Family Tree – Volume 1: Nascimento (2021)

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Family Tree – Volume 1: Nascimento
Original:Family Tree – Vol. 1: Sapling
Ano:2021•País:EUA
Páginas:96• Autor:Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gapstur, Ryan Cody•Editora: Intrínseca

Com mais de quinze anos de carreira e tendo trabalhado tanto para Marvel quanto para a DC, Jeff Lemire é não apenas um dos principais quadrinistas do mundo, como também um dos mais versáteis. Trabalhou em títulos como Homem Animal, Gavião Arqueiro, Jovens Titãs – Terra Um, Liga da Justiça, Extraordinários X-Men, enfim…uma lista e tanto de quadrinhos de heróis dessas grandes editoras. Seu nome ficou conhecido, mas sua reputação deslanchou mesmo com as obras autorais, se estabelecendo de fato na indústria após o sucesso de Sweet Tooth. Outros quadrinhos de Lemire foram e são aclamados, a exemplo de Black Hammer, Descender e Royal City, publicados no Brasil pela editora Intrínseca. Desgraças, apocalipse e drama familiar são características marcantes de suas obras, e agora é a vez de descobrimos quais infortúnios acontecerão no inédito primeiro volume de Family Tree.

Logo no começo já somos avisados: O fim do mundo já começou. Lentamente, com suas raízes entranhadas, destruindo pouco a pouco tudo que conhecemos, tudo que consideramos “normal”. E foi justamente em um dia absolutamente ordinário que Loretta percebeu.

Nada de novo no trabalho, clientes rabugentos, escola ligando para reclamar dos filhos, diretor babaca, filha mais nova reclamando de alguma coceira…mais um dia comum na vida de Loretta, até ela resolver prestar atenção nas reclamações de Meg, sua filha de oito anos. A coceira dos braços e costas não é tão inocente assim e, ao olhar o que acontece, descobre que Meg está com cascas. Cascas de árvore. E galhos. Sua filha tem um galho saindo das costas e, como se isso não fosse desesperador o suficiente, alguns malucos surgem do além para tentar matá-la a fim de impedir o apocalipse, enquanto sua transformação fica cada vez mais rápida. Para o azar de Meg, Loretta e toda a família, daqui pra frente a tendência é piorar, com revelações que certamente todos prefeririam que ficassem enterradas.

Family Tree será composta por três volumes, com esse primeiro abordando os capítulos 1 a 4. A ação não demora a acontecer, fazendo com que a leitura seja bem rápida, fluida e dinâmica, porém, apesar da história bem construída, também não há grande aprofundamento dos personagens, sendo tudo bem superficial nesse primeiro instante, o que é normal já que é apenas o começo.  A melancolia está sempre presente e evidente, e logo de cara percebemos que essa família esconde muitos segredos e muitas mágoas não resolvidas. Alguns mistérios são rapidamente revelados, mas a quantidade de perguntas é bem maior do que a de respostas, atiçando a curiosidade do leitor para o que poderá vir a seguir.

Mutações, mutilações, doenças ou qualquer outra coisa não natural do corpo humano é uma característica do body horror, e Lemire se utiliza muito disso na HQ. Conforme o tempo passa, as transformações vão ficando cada vez mais bizarras e, possivelmente, imutáveis, destacando o trabalho impecável dos artistas ao transmitirem toda a violência gráfica e visual grotesco propostos. Com a paleta de cores tendendo para tons escuros, o ar sombrio fica ainda mais pronunciado e causando maior imersão na premissa apocalíptica.

Vale citar a inteligente analogia do título: Family Tree, ou Árvore Genealógica. Literalmente, uma criança se transformando em árvore porque está em seus genes, é seu destino, sua herança familiar desconhecida, aquela doença ou característica detestável que você não pediu, mas está lá, herdada de algum antepassado distante – ou nem tanto – e florescendo.

Family Tree possui alguns pontos criativos, em especial com os paralelos que faz entre o título, autoconhecimento e conexões familiares, entretanto, quem é fã de longa data e acompanha os trabalhos de Jeff Lemire a mais tempo vai perceber muitas similaridades com outras de suas obras, como por exemplo o cenário de apocalipse, presente em muitas de suas histórias, crianças se transformando em algo ou híbridas – como no já citado Sweet Tooth e também Homem Animal – e personagens um tanto clichês (mãe que odeia o trabalho, adolescente que só arranja encrenca, filha mais nova inocente e adorável que tem um destino terrível), o que pode deixar a leitura desse primeiro volume com um ar de “mais do mesmo”. Para quem leu poucas obras do autor ou mesmo nenhuma, a HQ é um ótimo primeiro contato, apresentando a receita de sucesso de Lemire: Mistério, horror, apocalipse e drama.

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Louise Minski

Um experimento de Schrödinger entediado.

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