Fim do Mundo (2019)

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Fim do Mundo
Original:Rim of the World
Ano:2019•País:EUA
Direção:McG
Roteiro:Zack Stentz
Produção:McG, Ray McIntyre Jr., Matt Smith, Susan Solomon-Shapiro, Mary Viola
Elenco:Jack Gore, Miya Cech, Benjamin Flores Jr., Alessio Scalzotto, Andrew Bachelor, Annabeth Gish, Scott MacArthur, Dean Jagger, Michael Beach, Lynn Collins, David Theune

Parte da leva de produções que envolvem pré-adolescentes como salvadores da pátria – e que nem valem a pena mencionar mais uma vez -, Fim do Mundo tem uma premissa típica de uma história em quadrinhos ou jogo de videogame: quatro jovens se conhecem em um acampamento de verão exatamente quando há uma invasão alienígena e são a única chance de evitar que o planeta seja devastado. É preciso relevar muitas situações improváveis, ignorar os fracos efeitos digitais, para considerar o longa minimamente aprazível. Mas lembre-se de tentar se colocar no lugar do público alvo, até porque seria impossível fazer o mesmo pelo grupo de garotos.

Dirigido por McG (de O Exterminador do Futuro: A Salvação, A Babá e A Babá: Rainha da Morte), a partir de um roteiro de Zack Stentz (X-Men: Primeira Classe, 2011), o longa tem o protagonismo de Alex (Jack Gore, de Vozes e Vultos, 2021), que tem se fechado cada vez mais em seu mundo particular desde o episódio em que perdera o pai em um incêndio. Para ajudá-lo a se socializar, sua mãe Grace (Annabeth Gish) o leva a um acampamento no sul da Califórnia intitulado “Rim of the World” (algo como “Borda do Mundo” e que deu título ao filme), e lá ele tenta se comunicar com a quieta chinesa ZhenZhen (Miya Cech), órfã que foi aos EUA com um objetivo particular (e até agora eu não entendi qual), mas sempre acaba trombando com o oposto, o rico e extremamente desagradável Dariush (Benjamin Flores Jr.,da trilogia Rua do Medo).

O último a fazer parte do grupo não estava realmente no acampamento. Trata-se de Gabriel (Alessio Scalzotto, de Manual de Caça a Monstros), um garoto que fugiu de um reformatório depois de um episódio de violência. Aliás, todos os quatro possuem alguma limitação e que aos poucos se tornam evidentes, com destaque para o medo de altura de Alex, mostrado na sequência em que precisa participar de uma brincadeira com outros jovens. É claro que essas dificuldades serão testadas em dados momentos, exatamente para que eles tenham a oportunidade de vencê-las. Assim que se reúnem, há o ataque alienígena, já com indicação pelo rádio e pela TV.

Devido ao ataque muito rápido, as pessoas desaparecem, obedecendo rapidamente as ordens de evacuação. Sim, é praticamente em um piscar de olhos o mundo vira a terra de Mad Max, praticamente sem corpos, veículos nas estradas ou pânico. Ao mesmo tempo em que são incomodados por um imenso alienígena e seu cachorro, a cápsula com uma astronauta chega ao mesmo local. Antes de ser atacada pela criatura que parece uma mistura do Goro, com o Nêmesis e o Venom, ela entrega uma chave aos jovens e pede que ela seja levada até o Laboratório Jet Propulsion da Nasa em Pasadena, bem distante dali. Cabem aos quatro se unirem nessa longa missão – a ideia inicial é levá-la até um adulto -, tendo que enfrentar essa criatura que os persegue o tempo todo, com uma capacidade de regeneração.

Obviamente que a jornada trará pequenos obstáculos como a passagem por uma cadeia, um grupo de assaltantes e os ataques constantes do monstro em várias situações. Diverte vê-los lutando pela vida, com ferimentos graves, sem despender lágrimas e nem pedir o colo da mãe; assim como as conversas sobre virgindade, sexo e aceitação, além do flerte entre dois personagens. Contudo, todas as situações realmente não convencem – e isso inclui a travessia por uma cidade abandonada (as rádios pediram para a população sair dos grandes centros, o que não explica o sumiço do pessoal do acampamento, já que tecnicamente não estão na cidade), com um deles aprendendo a andar de bicicleta no mesmo momento. Assim como não convencem os efeitos especiais, principalmente pela opção de mostrar as criaturas à luz do dia, permitindo que suas falhas técnicas fiquem evidentes.

Com uma cena que referencia o longa Jurassic Park, Fim do Mundo poderá decepcionar se você espera algo mais convincente e não seja capaz de ignorar as coincidências narrativas. Não traz a diversão esperada para quem cresceu com produções muito mais criativas que eram exibidas nos dias da semana à tarde, com um núcleo de personagens mais interessantes. Mas também não é o fim do mundo, valendo como opção fast food.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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