Vênus (2022)

4.1
(14)

Vênus
Original:Vênus
Ano:2022•País:Espanha
Direção:Jaume Balagueró
Roteiro:Jaume Balagueró, Fernando Navarro
Produção:Carolina Bang, Álex de la Iglesia
Elenco:Ester Expósito, Inés Fernández, Ángela Cremonte, Magüi Mira, Aten Soria, María José Sarrate, Sofía Reyes, Federico Aguado, Francisco Boira, Fernando Valdivielso, Alejandra Meco

Jaume Balagueró finaliza sua própria “trilogia de apartamento” com a realização do horror-medley Vênus, desenvolvido a partir de um roteiro seu com Fernando Navarro, de Verônica: Jogo Sobrenatural, dirigido por Paco Plaza. Ele havia associado o experimental found footage com splatter quando fez o genial [Rec], que trazia infectados aterrorizando os andares de um prédio, para depois despontar arrepios no espectador com o thriller claustrofóbico Enquanto Você Dorme (Mientras Duermes, 2011). Em 2014, retornaria à temática com a direção do curta Inquilinos, apenas um ensaio para seu filme de 2022, que coloca no mesmo edifício elementos que o tornaram reconhecido dentre os fãs de horror.

Realizado durante a pandemia, Vênus tem mais um atrativo para incitar o seu interesse: Álex de la Iglesia. O genial cineasta dos fantásticos O Dia da Besta (El Día de la Bestia, 1995) e A Comunidade (La Comunidad, 2000) continua alimentando a Sétima Arte com produções interessantes (As Bruxas de Zugarramurdi e O Bar) e curiosas (Encurralados em Veneza) e está por trás da elogiada série 30 Monedas. Talvez seu interesse pelo longa de Balagueró esteja exatamente nessa mescla de estilos, que envolvem thriller de perseguição, bruxaria e uma boa pitada do horror cósmico de H.P. Lovecraft – há referências livres ao conto “Sonhos na Casa da Bruxa“, entre outras.

Vênus faz parte do selo “The Fear Collection“, uma parceria da Sony Pictures International Productions, a Pokeepsie Films, além da plataforma Amazon Prime Video. O idealizador do projeto é justamente la Iglesia, que entrou em contato com Balagueró, convidando-o a realizar uma série de filmes de horror com verba já determinada, trazendo o universo cósmico para os dias atuais. Como ele disse no anúncio em Sitges, já antecipando o filme de Balagueró: “The Fear Collection é um sonho tornado realidade, e algo que sempre esteve nas nossas mentes – ter uma equipe de produção que nos permitisse fazer filmes sem as dificuldades inerentes a cada projeto que começa muitas vezes do zero. O nosso objetivo é fazer muitos filmes. Podemos dizer que Vênus preenche todas as linhas desta marca“.

As linhas que preenchem a marca trazem a dançarina de boate Lucía (Ester Expósito), disposta a deixar essa vida de exploração de corpos e tráfico de entorpecentes levando consigo uma mala cheia de drogas caras, não sem antes um embate violento com um dos capangas de seu ex-chefe. Ferida e consciente que não pode retornar para a própria morada, ela busca abrigo com a irmã Rocío (Ángela Cremonte) e sua sobrinha Alba (Inés Fernández), no Edificio Venus, localizado nos subúrbios de Madri. Além do conflito familiar, uma vez que as duas não se falam faz bastante tempo, Lucía descobre com o sumiço da irmã que o prédio é assombrado por forças sobrenaturais, um buraco sobre o teto que causa pesadelos em Alba, e moradores idosas com seus costumes singulares e que se intensificam com a chegada de um eclipse lunar.

A possibilidade de uma nova fuga se torna improvável com a aproximação dos bandidos em busca da droga. Presa a um inferno claustrofóbico, Lucía irá se banhar de sangue nos confrontos para proteger a si mesma e a sobrinha. Como Balagueró conhece o ambiente, ele se mostra bastante à vontade para trabalhar com violência e misticismo, usar elementos de humor ácido e apresentar sua anti-heroína, na pele da ótima Expósito, que atua como uma nova Angela Vidal (Manuela Velasco), da franquia [Rec].

Demora um pouco para lidar com o estranho mundo de Lovecraft, embora deixe o espectador atento pelos incômodos que acompanharão a protagonista, sem as exageradas explicações que desconstroem o gênero. Quando a proposta se apresenta, o infernauta é imerso em um banho de sangue de vermelho intenso, e o horror sobrenatural envolve a trama.

Não é o Balagueró dos bons tempos, nem muito menos traz a assinatura de la Iglesia, mas é uma investida interessante em um enredo de boas possibilidades.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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