The Walking Dead: World Beyond – 1ª e 2ª Temporadas (2020-2021)

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The Walking Dead: World Beyond
Original:The Walking Dead: World Beyond
Ano:2020/2021•País:EUA
Direção:Loren Yaconelli, Magnus Martens, Michael Cudlitz, Heather Cappiello, Lily Mariye, Aisha Tyler, Sydney Freeland, Rachel Leiterman, Dan Liu, Sharat Raju
Roteiro:Scott M. Gimple, Matthew Negrete, Rohit Kumar, Dana Farahani, Siavash Farahani, Elizabeth Padden, Maya Goldsmith, Ben Sokolowski, Sinead Daly, Eddie Guzelian, Carson Moore, Erin Martin, Rayna McClendon, Sam Reynolds
Produção:Amy Barnes, Sinead Daly, Jonathan Starch, Loucas George, Rayna McClendon
Elenco:Aliyah Royale, Alexa Mansour, Hal Cumpston, Nicolas Cantu, Nico Tortorella, Annet Mahendru, Julia Ormond, Joe Holt, Ted Sutherland, Natalie Gold, Jelani Alladin, Maximilian Osinski, Anna Khaja, Pollyanna McIntosh

Provavelmente Robert Kirkman não imaginava que sua graphic novel The Walking Dead iria tão longe. Imaginar filmes e até uma série de TV seria possível, desde que houvesse respeito pelo material original, mas o universo se expandiu para subprodutos como webséries, livros e spinoffs, começando por Fear the Walking Dead, exatamente quando a original já começava a apresentar desgaste. Fear teve um começo conturbado, sem um rumo certo, alternando os caminhos a cada nova temporada até que achou um norte com a mudança de elenco – basicamente matou quase todos os integrantes da primeira temporada – e estabeleceu um diálogo acertado com The Walking Dead. Sua resistência já garantiu até o momento uma oitava temporada, enquanto a original já anunciava seus últimos suspiros.

Atirando para todos os lados, os realizadores, com destaque para Scott M. Gimple, acharam que seria o momento de atrair um novo público, um que fosse mais jovem e pudesse se envolver com namoricos adolescentes durante uma epidemia zumbi. The Walking Dead: World Beyond veio com essa proposta, apresentando uma geração que já nasceu no mundo dos errantes (ou dos “vazios“, como eles chamam), dez anos após o início da doença. Ambientada inicialmente na Colônia Campus, em Omaha, a série traz o protagonismo das irmãs Hope (Alexa Mansour) e Iris Bennett (Aliyah Royale), que vivem nessa comunidade sem conhecer o mundo lá fora, estudando métodos de combate aos mortos, e convivendo com a dor de saber que o pai Leopold fora levado pela República Cívica para atuar como cientista na busca pela cura.

Depois que recebem um pedido de socorro do pai através das mensagens secretas, as irmãs resolvem ir ao encontro dele, mesmo a contragosto de Felix (Nico Tortorella), que assumiu a responsabilidade de cuidar das duas. As irmãs saem da comunidade com o apoio de outros dois adolescentes, Elton Ortiz (Nicolas Cantu), que acredita que a mãe ainda está viva mas não imagina a coincidência que o destino revela, e Silas Plaskett (Hal Cumpston), que testemunhou um episódio familiar que culminou com uma ação violenta. No encalço do grupo vão Felix e a amiga soldado Huck (Annet Mahendru), outra que esconde um envolvimento secreto com a CRM, para onde, em dado episódio de The Walking Dead, Rick Grimes teria sido levado de helicóptero.

A primeira temporada consiste na jornada do grupo para reencontrar o pai, com o auxílio do mapa codificado da tenente-coronel Elizabeth Kublek (Julia Ormond). Sem experiência em matar os zumbis, aos poucos eles vão tendo que se virar, enquanto o passado continuará indo atrás deles. A temporada reserva alguns bons momentos de confronto com zumbis, como os que são escondidos por uma intensa neblina, ao passo que traz mais algumas revelações sobre acontecimentos traumáticos dos jovens, e o encontro com o dúbio Percy (Ted Sutherland). Os momentos de raiva de Silas também terão importância, assim como a traição de Huck, disposta a impedir o percurso dos garotos. E uma das descobertas importantes da temporada é o conhecimento de que Omaha foi completamente destruída pelos laboratórios da CRM, com a morte de todos os moradores da Colônia Campus.

A segunda temporada de World Beyond veio com a intenção de mostrar mais detalhadamente os complexos da CRM. É mostrado que o instituto cometeu genocídio com o propósito de usar os mortos para pesquisas para encontrar a cura. A Dra. Lyla Bellshaw (Natalie Gold) precisaria desses sacrifícios para entender o desenvolvimento da doença, com o apoio de uma equipe de cientistas, como Leo, que não sabe o que está por trás. As irmãs ora se dividem, ora se reencontram na própria instalação, enquanto a comunidade de Indira (Anna Khaja) é apresentada, assim como outros personagens, como Asha (Madelyn Kientz) e seu irmão Mason (Will Meyers). Huck, que depois se revela com o nome verdadeiro de Jennifer e é filha da tenente-coronel Kublek, deixa uma incógnita sobre suas ações durante toda a série, sem que o público saiba quem ela está ajudando.

Quanto a uma possível conexão com os núcleos originais de The Walking Dead, a série traz de volta a personagem Anne (Pollyanna McIntosh), que vivia em um lixão e teria ajudado Rick a sobreviver à explosão da ponte e o levado até a CRM como uma entrega importante. Ela se revela a vilã da temporada, ainda pior do que Kublek, decidindo quem irá viver ou morrer e fazendo julgamentos sobre comportamentos e destinos. Sua presença incômoda não traz notícias sobre o herói desaparecido, e apenas prepara o terreno para os filmes que envolverão o personagem e provavelmente outros que apareceram nesta série. A guerra entre os soldados e os rebeldes é o que atrai a atenção na temporada, sem que desperte uma grande empolgação.

Apesar dos esforços, era evidente que World Beyond não iria tão longe. Enquanto seus realizadores diziam que era o plano desde o princípio a produção de duas temporadas, o público sabe que o elevar da audiência poderia lhe dar uma sobrevida, tanto que a série deixou algumas pontas soltas para uma continuidade, e estas terão que ser amarradas pelos filmes que serão feitos. Tentaram mudar as características de seus personagens (Silas deixou de ser violento; Hope afastou seu comportamento mal humorado), despertaram interesses amorosos e novos conflitos, além de uma ideia para uma possível cura. Nada foi o suficiente para que a geração dos jovens que nasceram na pandemia zumbi pudesse despertar a atenção dos fãs de The Walking Dead.

Pode ser que a série ganhe força com os filmes ou com o fim de The Walking Dead, pois muitos irão querer conhecer a gênese dos personagens envolvidos (se é que iremos vê-los novamente). Assim, World Beyond se encerra sem um grande fim, mas como também não houve um grande começo, fica a sensação de que acompanhamos um produto bobo, desnecessário e vazio.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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