3.1
(15)

Você Deveria ter Partido
Original:You Should Have Left
Ano:2020•País:EUA, UK
Direção:David Koepp
Roteiro:David Koepp, Daniel Kehlmann
Produção:Kevin Bacon, Jason Blum, Dean O'Tool
Elenco:Kevin Bacon, Amanda Seyfried, Avery Tiiu Essex, Colin Blumenau, Lowri Ann Richards, Joshua C Jackson, Eli Powers

Mudar de país e tentar uma vida nova pode ser complicado se você não conseguir se desprender de seu passado. Kevin Bacon estrela este terror psicológico repleto de lugares-comuns, com uma premissa já revisitada à exaustão no subgênero “família se muda para uma casa estranha“, mas que traz um novo fôlego pela possibilidade metafórica sem apelar o tempo todo para sustos fáceis. A boa aceitação – não suficiente para tornar o trabalho inesquecível – também acontece pela presença sempre interessante de Amanda Seyfried (A Garota da Capa Vermelha e 12 Horas), que cria um curioso contraponto com o seu par. E vale uma espiada por envolver novamente a parceria entre Kevin Bacon e o diretor David Koepp, que, em 1999, resultou no ótimo Ecos do Além.

Baseado em um romance de Daniel Kehlmann, o enredo, também roteirizado por Koepp, traz um Bacon mais velho, interpretando o banqueiro Theo, casado com a atriz Susanna (Seyfried), bem mais nova do que ele, e pai da pequena Ella (Avery Tiiu Essex). Ciumento, bastante evidente em duas cenas – quando ele a visita no set de filmagem no dia em que ela está tendo um momento quente; e quando resolve espionar as mensagens recebidas -, Theo ainda precisa conviver com o passado trágico envolvendo a morte de sua ex-mulher na banheira, e que o levou a julgamento pela justiça e pela sociedade, ganhando apenas na primeira.

Assim, com o apoio da esposa, eles se mudam para um casarão isolado no País de Gales, na busca de discrição e paz. Como era de se imaginar, coisas estranhas começam a acontecer antes mesmo que eles consigam visitar toda a morada; e não conseguirão, pois ela é imensa e mutável. A partir de sombras sinistras, portas que se abrem para o nada e às vezes para longas escadarias, desproporcionais ao tamanho da casa, e quartos que trazem fotografias e passagens do tempo não percebidas, Theo é ainda atormentado por pesadelos constantes, usando os áudios de ajuda e sua agenda como maneiras de relaxar.

A situação se aperta quando ele encontra recados em sua agenda, como um que serviu ao título do filme, e a filha desaparece em meio ao labirinto de portas e salas, e até para uma versão sua envelhecida e que traz a terrível lembrança à tona. Haverá o dono de um mercadinho que irá apresentar a mitologia da morada e até uma relação com pessoas que são obrigadas a ficar lá para sempre – “não é você que encontra a casa, e ela que a encontra” -, mas tudo funcionando como um simbolismo ao seu próprio trauma e ao passado que sempre encontra meios de torturá-lo, como se lá fosse um reflexo de seu subconsciente.

Mesmo com uma certa profundidade, principalmente no referente ao encontro consigo mesmo e o amadurecimento de um acontecimento que irá acompanhá-lo por toda vida, Você Deveria Ter Partido peca em sua realização como filme de horror, diferente do longa de 1999. Pouca coisa realmente assustadora acontece, e essa confusão entre pesadelo e realidade, portas e salas escuras já não empolgam mais. E o final também é bem morninho, deixando o infernauta com a sensação de que faltou alguma cena ali, um clímax, algo que pudesse fechar a trama de maneira mais intensa e surpreendente.

Ainda assim, é um filme que pode despertar o interesse, pelo elenco e realização. Porém, será facilmente esquecido pouco tempo depois, diferente do trauma do protagonista.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 3.1 / 5. Número de votos: 15

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

6 Comentários

  1. Você foi gentil em tua resenha. O filme é uma porcaria! Não segue um foco e o desenvolve, nem em relação ao ciúme, a dinâmica da casa, ou o vilarejo. Nada é aprofundado. A culpa dele e o segredo não nítidos desde o começo, causando zero surpresa e suspense. E o final? Nem chamo aquilo de final. Parece uma cena mal feita e às pressas só para irem tomar um porre. E, por falar em porre, deveria ser o “adjetivo” oficial do filme.

  2. Fui com a expectativa alta, até pelo fato de ser produzido pela Blumhouse e com a direção e roteiro do David Koepp. Infelizmente me decepcionei muito, filme fraco, atuações decepcionantes, e confuso em alguns momentos. O diretor tinha uma premissa interessante em mãos, mas não soube executar da melhor forma, que pena.

  3. A trama não chega a lugar nenhum. Fraco!

  4. Nossa, esse filme é mesmo bem ruim.

  5. Poxa pena não falarem bem do filme. Estava na expectativa.

  6. Já tinha achado Ecos do Além tão sem sal… vontade zero de conferir esse.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *