The Walking Dead: 11ª Temporada (2021/2022) (8 episódios)

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The Walking Dead - 11ª Temporada
Original:The Walking Dead - Season 11
Ano:2021/2022•País:EUA
Direção:Sharat Raju, Greg Nicotero, Frederick E.O. Toye, Kevin Dowling, Laura Belsey, David Boyd
Roteiro:Angela Kang, Jim Barnes, Vivian Tse, LaToya Morgan, Kevin Deiboldt
Produção:Ryan DeGard, Kevin Deiboldt, Meredith Meade, Vivian Tse
Elenco:Norman Reedus, Melissa McBride, Lauren Cohan, Christian Serratos, Josh McDermitt, Seth Gilliam, Ross Marquand, Khary Payton, Cooper Andrews, Callan McAuliffe, Jeffrey Dean Morgan, Eleanor Matsuura, Nadia Hilker, Cailey Fleming, Cassady McClincy, Lauren Ridloff, Paola Lázaro, Michael James Shaw, Angel Theory, Laurie Fortier, Kien Michael Spiller

Será que os errantes de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard estão próximos de encontrar um descanso final? Atropelados pela pandemia do Covid-19, muito mais assustador que o vírus que assombra as personagens, a série, desenvolvida por Frank Darabont, está se aproximando do fim. A décima temporada teve a exibição de seu “episódio final“, “A Certain Doom“, apenas no dia 4 de outubro de 2020, sete meses depois do penúltimo, e veio com o anúncio de mais seis que iriam, finalmente, encerrar a temporada maldita. Na verdade, nota-se uma estratégia de manutenção do interesse do público, uma vez que a décima primeira, anunciada como a última da série, iria atravessar dois anos, contendo impressionantes 22 episódios. Assim, o espectador ficaria, de certa forma, amarrado ao produto enquanto ele perdura por episódios que poderiam render até mesmo uma décima segunda e terceira. E ainda manteria o foco através dos spinoffs Fear the Walking Dead e The Walking Dead: World Beyond, preparando os fãs para o(s) filme(s) com Rick Grimes.

Os Seis Episódios FINAIS da Décima Temporada

Embora os Sussurradores tenham sido praticamente exterminados, com a morte de Beta, sob as ações de Negan (ele também fora o responsável por decapitar Alfa, não se pode esquecer), as pessoas que vestem peles de zumbis ainda estariam onipresentes nos episódios finais e até mesmo na primeira parte da décima primeira temporada. O primeiro deles, “Home Sweet Home“, de David Boyd, foi exibido no dia 28 de fevereiro, mostrando Maggie (Lauren Cohan) nos primeiros contatos com o algoz de seu amado Glen. Ela descobre que assassino Negan (Jeffrey Dean Morgan) já é visto como o herói que salvou Alexandria da destruição como acontecera no incêndio de Hilltop. Atormentada por essa realidade, ela pede a ajuda de Daryl (Norman Reedus) para buscar os sobreviventes de seu grupo, incluindo seu filho Hershel (Kien Michael Spiller) de uma nova ameaça. Episódio interessante e que deu a Maggie um papel de comando e amargura.

O seguinte, “Find Me“, também de Boyd, foi um pouco inferior. Centrado em Daryl, com uma pequena participação de Carol (Melissa McBride), o episódio apresentou a personagem Leah (Lynn Collins, de Fim do Mundo), que reside em uma cabana com um cachorro. É o animal que permite a aproximação do rapaz com a moça isolada, e estabelece um vínculo de quase flerte, em uma amizade que trará passos importantes no começo da próxima temporada. “One More“, de Laura Belsey, é curiosamente bom. Centrado em Gabriel (Seth Gilliam) e Aaron (Ross Marquand), ele traz a participação muito bem vinda de Robert Patrick atuando como o insano Mays, que coloca os dois personagens em um intrigante jogo de roleta russa. Não traz acréscimos à série, funcionando como um episódio isolado, mas é bem realizado.

Também comandado por Laura Belsey, “Splinter” é definitivamente o mais fraco e irritante. Ele mostra o que aconteceu com o grupo envolvendo Eugene (Josh McDermitt), Princesa (Paola Lázaro), Yumiko (Eleanor Matsuura) e Ezekiel (Khary Payton). Presos em vagões, eles não fazem ideia de onde estejam e quem seriam essas pessoas que realizam inúmeros interrogatórios e querem descobrir a origem do grupo, e se existe outra comunidade por aí. Com o foco na insana Princesa, fica difícil distinguir a realidade de uma imagem mental, o que configura uma bagunça narrativa, onde a claustrofobia não se estabelece adequadamente. Tão desnecessário quanto o quinto, “Diverged“, de Boyd, novamente trazendo Daryl e Carol como personagens centrais, mas com ênfase em Carol e sua tentativa de capturar um rato. O episódio só serve realmente para apresentar uma dificuldade que servirá bastante à problemática da décima primeira temporada, a fome.

Por fim, Laura Belsey comanda o último, “Here’s Negan“. Nele o passado do vilão de outrora é apresentado de maneira interessante, mostrando a desconstrução de um homem apaixonado até sua transformação no terrível Negan. Com a esposa Lucille (Hilarie Burton) sofrendo de câncer e precisando de medicamentos, Negan planeja roubá-los do médico Franklin (Miles Mussenden) e de sua filha Laura (Lindsley Register), sendo surpreendido pela ajuda voluntária deles. O problema envolve a chegada de uma gangue de motoqueiros, e o modo como Negan entrega a localização dos dois que o ajudaram, numa postura que mostra sua mudança gradual em um ser frio e sem empatia. Bom episódio de desumanização de um personagem carismático, mas que nunca deve ser considerado um herói.

Portanto, pode-se dizer que a temporada encerrou-se de maneira regular, com três ótimos episódios, um mais ou menos e um bem ruim. Mas serviu de petisco de entrada para o prato principal, a 11ª temporada, a que trará um ponto final da principal série de zumbis de todos os tempos.

A Primeira Parte da Temporada Final

O anúncio do fim da série atraiu olhares para a estreia da temporada, com os fantásticos episódios “Acheron: Part I” e “Part II“, ambos dirigidos por Kevin Dowling. Com a escassez alimentar, Maggie sugere aos moradores de Alexandria uma viagem até Meridian, o local onde ela vivia com sua comunidade até serem saqueados pelos The Reapers. Para alcançar o local, Negan participa da expedição por conhecer bem a região – a contragosto, óbvio, de Maggie – , e o grupo, com Daryl, e alguns conhecidos dela, partem por um caminho por túneis escuros, com vagões abandonados e mortos deixados como armadilhas. Até mesmo a quebra de ritmo para mostrar a continuidade das ações do grupo de Eugene funciona bem, e há momentos de bastante suspense e tensão, como o do prólogo que, pela primeira vez, traz os mortos dormindo e a invasão a um galpão para buscar armas e alimentos. Nele também há um Negan, sentindo-se ameaçado a todo momento por Maggie, tendo a chance de mais uma vez agir contra a mãe de Hershel; e há Daryl se aventurando por passagens estreitas na procura pelo cachorro.

Se havia uma perspectiva de que o terceiro episódio, “Hunted“, de Frederick E.O. Toye, poderia diminuir a intensidade da temporada, ela felizmente não se estabeleceu. Traz o primeiro confronto do grupo de Maggie com os Reapers na floresta, enquanto mostrou Carol, Rosita (Christian Serratos), Magna (Nadia Hilker) e Kelly (Angel Theory) indo em busca dos cavalos que fugiram. Bem interessante pela dinâmica apresentada, sem descentralizar da trama que interessa, a temporada continuou apresentando caminhos interessantes. O quarto episódio, também de Toye, mostrou o reencontro de Daryl com Leah, agora pertencente aos Reapers, que tem como líder Papa (Ritchie Coster), que justifica suas ações como desígnios divinos. Fingindo agir como um viajante solitário, Daryl é torturado, mas não entrega suas origens e é testado para saber se poderia fazer parte do grupo. Bom episódio por permitir que o espectador conheça os inimigos dessa metade da temporada, ao mesmo tempo que condiciona mais uma vez a química de Daryl com o seu flerte.

Greg Nicotero comanda “Out of the Ashes“, mais um episódio que viaja por diversos núcleos de personagens e se saí bem em sua dinâmica. Além de mostrar um reencontro às ruínas de Hilltop, com a presença de sussurradores sobreviventes e que permitiu que soubessem que uma personagem ainda está viva, o episódio mostrou – até que enfim – o contato de Eugene com a procurada Stephanie (Chelle Ramos). A comunidade dela é apresentada, e permitiu que conhecêssemos um local que se isola do mundo apocalíptico como se nada tivesse acontecido, tendo trabalhadores, salários, comércio, uso de dinheiro…ou seja, a série de entrevistas, sob as ordens de Lance (Josh Hamilton) e o comando de Mercer (Michael James Shaw), era para saber quais habilidades os estranhos possuíam para saber onde encaixá-los e também descobrir suas origens. Por fim, as crianças voltam a adquirir importância na série, como Judith (Cailey Fleming) evidenciando seu lado guerreira.

O sexto episódio, “On the Inside“, também de Nicotero, é uma referência ao livro/filme As Criaturas Atrás das Paredes. Mostra o que aconteceu com Connie (Lauren Ridloff) e Virgil (Kevin Carroll), depois que buscaram abrigo numa casa aparentemente abandonada. O que eles não sabiam é que o local é habitado por humanos canibais, que se isolaram do mundo e voltaram a agir como animais, escondidos nas paredes, atravessando passagens secretas e sem contato com a luz solar. Excelente episódio, como um conto de terror e poderia representar uma refilmagem do longa, e que tem suas ações alternadas com a luta de Daryl para mostrar seu valor aos Reapers, tendo até que torturar um conhecido.

Depois voltaríamos a ver Eugene, Ezekiel, Princesa e agora Stephanie tendo que eliminar os errantes de edifícios abandonados como forma de penitência. Ao invés de pagar o que deve, uma ação de Eugene piora ainda mais a situação do grupo, mesmo com as tentativas de Yumiko, com o apoio do irmão recém-encontrado, de apaziguar os atritos. Esse episódio, “Promises Broken“, de Sharat Raju, volta às ações ao grupo de Maggie e Negan, com este pedindo que ela prometa que não irá matá-lo, se ele aceitar ajudá-la. Negan, então, sugere que os Reapers sejam combatidos com zumbis e para isso precisariam agir como sussurradores no comando das criaturas. Mais uma vez, The Walking Dead mistura inimigos para resolver os conflitos, como fora feito com Negan e os sussurradores, e agora estes com os Reapers. Episódio muito bom.

O último da meia temporada, “For Blood“, também dirigido por Raju, traz uma dinâmica muito intensa entre todos os núcleos, seja no confronto contra os Reapers, seja para mostrar Alexandria em uma tentativa de resistência depois que um temporal incendeia o moinho e abre uma estrutura que permite a invasão de errantes. Daryl resolve contar a Leah sobre sua origem, mesmo com os riscos que sua confissão pode trazer. E é realmente esse risco que finaliza o episódio, mas sem que haja um gancho imenso que justifique o roer de unhas do infernauta. Ainda assim, um ótimo segmento, em uma temporada que tem finalmente corrigido o principal problema de The Walking Dead durante toda a série: seu ritmo.

A showrunner Angela Kang tardiamente percebeu o que afastou tantas pessoas de acompanhar a série. Momentos morosos destoavam de um produto que pedia mais sequências de tensão e confrontos. Esses primeiros oito episódios incrivelmente se saíram bem, e esperamos que seja o tom desenvolvido por todo o restante da temporada, honrando seus fãs e os caminhantes.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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