Caça Invisível (2021)

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Caça Invisível
Original:Prey
Ano:2021•País:Alemanha
Direção:Thomas Sieben
Roteiro:Thomas Sieben
Produção:Barbara Mientus
Elenco:David Kross, Hanno Koffler, Maria Ehrich, Robert Finster, Yung Ngo, Livia Matthes

Poderia ser uma mistura de O Ritual com Ponto Vermelho, seja pela ambientação ou ameaça, pela atmosfera de mistério ou pela sensação de insegurança. Infelizmente, os ingredientes não compuseram um produto digerível, assim como a cobertura e o próprio recheio. Com direção e roteiro de Thomas Sieben (de Sequestrando Stella), este longa alemão de sobrevivência na floresta se constrói de maneira engessada, com diversas facilidades observadas em sua estrutura narrativa, embora seja bem produzido e tenha um carismático elenco.

Cinco amigos estão comemorando a despedida de solteiro de um deles em contato com a natureza. Roman (David Kross) está prestes a se casar com Lisa (Livia Matthes) e planejou um último momento entre amigos na companhia de seu irmão Albert (Hanno Koffler), além de Peter (Robert Finster), Vincent (Yung Ngo) e Stefan (Klaus Steinbacher). Ao ouvirem o disparo de um rifle nas proximidades, eles não imaginavam que aquele seria o primeiro de muitos outros, mas o único que não teria uma mira certa. Logo, passam a ser acuados por um atirador misterioso e bem eficiente e precisam unir forças para se proteger e buscar ajuda, enquanto tentam entender as motivações da ameaça.

É basicamente isso. Eles constantemente fugindo pela mata, em uma ambientação sempre visivelmente interessante, ao passo que as máscaras, de uma amizade até então bem construída, começam a se despedaçar permitindo algumas revelações não muito boas, seja profissionalmente ou na relação entre eles. Verdades terão alvo certo, e provocarão ferimentos muito mais profundos e dolorosos.

Por ser uma produção alemã, bem que Caça Invisível poderia tentar outros caminhos. A obviedade de situações fragilizam o enredo, como no acréscimo de flashbacks que agridem o ritmo, nas discussões de personagens que muitas vezes não levam a lugar algum e nas facilidades do roteiro, que sempre coloca a ameaça em uma estranha onipresença. Dentre estas, a mais absurda acontece na sequência em que um dos rapazes encontra a moradia do atirador, com um computador ligado e com um vídeo aberto no ponto exato que justifica a sua motivação. É uma maneira ainda mais boba de substituir o famoso discurso do vilão, comuns em muitas obras do cinema.

Disponível na Netflix, Caça Invisível poderia muito bem permanecer oculto, sem qualquer indicação, camuflado entre outras opções melhores da plataforma. Até mesmo Ponto Vermelho, com seus próprios problemas e limitações, irá trazer mais entretenimento e uma narrativa mais plausível e interessante.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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