Abigail (2024)

4.7
(12)

Abigail
Original:Abigail
Ano:2024•País:EUA
Direção:Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillet
Roteiro:Stephens Shields, Guy Busick
Produção:William Sherak, James Vanderbilt, Paul Neinstein, Tripp Vinson, Chade Villella
Elenco:Melissa Barrera, Dan Stevens, Kathryn Newton, Will Catlett, Kevin Durand, Angus Cloud, Alisha Weir, Giancarlo Esposito

Seis pessoas sequestram uma garota de 12 anos ao sair de um treino de balé e a levam para uma casa isolada. Tudo faz parte de um “trabalho” para pedir resgate ao seu pai milionário, mas o grupo descobre que estão presos na estranha mansão e a coisa fica realmente estranha quando a criança se revela sendo a coisa mais mortal e perigosa ali, começando a caçar e matar seus captores.

Esta comédia com elementos de terror (ou terror com momentos de humor) inicialmente era pra ser uma refilmagem de A Filha de Drácula (Dracula’s Daughter, 1936, direção de Lambert Hillyer), ambientado nos dias de hoje, mas o projeto foi evoluindo e tomando outros caminhos, tornando-se um outro filme, levemente inspirado pelo clássico antigo. Mantendo apenas um vago aceno à ideia original (a filha de um vampiro), os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet, também responsáveis por Pânico (2022) e Pânico VI (2023), trouxeram uma nova e tremendamente divertida história que brinca com vários clichés e temas do terror, em especial com os filmes de vampiros.

A trama não é exatamente muito complexa ou complicada, sendo exatamente o que trailer mostra, sem mais nem menos. O grupo de criminosos foi reunido pra cometer um simples sequestro seguido de um pedido de resgate – tudo bem organizado para eles terminarem cada um com sete milhões no bolso. Seguem-se algumas coisas que já vimos em outros filmes semelhantes de crime: eles não se conhecem, usam nomes falsos, são aparentemente muito bons em suas atribuições e… bom, eles não são exatamente pessoas totalmente legais. Tudo se segue nesse padrão, até a hora que… acontece uma morte entre eles. Daí em diante, o filme toma seu verdadeiro rumo, entrando na linha de “monstro assassino que sai perseguindo pessoas que estão presas num lugar macabro”, o que ele faz muito bem. Tanto o filme quanto o monstro.

Seria de se esperar que uma história tão simples não seguraria a atenção da audiência por toda sua duração (apenas 109 minutos), mas o roteiro e os diretores souberam habilmente utilizar de vários elementos à sua disposição para preencher o tempo. O espectador vai conhecendo os personagens e suas histórias (ainda que seja dito explicitamente que não é para eles falarem de suas vidas uns para os outros) e mesmo quando vemos que alguns são pessoas horríveis, criamos uma certa simpatia por eles (ou, pelo menos, queremos ver como eles vão morrer). E durante o filme, ainda temos mais algumas revelações do que está realmente acontecendo, nada realmente inusitado e nem uma grande reviravolta, mas ainda assim, muito divertido e bem executado.

Muito pouca coisa em Abigail é realmente surpreendente ou revelador ou uma virada genial de roteiro, quase toda a história é facilmente “sacada”, mas isso não diminui a experiência do filme. Aliás, é exatamente o contrário, porque parece que os diretores (e roteiristas) fizeram de propósito, para recompensar a audiência, e com um foco maior na ação e no humor, com terror e suspense ocasionais, em boas doses e temperado com gore e sangue, muito sangue.

Como a história é simples e relativamente curta, outra boa aposta da direção é nos personagens. Embora tenhamos uma protagonista evidente com Joey (Melissa Barrera), os outros criminosos também são personagens completos, interessantes e com bons momentos. Sabemos que estão todos ali para morrer, mas conseguimos nos importar com eles, gostar deles (mais ou menos) e queremos ver mais deles. Ótimos exemplos são o “líder” autodeterminado do grupo, Frank (Dan Stevens), e o capanga grandão e burro Peter (Kevin Durand), que tem ótimas cenas e falas engraçadas naturalmente.

Último filme de Angus Cloud, falecido em 2023

A direção liberou os atores para criarem características para seus personagens, e as incorporaram na história, o que os deixou ainda mais críveis e interessantes. A própria menina-vampiro Abigail (Alisha Weir) é um exemplo perfeito disso. A atriz (que é bailarina na vida real) sugeriu que ela colocasse elementos de balé nos ataques e em cenas, o que foi prontamente aceito e se tornou uma peça de divulgação do filme (até mesmo figurando no cartaz).

Uma escolha digna de nota vai para os efeitos especiais, que não são os mais avançados do planeta, mas funcionam perfeitamente. Há uma preferência para efeitos práticos e maquiagem, ao invés de se mostrar vampiros mais exagerados e complexos com computação gráfica. Seria muito fácil modificar o rosto dos atores com retoques em CGI, mas optou-se por maquiagem física, para, ao mesmo tempo, termos um vampiro mais real e estranho no contraste da criança bailarina com dentes monstruosos.

Abigail é simples, direto e eficaz. Exatamente aquele filme que você procura quando quer ver alguma coisa de terror, mas divertida, que tem “uns medinhos”, mas que você dá muita risada, torce para o monstro em alguns momentos e para os protagonistas em outros, num passeio de montanha-russa, um de onde você sai feliz e satisfeito, por estar acompanhando uma matança com mais sangue do que se poderia imaginar. Mas, é isso, é um filme de sangue-falso feito para divertir e dar risada.

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Rogerio Saladino

Rogerio Saladino é escritor, jornalista, editor, tradutor e autor, atuando nas áreas de quadrinhos, literatura, RPG e cultura pop. Um entusiasta do terror em todas suas formas e, inexplicavelmente, adora a série Puppetmaster, mesmo consciente da sua qualidade duvidosa.

2 thoughts on “Abigail (2024)

  • 25/04/2024 em 18:46
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    Assisti na estreia e não me arrependi, um filme mto eficaz na sua execução e proposta, excelente no geral dentro deste gênero terror/humor , ótima critica como sempre, abraço !!!

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  • 24/04/2024 em 11:50
    Permalink

    Excelente filme ! Fui assistir ontem de maneira pretensiosa e me diverti muito ! A Abigail é uma gatinha, mesmo com os dentinhos protuberantes. A trilha sonora é de excelente bom gosto. Vai de Tchaickovsky a Danzig. Ou seja, o manjar dos deuses. Recomendo a todos, principalmente nestes tempos onde aparecem abacaxis como A Primeira Profecia (argh !). Assistam !

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