Megatubarão 2 (2023)

4.2
(19)

Megatubarão 2
Original:Meg 2: The Trench
Ano:2023•País:EUA, China
Direção:Ben Wheatley
Roteiro:Jon Hoeber, Erich Hoeber, Erich Hoeber, Steve Alten
Produção:Steve Alten, Steve Alten
Elenco:Jason Statham, Jing Wu, Shuya Sophia Cai, Cliff Curtis, Page Kennedy, Sergio Peris-Mencheta, Skyler Samuels, Melissanthi Mahut, Whoopie Van Raam, Kiran Sonia Sawar, Felix Mayr, Sienna Guillory, Tao Guo, Robin Hill, Stewart Alexander

“Isso parece desagradavelmente familiar”
“Só espero que seja melhor do que da última vez”.

The Trench é apenas o segundo livro da saga Meg, de Steve Alten. Sua obra original, de 1997, inspirou o primeiro filme, Megatubarão, lançado em 2018, dirigido por Jon Turteltaub, e que foi bem nas bilheterias, arrecadando mais de US$500 milhões de dólares nos lançamentos pelo mundo para um orçamento estimado em US$150, o que já serviu para que o monstro pré-histórico voltasse às telas grandes, dividindo a atenção com O Demônio dos Mares. Com a criatura, também retornou o astro dos filmes de ação e da franquia Velozes e Furiosos, Jason Statham, além de alguns personagens que sobreviveram no original.

E é exatamente essa a impressão deixada pela franquia Megatubarão, ainda mais neste segundo filme: Velozes e Furiosos com Tubarões. Não basta apenas o combate com explosivos em ambientes submersos, mas perseguição pelos mares com jet-ski, chute na fuça de um megalodonte e personagens que saltam de helicópteros e fogem de ameaças também humanas, envolvendo soldados fortemente armados com metralhadoras. Statham está em seu território de adrenalina e heroísmo improvável, dividindo a atenção em menor escala com aqueles que arriscam a vida para salvar a Ilha da Diversão de um ataque brutal.

A continuação se passa cinco anos após os eventos do primeiro filme, já colocando Jonas Taylor (Statham) em ação contra terroristas ambientais em uma embarcação, sendo salvo de helicóptero pelo amigo Mac (Cliff Curtis). Em evento de anúncio da Mana One sobre exploração de um mundo submerso descoberto no primeiro filme, ficamos sabendo que o affair do herói, Suyin Zhang, faleceu e que ele é responsável por cuidar de Meiying (Shuya Sophia Cai), agora adolescente, com o apoio do irmão de Suyin, Jiuming Zhang (Jing Wu), que assumiu a presidência da empresa com o financiamento da rica Hillary Driscoll (Sienna Guillory). Além de investir na jornada através da trincheira que permitiu a passagem dos monstros do primeiro filme, Mana One também está tentando adestrar um megalodonte fêmea, Haiqi, capturado desde filhote, a partir de um recurso tecnológico desenvolvido por Jiuming – remetendo em menor escala à franquia Do Fundo do Mar, principalmente o segundo filme.

Observados por Mac e o sobrevivente DJ (Page Kennedy), a descida ao local inexplorado, em submersíveis pilotados por Jonas e Jiuming, traz problemas quando os veículos são atacados pela fugitiva Haiqi e outros tubarões gigantes. Presos a mais de 25 mil pés de profundidade, eles utilizam os exoesqueletos criados por Jiuming para tentar chegar a uma estação submersa que não sabiam que estava lá, comandada por mineradores ilegais como um velho conhecido de Jonas, Montes (Sergio Peris-Mencheta), além do apoio de traidores da própria Mana One. Os criminosos explodem a passagem de acesso, permitindo que mais criaturas possam atravessá-la, objetivando recolhimento de pedras consideradas valiosas, e também facilitando os acontecimentos da segunda metade e futuras continuações.

Além dos megalodontes e bandidos, os heróis precisam lidar também com lagartos marítimos conhecidos como Snappers e um polvo gigante, sem contar o cuidado com a pequena Meiying, que está a bordo do veículo de Jonas, herdando a natureza exploratória da mãe. Assim, a primeira metade do filme se passa no mar, com a travessia dos sobreviventes por 4 quilômetros para alcançar a base inimiga antes que o oxigênio acabe. É a parte que considero mais interessante, com a exploração das profundezas do oceano, criaturas desconhecidas e uma corrida contra o tempo, lembrando os saudosos episódios da série Viagem ao Fundo do Mar. É claro que é preciso contar com a paciência do espectador para deixar de lado a ciência e qualquer lógica para acreditar que tudo aquilo é possível, incluindo a travessia em exoesqueletos lentos em menos de quarenta minutos, entre outros exageros.

Já a segunda parte envolve o que boa parte do público espera: os monstros pré-históricos emergem e ameaçam um resort, tendo que todos agirem contra os lagartos, polvo, tubarões e os inimigos humanos, criando bombas caseiras em menos de um minuto, contando com a sorte na maioria das vezes, sem nunca perder o bom humor. Aliás, o trailer dessa continuação passa uma ideia de que se trata de uma comédia de ação, diferente do primeiro filme, com algumas sequências de humor entre combates e explosões. Felizmente, Megatubarão 2 seguiu a linha do primeiro, ainda que tenha situações engraçadas, como o retorno do casal que estava casando no original e agora está tentando entrar de férias, além do cãozinho Pippin.

Se Jason Statham se mostra à vontade em mais um filme de ação, por outro lado o território é novo para o cineasta Ben Wheatley. Ele é o mesmo que comandou produções mais cadenciadas e polêmicas, como Kill List, A Field in England, Maldição da Floresta e o remake Rebecca – A Mulher Inesquecível. Em Megatubarão 2, ele faz o trivial dentro do gênero para o qual foi contratado, sem qualquer profundidade e ousadia, quase como um “estranho no ninho” de sua filmografia. É funcional, mas traz um olhar de estranhamento ao vê-lo lidar com orçamentos maiores que os tubarões e efeitos especiais impressionantes.

São essas as principais qualidades dessa continuação. Efeitos impressionantes, a cargo de seis produtoras incluindo a Warner Bros., já permitem uma viagem ao período cretáceo na cena de abertura, como visto no trailer, para identificação do maior predador pré-histórico. Mesmo com tantos absurdos, é exatamente o que o público espera de sua proposta, isto é, um Jurassic World com animais marinhos, heróis de ocasião, velozes e furiosos contra qualquer ameaça à natureza.

Com gastos de quase US$130 milhões de dólares, Megatubarão 2 já conquistou mais de US$260 nas bilheterias pelo mundo. Um sucesso que deve incentivar adaptações dos demais livros de Steve Alten – são sete até o momento, mas um oitavo já está engatilhado para 2024 -, mesmo que possa não contar com Jason Statham em novas aventuras. Com tubarões gigantes e outros monstros pré-históricos, o Cinema já pode contar com um substituto para os dinossauros de Steven Spielberg.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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