika entra na casa dela e a vê “abandonada” (tinha um monstro lá). Aquela iluminação azul ficou demais! Mas quem se destacou mesmo foi a jovem Carol Aragão, uma das sobreviventes que encerra o filme. Poxa! A melhor interpretação de todas, mesmo sem dizer quase uma palavra. Na minha opinião ela deveria pegar o papel principal no próximo filme do Aragão. Abraços!

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