The Medium (2021)

4.8
(61)

The Medium
Original:Rang-Zong
Ano:2021•País:Tailândia, Coreia do Sul
Direção:Banjong Pisanthanakun
Roteiro:Hong-jin Na
Produção:Banjong Pisanthanakun, Na Hong-jin
Elenco:Narilya Gulmongkolpech, Sawanee Utoomma, Sirani Yankittikan, Boonsong Nakphoo, Yasaka Chaisorn

Muitos fãs de terror ficaram chocados quando em 2004 dores nas costas passaram a ter outro significado, dessa vez muito mais sinistro e isso se deu graças ao filme de estreia de Banjong Pisanthanakun Espíritos – A morte está ao seu lado. O final desse longa-metragem até hoje configura nas listas de “finais de filmes de terror mais chocantes” tamanho seu impacto, e se você já o viu sabe bem do que estou falando.

Em 2021 foi anunciado um novo projeto de Banjong retornando ao terror e obviamente muitos fãs saudosistas da obra citada acima, ficaram em euforia. Mas o diretor teria sucesso ao nos chocar mais uma vez ou cairia no ostracismo mostrando que havia tido apenas uma sorte de principiante com seu primeiro filme?

Eis que a espera acabou e somos apresentados a The Medium, uma obra muito mais madura, que abre mão de uma narrativa meramente familiar para abranger questões mais amplas como religiosidade, superstição e ancestralidade, conseguindo nos chocar de outras formas.

Aqui acompanhamos um falso documentário gravado em um pequeno vilarejo na Tailândia que tem a pretensão de acompanhar ritos religiosos. Somos apresentados a Nim (Sawanee Utoomma), uma curandeira/xamã que diz ser a escolhida da deusa Ba Yan para proteger o local e acompanhamos seu dia a dia na forma de entrevistas e gravações de sua rotina. Com o falecimento de seu cunhado conhecemos uma parte de sua família, incluindo Mink (Narilya Gulmongkolpech), sua sobrinha, que logo depois do falecimento do pai começa a apresentar comportamentos estranhos que vão se tornando cada vez mais incômodos e perigosos, dando indícios fortes de ser um caso de possessão.

Falar mais da trama seria um desrespeito, pois tudo que The Medium apresenta é calculado para ser uma experiência única. Seja ao mostrar a grandiosidade das cerimônias religiosas com tomadas pretensiosas de câmeras abertas, seja em zooms mais intimistas que se aproximam dos personagens captando pequenas nuances de reação.

Ao contrário do filme de seu filme de estreia, aqui o roteiro não nos choca com imagens gráficas e nem nos assusta com elementos de jumpscare. O terror é criado em doses homeopáticas.

No primeiro ato somos inseridos numa narrativa de verossimilhança, criando empatia com os personagens e, no processo, criando elementos para ter vários pontos de vista sobre o que virá a seguir.

No segundo ato, que é trazido o elemento do sobrenatural como hipótese, temos visões que se contrapõe aos fatos, seja no ceticismo de Mink, no abandono de seus pais ao legado xamânico, ao adotar a visão do cristianismo e na interpretação de Nim, que é voltada à religião adotada por ela. Nesse ponto o roteiro mostra sua sagacidade ao trazer todas essas visões como hipóteses plausíveis, ficando a escolha do telespectador qual delas adotar.

No último ato as incertezas são deixadas de lado abrindo espaço para um terror tão insano e caótico, que chega a ser absurdo. Há uma cena onde uma câmera de segurança grava a casa enquanto todos dormem para que eles entendam o que causa a desordem que eles encontram todas as manhãs. Ela é feita de forma tão realista e absurda, que chega a ser sufocante.

Em outro momento o choro inocente de um bebê é vocalizado de modo sinistro e diabólico lembrando muito uma cena do A Bruxa, de Robert Eggers, tanto na criação, quanto no incômodo gerado.

Você já deve ter ouvido a história do sapo que é colocado numa panela com água fria que está sobre o fogo e fica por ali nadando, até que é cozido vivo. Esse filme faz a mesma coisa, nos inserindo numa narrativa morosa e corriqueira, que começa aos poucos a dar sinais de estranheza e quando percebemos somos nós o sapo da analogia e estamos cozidos num caos absoluto causado pela trama.

Mas como nem tudo são elogios, tenho críticas a fazer. Em alguns momentos, principalmente do último ato, o argumento do documentário não se sustenta. Em pleno caos e desespero, é ilógico uma pessoa ficar gravando e muito menos não interferir minimamente no que está acontecendo.

Outra questão é a do tempo muito longo de mais de duas horas de filme, que poderia muito bem ser reduzido em pelo menos 20 minutos sem afetar a obra. Mas ressalto que mesmo tendo esses pontos baixos, aqui vemos uma obra incômoda, pesada e sombria que nos mostra mais uma vez que Banjong Pisanthanakun tem o dom de criar histórias que ficam na nossa memória, principalmente quando fechamos nossos olhos. Hoje, além de desconfiar dos motivos das minhas dores nas costas, também olharei para qualquer cerimônia religiosa com outros olhos, olhos esses mais atentos e amedrontados.

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Média da classificação 4.8 / 5. Número de votos: 61

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Diego Ferraz

Perdido na escuridão universitária vaga um escritor amante do obscuro, apaixonado pelo oculto e que possui um apetite voraz pelo terror. Sua biblioteca aterrorizante inspira sua vida e seus vídeos, que você pode acompanhar em seu canal Cripteca no Youtube.

8 thoughts on “The Medium (2021)

  • 27/04/2022 em 00:19
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    Acabei de assistir e vim correndo ler a crítica
    Acreditem ou não a luz acabou faltando uns 6 minutos pro fim #quemedo kk

    Resposta
  • 22/01/2022 em 22:51
    Permalink

    Um dos melhores filme de terror dos últimos anos.

    P mim só concorre com:

    -Anything for jackson
    -Hereditary
    -The Dark And the wicked

    Resposta
    • 09/02/2022 em 23:42
      Permalink

      The Dark And the wicked

      Um dos melhores filmes que já assisti junto com Hereditary e Dark Song.

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      • 28/04/2022 em 23:01
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        Pois acho q fica até como sugestão para o site, ao publicar a crítica indicar onde está disponível.

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        • 29/04/2022 em 16:17
          Permalink

          Esse tipo de informação fica datada bem rápido. The Medium, por exemplo, não estava disponível em lugar nenhum quando essa crítica foi publicada, e essa semana foi anunciado que estreará nos cinemas aqui. Sugiro usar o site JustWatch, que mostra em quais serviços de streaming filmes e séries estão disponíveis.

          Resposta
  • 18/01/2022 em 21:15
    Permalink

    Me deixou intrigada, falou sobre o filme sem dar spoilers, adorei

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