Two Witches (2021)

5
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Two Witches
Original:Two Witches
Ano:2021•País:EUA
Direção:Pierre Tsigaridis
Roteiro:Pierre Tsigaridis, Maxime Rancom, Kristina Klebe
Produção:Pierre Tsigaridis, Maxime Rancim
Elenco:Rebekah Kennedy, Kristina Klebe, Danielle Kennedy, Tim Fox, Dina Silva, Ian Michaels, Belle Adams

Já faz algum tempo que a figura da bruxa, tal qual fomos acostumados, vem sendo desconstruída em nossa sociedade. Passando por produções acadêmicas que resultaram numa nova literatura (sendo o livro O Calibã e a Bruxa um dos exemplos mais evidentes nesse sentido), e por filmes como A Bruxa (2015) e A Maldição da Bruxa (2017), só para citar alguns da última década, a figura mítica da “bruxa má” forjada por conservadores e capitalistas ao longo da história e reforçadas por  produções da Disney vem sendo mudada em favor de uma visão mais historicamente embasada e menos fantasiosa.

O longa de estreia do diretor Pierre Tsigaridis, Two Witches, no entanto, foge dessa tendência e retoma um olhar que já estamos quase perdendo acerca dessas figuras, aqui, mais mitológicas que reais. O filme, que foi um dos destaques no festival Fantaspoa deste ano, mostra a transmissão de uma herança “maligna” entre duas gerações de bruxas de uma mesma família, e suas terríveis consequências para aqueles que estão em seu caminho.

Narrado na forma de duas histórias (dois capítulos e um epílogo) que poderiam ser até independentes, o longa causa estranheza em um primeiro momento, mas tão logo nos acostumamos com a proposta técnica da produção, somos engolidos pela teia de inveja, cobiça, gula, luxúria e outros pecados capitais que marcam a história das duas bruxas que dão título ao filme.

Na primeira parte, uma velha lança um “mau olhado” sobre uma mulher grávida de seu primeiro filho. Esta passa a ser perseguida pela figura da velha e a ser vista como louca pelo marido e amigos, à medida que a maldição se aprofunda. A segunda parte emenda com as resoluções do primeiro ato e nos apresenta a neta da velha, uma jovem bruxa, já ciente de seus poderes e usando-os em seu favor sem medir as consequências.

Two Witches contém muitos excessos gráficos e não é nada sutil nas abordagens. As cenas mais aterrorizantes, no entanto, são aquelas sem esses exageros, e que focam na atmosfera de paranoia e medo vivenciada pelas principais vítimas de cada capítulo. As visões que as vítimas têm das bruxas são assustadoras, e os “delírios gore” que as atormentam nos momentos mais explícitos são de revirar o estômago.

Longe de meras praticantes de “magia natural”, as bruxas de Two Witches são monstruosas em carne e espírito, se alimentam de fetos humanos, e não perdem a oportunidade de se vingar daqueles que ficam no caminho de seus desejos. Elas são tão independentes quanto más, e não têm nenhum problema com isso.

Pierre Tsigaridis, que também cuidou do roteiro e da produção, acertou a mão tanto na trama quanto no desenvolvimento de algumas personagens. Masha, a bruxa mais nova interpretada pela atriz Rebekah Kennedy, está excelente no papel, assustadora mais em suas nuances “humanas” que quando deixa fluir sua personalidade bruxa e seus poderes sobrenaturais. Outro acerto (genial) é o desenvolvimento dos personagens secundários, que literalmente tomam o lugar dos que seriam os heróis e heroínas da história, protagonizando momentos decisivos e totalmente imprevisíveis em cena.

Two Witches é uma boa pedida para quem estava sentindo falta de uma bruxaria old school no cinema. Acho que o último filme com essa pegada que vi foi o excelente Arraste me para o Inferno (2009), com o qual Two Witches, apesar do tom mais sério, guarda muitas semelhanças.

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Pedro Emmanuel

Cearense, jornalista, quase geógrafo (ainda cursando), meio praieiro e ligeiramente antissocial. Minha viagem é aprender o máximo possível sobre a vida e sobre a morte, e assim ir assimilando alguns mistérios da existência. Vivo como se fosse um detetive, mas minha mente vagueia muito. Sou fã de Star Trek, Jefferson Airplane, e do Massacre da Serra Elétrica original.

2 thoughts on “Two Witches (2021)

  • 28/05/2022 em 20:13
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    O sorriso da Masha, nos momentos em que ela se comportava como “uma pessoa normal”, era assustador, muito mais que qualquer expressão de quando não fingia.

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