3.6
(10)

Morte Morte Morte
Original:Bodies Bodies Bodies
Ano:2022•País:EUA
Direção:Halina Reijn
Roteiro:Kristen Roupenian, Sarah DeLappe
Produção:Amandla Stenberg, Jacob Jaffke, David Hinosoza, Sebastian Bear-McClard, Dani Bernfeld, Sarah DeLappe, Christine D’Souza Gelb, Ali Herting
Elenco:Amandla Stenberg, Maria Bakalova, Myha’la Herrold, Rachel Sennott, Chase Sui Wonders, Lee Pace, Pete Davidson, Conner O’Malley

De acordo com o Dicionário Oxford, safe space (espaço seguro, na tradução literal) é “um local ou ambiente no qual uma pessoa ou categoria de pessoas pode se sentir reassegurado de que não será exposto à discriminação, crítica, assédio ou algum outro dano físico ou emocional”. Tal conceito, tão importante no contexto de segmentos que frequentemente sofrem com marginalização e até mesmo hostilização, como a comunidade LGBTQIA+ e a população que convive com doenças psíquicas (como a depressão ou a esquizofrenia), acaba sendo banalizado no mundo das tecnologias e redes sociais, em que todos se julgam como portadores de dezenas de patologias, exigindo, portanto, atenção e tratamento diferenciados. Tal crítica social, estampada no slogan “this is not a safe space” é o que define o tom de Bodies Bodies Bodies (porcamente adaptado como Morte Morte Morte), a mais nova comedy horror da queridinha A24, responsável por Hereditário e pelo fenômeno X.

Dirigido pela holandesa Haline Reijn, o longa apresenta um grupo de amigos que se reúne para festejar durante a chegada de um furacão. Durante a hurricane party, eis que surge a proposta de jogar um jogo chamado Bodies Bodies Bodies, uma espécie de brincadeira de Detetive com toques de Pique-Esconde. Porém, quando uma brincadeira envolvendo um membro da equipe dá terrivelmente errado, os colegas percebem que podem estar diante de um verdadeiro assassino.

O longa se destaca, inicialmente, pelo humor ácido. Aparentando ser apenas mais um slasher entre adolescentes ricos, a produção se diferencia pela sátira à chamada Geração Z: temas como vício em drogas ou relacionamentos abusivos são abordados de forma breve, pois, aparentemente, os personagens se preocupam mais em como administrar um podcast, uso de cromoterapia ou, ainda, como usar uma espada Ghurka para abrir uma garrafa de champanhe (em uma das melhores cenas de todo o filme).

Enquanto que o primeiro ato se concentra em apresentar os personagens, no segundo ato a desconfiança crescente desencadeia uma série de ressentimentos reprimidos, gerando diálogos que são o ponto alto do filme. Frases como “a lua dele é em Libra”, “eu me autodiagnostiquei com dismorfia corporal” e uma confusão sobre o uso da palavra vet (que pode significar tanto “veterano” quanto “veterinário”, em inglês), são o puro suco da geração moldada pelo Twitter. Destaque para a atuação de Rachel Sennott, sensacional como a influencer Alice, que nos brinda inclusive com uma aula sobre o uso de cromoterapia na depressão sazonal.

O filme peca um pouco pelo pobre desenvolvimento de alguns personagens, o que faz o espectador se importar menos com eles. As cenas de morte também não são nenhum primor (isso quando são mostradas), o que pode incomodar um pouco o fã de horror mais purista. O estilo mais escrachado do comedy horror pode não agradar a todos, mas encontra em Bodies Bodies Bodies um exemplar muito competente, com um humor deliciosamente ácido e muito atual. Para quem procura uma produção leve e divertida, a obra de Halina Reijn é uma boa pedida.

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Média da classificação 3.6 / 5. Número de votos: 10

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5 Comentários

  1. Maravilhoso. Bem dirigido. Elenco e roteiro afiadissimos e um plot twist que define uma geração. so pra mostrar que possível fazer um bom suspense/terror em cima dos elementos definidores do gênero e ainda ser crítico (ou pelo menos, não alienado) sem ser piegas.

  2. Gostei bastante do filme, confesso que não esperava aquele final, mas gostei tbm como o filme terminou. Quando assisti pela primeira vez achei chato, então resolvi dar uma segunda chance e, não me arrependo… esse filme é tipo um among us kkjk

  3. filme decepcionante. boa intenção, mas direção mediocre. falta emoção. muita critica e pouco filme.

  4. Sensacional! Obrigatório assistir. Tem tudo para se tornar cult de uma nova safra de filmes que abordam o terror em tempos em que o maior terror é ficar sem o wi-fi.

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