4.5
(2)

Manual de Caça a Monstros
Original:A Babysitter's Guide to Monster Hunting
Ano:2020•País:EUA
Direção:Rachel Talalay
Roteiro:Joe Ballarini
Produção:Amie Karp, Ivan Reitman
Elenco:Tamara Smart, Oona Laurence, Tom Felton, Troy Leigh-Anne Johnson, Lynn Masako Cheng, Ty Consiglio, Ian Ho, Indya Moore, Alessio Scalzotto, Tamsen McDonough, Ashton Arbab, Crystal Balint

Assombrações e entidades malignas reinam absolutas nesta época de gostosuras e travessuras. Além das pessoas se fantasiarem para festas temáticas e enfeitarem suas moradias, principalmente nos países em que a data é comemorada de maneira ritualmente divertida, a programação da TV e dos cinemas é um prato sangrento a ser servido com filmes de terror clássicos e produções obscuras. As plataformas de streaming também passaram a investir nesse evento assustador com a divulgação de obras voltadas para o universo fantástico e sobrenatural, sendo que muitas delas também associadas ao público juvenil – em uma tendência que tem se ampliado de maneira um pouco desagradável. Esse “infanterror“, com crianças e pré-adolescentes enfrentando monstros, parece transformar essas plataformas que extinguiram as locadoras nas saudosas “Sessão da Tarde“, quando era divertido conferir Os Gonnies e Deu a Louca nos Monstros, às vezes trocando de canal para espiar o Cine Trash. É o que nos motiva a conferir o longa Manual de Caça a Monstros (A Babysitter’s Guide to Monster Hunting), que estreou na Netflix em outubro do ano passado.

Também se torna um atrativo maior quando se nota o nome Ivan Reitman entre os produtores. Trata-se do diretor de obras que costumavam frequentas muitas das tardes dos anos 90 como Os Caça-Fantasmas (1984), Os Caça-Fantasmas 2 (1989), Irmãos Gêmeos (1988), Um Tira no Jardim de Infância (1990), e outros longas, muitos com sua assinatura como produtor. É claro que os tempos são outros, mas será que não poderia existir um tom nostálgico nessa mistura de terror e humor, resgatando os momentos inspirados de sua filmografia? Apesar dos intentos – e há o que se comparar ao período -, essa adaptação de uma trilogia escrita e roteirizada por Joe Ballarini não foi além do adequado e o levemente interessante.

Manual de Caça a Monstros começa mostrando o pesadelo infantil da jovem Kelly Ferguson (Tamara Smart), que, após uma experiência assustadora em uma noite em seu quarto com a presença do bicho-papão, passou a ter o apelido de “menina monstro“. Com uma capacidade impressionante de raciocínio lógico e mantendo o interesse no colega Victor (Alessio Scalzotto), ela é convocada a trabalhar como babá na noite de Halloween para cuidar do pequeno Jacob (Ian Ho), um garoto que sofre de terrores noturnos e diz receber a visita de tentáculos. Durante o trabalho que a impediu de participar de uma festa e paquerar seu “crush“, o pequeno é raptado por três monstros, os chamados puxa-sapos, e antes que saiba como justificar o ocorrido, ela é interceptada por Liz LeRue (Oona Laurence).

Liz é a vice presidente de uma Associação de Babás de Rhode Island, com sede em uma universidade. Ao lado de Berna (Troy Leigh-Anne Johnson), Curtis (Ty Consiglio) e a “babá em treinamentoCassie (Lynn Masako Cheng), ela monitora pesadelos e incidentes envolvendo a presença de bichos-papões. Ao se aproximar do grupo, Kelly tem acesso ao Guia de Babás para Caçar Monstros e ainda fica sabendo que grandes nomes da História também foram babás e membros da associação como Ártemis, Merlin, Cleópatra e até Frida Kahlo. De acordo com os especialistas em trocar de fraldas e caçar monstrinhos, Jacob fora levado pelo terrível Grand Guignol (Tom Felton), um comandante de bichos-papões que coleciona pesadelos e está em busca da criança que possui o Dom Onírico, capaz de dar vida aos seus maiores medos durante o sono.

Para descobrir o local onde se esconde o vilão, Kelly e Liz terão que raptar uma das criaturas e ainda enfrentar ameaças como Peggy, A Mulher Gato (Indya Moore) e o Monstro das Sombras, além, é claro, de manter uma boa impressão para seu interesse amoroso e resgatar Jacob antes da meia-noite para evitar problemas com a mãe dele, a Sra. Zellman (Tamsen McDonough). No entanto, há só uma maneira de vencer o Grand Guignol, através de um feitiço específico, que exigirá dados ingredientes com outras babás pelo mundo, e usando-os em seu coração.

Como se percebe, o longa é uma aventura fantástica com a estrutura de uma produção voltada ao público adolescente. Além do elenco ter a composição jovem, inimigos como Peggy e principalmente Grand Guignol parecem músicos de uma banda de rock dos anos 90. Tom Felton, que se tornou conhecido na pele de Draco Malfoy, está bastante estereotipado, com aqueles exageros expressivos que constroem o vilão tradicional, remetendo a Guilherme Karan‎ como Baixo Astral; assim como Indya Moore no comando de um exército de gatinhos digitais e que possui um medalhão capaz de fazer Jacob finalmente dormir, depois de inúmeras tentativas com copos de leite morno.

Os efeitos especiais, desenvolvidos com CGI, são adequados à proposta. Os tais puxa-sapos são criaturas atrapalhadas e famintas, e que remetem ao Geleia de Os Caça-Fantasmas. Se não convencem como seres vivos, também não comprometem, servindo eficientemente para as idades as quais o filme foi realizado. E é até interessante como os créditos finais mostram a evolução dos efeitos, como se os realizadores quisessem justificar a própria condição de sua técnica – e também devem auxiliar os pequenos a se convencerem de que os monstros apresentados não existem.

Mesmo com algumas situações que podem divertir, além da própria aventura com monstros, Manual de Caça a Monstros talvez não inspire uma continuação. O material até poderia render uma franquia, mas a realização frágil não deve ter motivado à produção de continuações e a manutenção desse universo de babás caçadoras de bichos-papões, bem distante das nostálgicas Sessão da Tarde.

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1 comentário

  1. Gostaria de ver a critica sobre “The Medium”. ABRAÇOS!

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