Tsunami Zumbi (2019)

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Tsunami Zumbi
Original:Zombie Tidal Wave
Ano:2019•País:EUA
Direção:Anthony C. Ferrante
Roteiro:Ian Ziering, Thunder Levin
Produção:Michael Becker, Kirk, ShawIan Ziering
Elenco:Ian Ziering, Erich Chikashi Linzbichler, Shelton Jolivette, Cheree Cassidy, Tatum Chiniquy, Angie Teodora Dick, Randy Charach, Eliza Matengu, Lincoln Bevers, Kenneth Won, AnnMarie Giaquinto

 

Anthony C. Ferrante representa para o canal Syfy o mesmo que Christopher Landon em relação a Blumhouse. Basicamente são os queridinhos dessas produtoras e distribuidoras, independente do que projeto que resolvam encabeçar. Se Landon é a aposta do terror associado ao humor (vide A Morte te dá Parabéns e Freaky), Ferrante é o das bagaceiras, com efeitos primários, atuações canastronas e enredos que não fazem o menor sentido. Para quem esteve congelado nos últimos dez anos, ele comandou os cinco filmes da franquia Sharknado (entre 2013 e 2018) e também Tsunami Zumbi (Zombie Tidal Wave, 2019), a partir de um roteiro próprio em parceria de Darby Parker e Josh LeBlanc, com argumento co-escrito por Thunder Levin e Ian Ziering.

Ziering (um dos atores de Barrados no Baile) também tem cadeira cativa no SyFy. É o astro de todos os Sharknados, além de ter feito uma pontinha no combate às aranhas digitais de Lavalantula. Desta vez, ele é o ex-bombeiro nova-iorquino e que se separou depois do 11 de Setembro e virou o pescador Hunter Shaw, que está de passagem pela pequena cidade litorânea de Emrys Bay, no momento em que um terremoto provoca um tsunami que arrasta cadáveres ambulantes, vítimas do naufrágio de um barco de uma indústria farmacêutica que trazia um medicamento para erradicar a velhice, feito à base de fósforo – é apenas a desculpa para a mancha azulada no mar e a cor da pele dos mortos, que em dadas cenas, pela caracterização tosca, remetem a Oasis of the Dead e Zombi 3.

Antes do tsunami atingir a cidade – e causar poucos estragos, é importante dizer -, um exemplar já havia atacado a embarcação de Hunter, no momento em que ele estava com seu parceiro Ray (Shelton Jolivette) e a sobrinha dele, Jada (Eliza D’Sousa). Ela é mordida pelo zumbi-avatar e resgatada ao hospital pela Dra. Kenzie Wright (Cheree Cassidy), viúva e interessada por Hunter. Ela é mãe de Samantha (Tatum Chiniquy), que namora Dag (Will Jay), o vocalista da banda adolescente Fulci´s (que bela homenagem!), que chega a subir em um veículo para cantar e distrair os mortos! Ainda circulam nesse inferno zumbi o xerife Akoni (Erich Chikashi Linzbichler), pai super protetor da jovem Taani (Angie Teodora Dick), amiga de Samantha; o intragável turista Blaine (Lincoln Bevers), que sacrifica a noiva Connie (Natasha Hardegen) pela própria sobrevivência, além do ricaço Marty Driscoll (Randy Charach), que fornece as armas e prende um zumbi para estudos.

Quando os mortos chegam à costa, os personagens estão separados em pequenos núcleos: os que acompanham Hunter pela cidade, o hospital onde trabalha a Dra. Kenzie e o mercado, abrigo de Sam e Taani. Em passadas lentas, os mortos-smurf, com algumas feridas pútridas na face e dentes das criaturas de Demons, vão espalhando morte e desenvolvendo mais criaturas com suas mordidas. Diferente dos exemplares do subgênero, atirar na cabeça não resolve; ou você explode o zumbi em pedaços ou os eletrocuta, o que tornam as armas de choque e fios de alta tensão como as melhores maneiras de combate. Como já acontecia em Sharknado, Hunter é realmente o herói da produção, altruísta, gente boa, e que irá usar qualquer arma que tiver ao seu alcance, incluindo o motor de um barco, como fizera Ving Rhames, em Piranha 3D (2010).

Zumbis respeitando o distanciamento

Os efeitos são bem ruins mesmo. Muita tinta azul, até mesmo no sangue dos zumbis, além da pavorosa cena do tsunami atingindo a cidade. Não adianta a onda ter 20 metros, pois ela causará pouca destruição e morte, restando muitas opções aos zumbis da Tim. E nota-se os gastos comedidos pelo fato do filme inteiro se passar à luz do dia, sem sequências noturnas, além do uso de fogo digital, explosões que não representam a dimensão adequada… E, como se imagina, é fácil prever quem irá sobreviver ao apocalipse azul, os sacrifícios que precisarão acontecer, assim como os momentos de heroísmo exacerbado de Hunter, algo que já o acompanhava na franquia Sharknado.

Enfim, Tsunami Zumbi é uma bobagem despretensiosa, com todos os aspectos que o colocam na lista das bagaceiras moderas. Pode ser que, sabendo o que irá encontrar, você consiga se divertir com os esguichos de sangue das vítimas e as frases de efeito do herói de ocasião.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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