Barbarella (1968)

4.5
(4)

Barbarella
Original:Barbarella
Ano:1968•País:França, Itália
Direção:Roger Vadim
Roteiro:Jean-Claude Forest, Terry Southern, Roger Vadim, Claude Brulé, Vittorio Bonicelli
Produção:Dino De Laurentiis
Elenco:Jane Fonda, John Phillip Law, Anita Pallenberg, Milo O'Shea, Marcel Marceau, Claude Dauphin, Véronique Vendell, Giancarlo Cobelli, Serge Marquand, Nino Musco, Franco Gulà

Um estimulador de sensações, Barbarella tem em Jane Fonda sua caracterização absoluta. Lançado em 1968, ano chave para as principais realizações do gênero fantástico, o longa é baseado em uma personagem dos quadrinhos franceses de bastante sucesso, cujos direitos de adaptação foram adquiridos pelo produtor Dino De Laurentiis. Quando o cineasta Roger Vadim expressou seu interesse pelos originais em 66, ele havia acabado de se casar com Fonda, o que ajudou no convencimento de sua escolha para o papel, anteriormente imaginado para Virna Lisi, Brigitte Bardot e até Sophia Loren, que teve que desistir em decorrência da gravidez. Mas seria impossível imaginar uma astronauta mais sexy, sedutora e ousada do que a opção final, tanto que o papel acabou ficando eternamente marcado na carreira da atriz.

Vadim transformou sua adaptação em uma versão live action dos quadrinhos. Há muitas características que remetem às páginas da revista, com todos os exageros cartunescos, personagens artificiais e frases de efeito que, somado às cores fortes, figurino absurdo, sensualidade e bom humor, contribuem para a fantasia divertida proporcionada pelo filme. Esse fetiche visual é repleto de falhas técnicas, com efeitos especiais ruins e direção completamente perdida, mas que tornam a experiência ainda mais cativante. Tive o privilégio de revê-lo em todas as suas interessantes deficiências na Virada Cultural 2017, através do Cine Phenomena, e mais uma vez fiquei apaixonado pela obra e pela beleza de Jane Fonda.

Ela interpreta a personagem-título, no século 40, que surge de maneira estonteante na abertura ao som de The Glitterhouse, escrita por Bob Crewe e Charles Fox. A astronauta tira sua vestimenta espacial, e recebe o contato do Presidente da Terra (Claude Dauphin), que já traz a primeira gargalhada do público ao perceber que ela pretendia vestir algo. “Não se preocupe com isso. Este é um assunto nacional.” Ele passa para ela a missão de resgatar o doutor Durand Durand (Milo O’Shea) – que deu o nome ao grupo musical – em Tau Ceti, uma estrela da constelação Cetus, local onde ele estaria perdido após criar uma arma extremamente poderosa chamada Raio Positrônico, com alto poder de destruição.

A nave cor-de-rosa cai no 16º planeta de Tau Ceti, e ela é recebida por duas gêmeas que a conduzem de esqui, com o apoio de uma criatura similar a uma raia. Barbarella é capturada por um grupo de crianças gêmeas que, para brincar, oferecem-na a suas bonecas carnívoras, com dentes metálicos. Ela é salva por Mark Hand, o Caçador (Ugo Tognazzi), que lhe oferece abrigo temporário e a convida para transar, mas no “método antigo“, sem usar pílula e toque manual (psicocardiograma em perfeita harmonia), apenas o contato físico entre os corpos. Com a nave consertada, ela continua sua missão, desta vez no interior do planeta, local onde conhecerá o anjo cego Pygar (John Phillip Law), o professor Ping (Marcel Marceau) e um labirinto para chegar a Sogo, a Cidade da Noite, governada pelo Grande Tirano e seu exército de Guardas Negros.

Armas a laser, mulheres que respiram a essência masculina, porta onde você escolha a sua morte, e um lodo negro chamado Mathmos, que representa o Mal absoluto. Barbarella terá que enfrentar os inimigos em um caleidoscópio de cores brilhantes, uma jaula com pardais assassinos e vilões que voam em nave pouco sofisticadas. Para isso terá o apoio discreto do líder da resistência, Dildano (David Hemmings), com quem terá relações sexuais futuristas, e invadirá a Câmara dos Sonhos da vilã (Anita Pallenberg), antes de encontrar a pessoa que procura.

É impossível não se divertir com essa produção estimada em U$9 milhões. Mesmo com suas deficiências visíveis – aparição de câmera e cabos que auxiliam o voo – e atuações canastronas, Barbarella leva o espectador a uma viagem sedutora, repleta de personagens curiosos e cativantes. O filme estreou à porta da viagem da Apolo-8 ao redor da Lua, em notícias que traziam a empolgação de que viagens espaciais poderiam ser uma realidade no futuro. Se não se concretizou como se imagina, ainda mais agora com toda a evolução tecnológica, a imaginação, despertada em produções fantásticas, permitiu o passeio, alguns tão belos como a encantadora astronauta Barbarella.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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