3.4
(8)
Piranha 3D (2010)
Why So Serious?

Piranha 3D
Original:Piranha 3D
Ano:2010•País:EUA
Direção:Alexandre Aja
Roteiro:Pete Goldfinger, Josh Stolberg
Produção:Alexandre Aja, Mark Canton, Grégory Levasseur, Marc Toberoff
Elenco:Richard Dreyfuss, Ving Rhames, Elisabeth Shue, Christopher Lloyd, Eli Roth, Jerry O'Connell, Steven R. McQueen, Jessica Szohr, Kelly Brook, Riley Steele, Adam Scott, Ricardo Chavira, Dina Meyer, Paul Scheer, Brooklynn Proulx

por Gabriel Paixão

O diretor francês Alexandre Aja ganhou os holofotes estadunidenses com uma trinca de filmes sérios, intrincados e adorados pelos fãs do cinema de horror: Alta Tensão, Viagem Maldita e Espelhos do Medo. Portanto, foi de causar estranheza que Aja tenha escolhido um próximo projeto tão inusitado quanto uma “refilmagem” de Piranha (entre aspas, pois o diretor alega ser um filme completamente diferente). Cujo original de 1978 dirigido por Joe Dante e produzido por Roger Corman já era uma “refilmagem” de Tubarão, e ainda este filme já havia sido refilmado em 1995 em uma produção do próprio Corman.

Não posso culpar o homem, o próprio Aja declarou que estava com medo de fazer o mesmo tipo de filme denovo e denovo. Se sua intenção era criar um Guilty Pleasure, ele conseguiu com louvores e trouxe os bons tempos dos anos 80 de volta as telas mais de 20 anos depois… E em 3-D! Desde quando recebeu o script seis anos antes, durante a finalização de Viagem Maldita e depois que Chuck Russell (diretor de A Bolha Assassina) largou o projeto, Aja disse que sentiu que precisava fazer algo divertido e louco, e mesmo a contra-gosto do estúdio Dimension (que queria um filme mais sério) que outra oportunidade teria do que em uma produção intitulada Piranha?

E o filme é fantástico, um dos mais divertidos de 2010, jamais se leva a sério (você tem que ver na internet o vídeo em que o elenco pede indicação do filme para o Oscar) tem sangue, festa, peitos, ação, tensão, peixes assassinos e, por Deus, Richard Dreyfus numa ponta improvável e um elenco espetacular. Dava para ficar melhor que isso?

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É o próprio que abre o filme, um pescador chamado Matthew Boyd (mas qualquer cidadão que tenha assistido a Tubarão uma vez na vida sabe que Dreyfus está interpretando Matt Hooper) está numa calma tarde pescando e cantarolando no meio do lago Victoria nos Estados Unidos, quando um pequeno terremoto acontece e abre um buraco do fundo do lago e causa um redemoinho. Do buraco aberto emerge uma infinidade de piranhas e com o redemoinho derrubando Hopper… opa, Boyd no lago, ele se torna a primeira vítima do filme – e com essa abertura, já me ganhou pelo resto da produção.

Na cidade é o início das férias de primavera, você sabe, onde universitários fazem festas regadas a cervejas e orgias e que nós brasileiros só conhecemos por filmes… A então pacata cidade é invadida por jovens repletos de alcool no sangue e os hormônios em ebulição. Muito trabalho para a Xerife Julie Foster (Elisabeth Shue) que precisa que seu filho Jake (Steven R. McQueen) tome conta do casal de irmãos Laura (Brooklynn Proulx) e Zane (Sage Ryan) enquanto ela exerce a força da lei.

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Contudo o jovem está em um conflito entre os lados esquerdo e direito do cérebro: Jake recebeu um convite inusitado e inesperado de Derrick Jones (Jerry O’Connell) para ser seu guia no lago enquanto filma um filme pornô para um popular site de internet com as gatas Danni (Kelly Brook) e Crystal (Riley Steele, atriz pornô de verdade) em um barco. Dando o nó da vida dele, ele suborna os irmãos para não sair de casa e parte para a aventura.

Obviamente nada sai como o planejado, os irmãos saem de barco pelo lago cercado de piranhas (mas ninguém sabe disso ainda) e acabam presos em uma ilhota. Ao encontrar com Derrick no dia seguinte, ele também esbarra com Kelly (Jessica Szohr), sua paixão platônica que acaba indo junto, contudo as coisas vão piorar muito antes de ter uma chance de melhorar.

Nesse ínterim, Julie e seu colega Fallon (Ving Rhames) descobrem o corpo de Boyd e sem saber o que aconteceu, recebem uma equipe de sismologistas para verificar o tremor no lago. Novak (Adam Scott), Sam (Ricardo Chavira) e Paula (Dina Meyer) vão junto com a Xerife e descobrem que a fenda aberta acabou abrindo um caminho entre o lago e um bolsão de água logo abaixo que estava selado a milhões de anos, local de onde saíram as piranhas.

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Mais algumas mortes acontecem e Novak e Julie conseguem capturar um espécime vivo e levam imediatamente para Henry Goodman (Christopher Lloyd, em um papel pequeno, mas ótimo), dono de um pet shop local. Ele explica que a piranha capturada é de uma espécie extinta, altamente primitiva e feroz. Agora com a dimensão exata do risco e com milhares de peixes carnívoros se espalhando pelo lago fervilhante de adolescentes, eles precisam correr contra o tempo antes que o massacre se torne inevitável e, pior, colocando em risco a própria família de Julie.

Fãs de películas do mesmo nível de insanidade de Uma Noite Alucinante e Fome Animal (incluindo uma cena envolvendo um policial, um motor de popa e muitas piranhas que é uma fantástica referência ao filme de Peter Jackson) serão muito bem vindos ao conferir Piranha, aliás para ficar mais trash devia se chamar Spring Break Piranha Massacre e fazer parte de Grindhouse 2. Sim, é previsível, superficial e o design das piranhas chegam as vias da tosqueira, mas isso só colabora para a diversão sólida, leve, rasteira e violenta.

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Aliás não é novidade que Alexandre Aja tem a mão muito boa para dirigir cenas sangrentas e a épica e caótica cena do ataque em Lake Victória e seus alegados 100 mil galões de sangue entra direto nas melhores cenas de terror subaquáticos que se tem notícia. São mais de 20 minutos de ataque e o pânico que toma conta dos figurantes que estavam se divertindo momentos antes com uma apresentação de camisa molhada (cortesia do diretor Eli Roth fazendo outra hilária participação especial ao se referir a um par de seios como “Danny De Vito’s“) causa gargalhadas e rostos contorcidos de nojo. Só faltou um pouco mais de variedade nas mortes, já que as pessoas que morrem indiretamente por conta do pânico são mais engraçados do que os repetidos ataques de mordidas.

Apesar de recheado de efeitos em CGI que não são “totalmente excelentes” se é que você me entende, Gregory Nicotero (outro que faz participação especial) e Howard Berger tem boas oportunidades de demonstrar seu talento na maquiagem e efeitos especiais nesta cena; você não se importa com os figurantes; nada é dito sobre a extensão do ataque, só senta e aproveita os ferimentos e desmembramentos criados pela equipe dos dois. Infelizmente, estou num protesto solitário contra filmes convertidos para 3D (vide os fiascos Fúria de Titãs e O Último Mestre do Ar) e acabei assistindo da maneira tradicional, então não posso comentar como é ter um pênis girando em 3D na minha cara, ainda bem, hahaha…

O elenco colabora muito também e possui uma química que só coloca mais tempero nesse enredo caótico, apesar de eu não ter comprado o personagem principal: Elisabeth Shue, Ving Rhames, Jerry O’Connel, Dina Meyer e Christopher Lloyd parecendo que Doc Brown deixou de fazer viagens ao futuro e se dedica a ser biólogo marinho e mais as atrizes pornô: Riley Steele e uma ponta de Gianna Michaels tendo as pernas devoradas por piranhas (não adianta fazer essa cara, eu sei que você conhece). As atrizes, por sinal proporcionam o máximo de nudez gratuita e despropositada que você poderá ver em um filme censura 16 anos.

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Os resultados em bilheteria estão agradando tanto o estúdio que a continuação já está sendo idealizada para lançamento em agosto de 2011, provisoriamente chamado de Piranha 3DD (referência a medida de tamanho dos sutiãs nos Estados Unidos), será realizado pela equipe responsável por Banquete no Inferno: Patrick Melton e Marcus Dunstan no roteiro e John Gulager na direção. De Aja, além da aguardada “Director’s Cut” de Piranha, que promete cenas inacabadas por causa do orçamento, ele já disse que quer mudar de gênero um pouco antes de voltar com força total no remake de Maniac num futuro próximo. Quando será que o diretor vai comandar um projeto de horror inédito?

Gente, mas sobre esse filme, não posso dizer nada mais do que isso: Se você vai ao cinema e compra um ingresso para um filme chamado Piranha 3D e espera ver Godard, tem que procurar imediatamente um psicólogo. Para todos os outros mortais, chame os amigos, tome umas cervejas, venha para a festa, se mantenha fora da água e tenha 88 minutos de boa diversão.

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5 Comentários

  1. Mais um remake dirigido por Alexandre Aja que ficou superior à versão original (o outro foi Viagem Maldita, de 2006). Vale a pena assistir, mas tem que colocar um balde embaixo da televisão ou computador, pra coletar o sangue que vai escorrer da tela.

  2. Não gostei,excessivamente violento e com roteiro sem muita criatividade, apesar do bom elenco, que lógico, está desperdiçado

  3. GROSSEIRO.
    Com cenas de nudez desnecessárias e situações e diálogos absurdos, apelativos.
    O único momento que salva é a sequência das mortes sangrentas no lago.
    Horrível.

  4. divertido pra kramba,adoro……………..

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