4.1
(9)

Baghead - A Bruxa dos Mortos
Original:Baghead
Ano:2023•País:UK
Direção:Alberto Corredor
Roteiro:Lorcan Reilly, Bryce McGuire, Christina Pamies
Produção:Andrew Rona, Alex Heineman
Elenco:Freya Allan, Jeremy Irvine, Ruby Barker, Peter Mullan, Anne Müller, Svenja Jung, Ned Dennehy, Julika Jenkins, Saffron Burrows

Uma jovem sem emprego e sem dinheiro recebe a notícia que seu pai morreu e que ela herdou um bar antigo. Chegando ao lugar, ela descobre que o tal bar vem com algo a mais, uma “inquilina” no porão, uma criatura que pode “encarnar” os mortos. Logo, Iris (Freya Allan) descobre que seu falecido pai (Peter Mullan) cobrava para que pessoas tivessem acesso às habilidades da criatura e decide fazer o mesmo para ganhar dinheiro. Mas, as coisas não são tão simples quanto ela imaginou e uma sequência de fatos estranhos e sobrenaturais começam a acontecer no local.

A ideia original de A Bruxa dos Mortos (Baghead, no original) é bastante interessante e criativa, com um potencial de uma bela mistura de história de assombração com criatura maligna, com elementos que geram interesse e uma promessa de pavor. Este filme é uma versão do curta de mesmo nome, de 2017, que ganhou o prêmio de Seleção do Público para Melhor Curta Internacional do Nevermore Film Festival em 2019.

E o filme começa bem, com uma boa construção de clima e situação, apresentando os personagens e a história bem rápido, sem perder muito tempo. O espectador já recebe logo momentos que ditam (ou deveriam ditar) como vai ser a história e seu clima, quais são as regras dos acontecimentos e que a tal criatura é uma maldição que recai sobre a pessoa que recebe o bar.

O elenco é ótimo, tanto de personagens como de atuações, como Katie (Ruby Barker), a amiga de Iris e, aparentemente, a única pessoa do filme com bom-senso e que se revolta diante de todas as ideias imbecis que surgem na trama. O primeiro cliente da bruxa, Neil (Jeremy Irvine), que acaba tendo um papel maior nos eventos, e um certo destaque para Ned Dennehy e Anne Müller (que interpreta a própria bruxa) com participações bastante assustadoras. Com a exceção de alguns poucos momentos, o elenco entrega atuações boas e convincentes, com algum carisma (infelizmente, exceto no caso da protagonista).

A condução geral e a parte técnica são de boa qualidade e competente na maioria do filme e gera excelentes momentos, que alternam prender a atenção e causar sustos verdadeiros, até mesmo com boas utilizações de sustos (os temíveis jump-scares) de forma bem adequada. Mas aí é que está o maior defeito da produção: há bons momentos… que são alternados com momentos e elementos que destoam e levam o espectador para um lugar diferente da cena anterior. É como se em determinadas partes, o diretor não tenha se decidido direito o que quer causar no público.

Num momento, temos uma criação de clima, uma tensão que vai crescendo de forma elegante, para levar a gente para um filme de casa assombrada, pra dar aquele frio na espinha… para na sequência seguinte termos, inexplicavelmente, um ritmo que beira o de um filme de ação, com terror meio jogado na cara, correria e sustos rasos. A trama também parece ter o mesmo problema, com partes que parecem terem sido enfiadas para dar o tempo de filme. Talvez tenha sido o caso ao “aumentar” a história do curta para um longa-metragem.

Um desses problemas é quando é mostrado mais sobre a história da bruxa, de uma forma que, dentro da trama, não traz nada, não leva a nada e não serve pra nada, e a sequência toda  é “resolvida” (por assim dizer) com um fecho que não faz sentido algum e até mesmo contraria as regras da criatura apresentadas anteriormente. Os efeitos especiais oscilam entre bons e péssimos (e desnecessários em certos momentos). Parece que alguém mostrou um efeito que achou legal, e o diretor falou “beleza, vamos usar”, mesmo não estando dentro do estilo do restante dos efeitos usados (difícil entender por que a bruxa faz barulho de inseto em algumas cenas…).

A Bruxa dos Mortos (um título que meio que entrega a trama) diverte em partes, tem bons sustos e tem uma trama realmente interessante, mas é meio perdida do meio pra frente e um tanto desperdiçada no final, e perde algum tempo explicando coisas que confundem a compreensão e a experiência do espectador. Não é absolutamente ruim, mas tem momentos que a gente se pergunta por que estão lá. Acaba sendo uma produção que começa cativando e gerando uma baita expectativa, mas que se esvai e termina deixando uma sensação de “Ei, mas acabou assim?”.

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2 Comentários

  1. A ideia parece boa, acho que vou dar uma chance, mesmo com só duas caveiras.

  2. Achei muito bom, ainda mais comparando com algumas bagaceiras que andei assistindo. Pra mim, merecia umas ☠️☠️☠️ pelo menos.

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