4.1
(9)

A Casa do Diabo
Original:The House of the Devil
Ano:2009•País:EUA
Direção:Ti West
Roteiro:Ti West
Produção:Josh Braun, Larry Fessenden, Roger Kass, Peter Phok
Elenco:Jocelin Donahue, Tom Noonan, Mary Woronov, AJ Bowen, Dee Wallace, Greta Gerwig, Brenda Cooney, Mary B. McCann

Depois que morcegos espalharam um vírus capaz de despertar os mortos, Ti West fez o thriller Trigger Man e, então, o longa que lhe traria bons conceitos ao gênero. A Casa do Diabo nasceu praticamente com a morte do VHS, quando argumentos pós-modernos não sabiam o que inventar para justificar a dificuldade de se pedir ajuda, como problemas no sinal do celular ou a falta de conexão devido ao isolamento. O cineasta americano propôs um retorno aos anos dourados dos slashers e dos filmes ingênuos de casas assombradas, mas em uma imersão absoluta, resgatando até mesmo o tipo de enredo arrastado de muitas produções da época. Talvez se tivesse ambientado seu terror satânico dez anos antes do escolhido, teria o apoio também do contexto. Contudo, faltou também trazer de volta aquele mesmo público…

West queria realmente ter sido um diretor do período. Com o apoio financeiro necessário, ele rodou seu filme em 16mm, trabalhando cada tomada como um espelho oitentista. Os créditos iniciais, por exemplo, faz uso de letreiros grandiosos em amarelo com o constante congelamento da imagem; algo que ele repetiria na cena final, quando a última imagem era fixada para o aparecimento dos créditos. Usou roupas e cabelos da época, além da trilha sonora que era comum entre os jovens: “One Thing Leads to Another” e “The Breakup Song (They Don’t Write´Em)”, que tocam no walkman da protagonista. Aliás, a própria é uma referência em pessoa. Jocelin Donahue parece realmente ter sido transportada dos anos 80 não apenas pela caracterização mas também pelo próprio semblante e postura.

A busca por uma independência conduz Samantha ao interesse de alugar a casa dos sonhos. Pelo fato da garota lembrar a filha da proprietária (Dee Wallace em uma pontinha bem-vinda), ela não precisa fazer o depósito de adiantamento, porém precisa dos valores do primeiro aluguel, aquele que permitirá que ela não precise mais conviver com sua colega de quarto (Heather Robb). Assim, ela vê a chance de ganhar um dinheiro fácil ao atender a um anúncio de procura por uma babá, conseguindo agendar a entrevista para logo mais, com o estranho Ulman (Tom Noonan) e sua esposa (Mary Woronov). Ela leva a tiracolo sua amiga Megan (Greta Gerwig) pela segurança e carona até a grande residência, bastante isolada.

Lá ela descobre que não se trata de cuidar de uma criança, mas da mãe da esposa, encamada e com dificuldades de locomoção. O serviço parece ser ainda mais simples pelo fato dele pedir que ela não a importune, deixando-a sozinha em seu quarto durante a breve ausência dos proprietários. Sem saber da pessoa a quem ela está cuidando, o que já são sinais de estranhamento e preocupação, mas satisfeita pelos valores oferecidos, a noite ainda tem o anúncio bastante comentado na TV do acontecimento de um eclipse lunar. Megan a deixa sozinha com a promessa de buscá-la algumas horas mais tarde, algo que não acontecerá devido a problemas no veículo e a chegada de um estranho (A.J. Bowen), aparentemente gentil. Ao saber que não se trata da babá contratada, ele disfere um tiro em sua cabeça, estourando seus miolos, diante de um cemitério macabro.

Completamente sozinha na morada, Samantha pode usufruir da TV e telefonar para a pizzaria. Contudo, aos poucos, as evidências de que algo sinistro está prestes a acontecer e ela faz parte do evento a levam ao desespero, juntamente com o espectador que começa a se preocupar com o seu destino. O que a família Ulman quer com Samantha? Como escapar desse culto demoníaco e encontrar uma saída dessa “casa do diabo“? As respostas a essas perguntas somente virão nos quinze minutos finais, que reservam ações violentas, um ser sinistro e um ritual sob um pentagrama, como muito pouco se vê no gênero atual.

Com algumas similaridades com outras produções satanistas como O Bebê de Rosemary, A Casa do Diabo traz todos os elementos que fizeram sucesso ao gênero nas décadas passadas: poucos personagens, um casarão sombrio com muitos cômodos fechados, barulhos estranhos e a constante sensação de estar sendo observada. O suspense é bem trabalhado na narrativa e explora uma perturbadora claustrofobia pela erma localização e a falta de recursos para a jovem se proteger. Consciente da proposta, West faz uso de tomadas comuns na época com as mais fechadas e o close, para mostrar a expressão desesperadora de Samantha diante do desconhecido.

Ainda que traga um final mais acelerado e facilitado, muitos espectadores não compraram a ideia. Comentários de que o filme “é chato” e “não acontece nada” foram comuns quando A Casa do Diabo chegou ao mercado de DVD. Ao mesmo tempo, Ti West atraiu fãs para seu estilo de cinema e o incentivou a fazer produções similares, embora ele tenha cometido o terrível Cabana do Inferno 2 no mesmo ano. Em 2011, foi lançado seu outro trabalho que dividiu opiniões: Hotel da Morte, destacando a protagonista Sara Paxton.

Com o seu primeiro papel de destaque e que lhe conferiu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Trophy, Jocelin Donahue lotou a agenda de compromissos, aparecendo em Sobrenatural: Capítulo 2, Sono Mortal e no recente I Trapped the Devil, entre trabalhos em produções de outros gêneros, séries e curtas. Quem espera vê-la mais uma vez nos cinemas só precisa aguardar a estreia de Doutor Sono, na semana que vem, para conferir seu talento no gênero. Até o momento, a sua visita à Casa do Diabo pode ser considerada sua melhor escolha!

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4.1 / 5. Número de votos: 9

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

5 Comentários

  1. Nossa! Copiaram sem nenhuma vergonha a ideia to filme Evil Dead.

  2. Filme horrível, parece uma colagem mal feita. Argumento fraco, para não dizer praticamente inexistente, história arrastada que só toma ritmo no final. Difícil destacar um único ponto sequer positivo do filme.

    1. Duas pessoas levam tiros praticamente idênticos, mas o resultado em uma é totalmente desproporcional a outra.

  3. Esse filme seria perfeito se não fosse esse final deslocado!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *