Cáustico (2023)

5
(5)

Cáustico
Original:Cáustico
Ano:2023•País:Brasil
Direção:Wesley Gondim
Roteiro:Wesley Gondim
Produção:Wesley Gondim, Daniel Bandeira
Elenco: Ana Luiza Rios, Sérgio Sartório, Bianca Terraza, Wellington Abreu

Dentre as produções que fizeram parte do 4º Festival de Cinema Fantástico de Jacareí, o Monstro 2024, há este interessante exemplar de Wesley Gondim, de Brasília/DF. Também selecionado para o Sinistro Film Festival, de Fortaleza/CE, o curta-metragem traz basicamente duas personagens em uma área rural com um segredo sombrio e aterrorizante, já evidenciado em pequenas pistas como um porta-retrato, sussurros, rãs e um ritual numa banheira.

Dalva (Ana Luíza Rios) é apresentada como uma cadeirante, com uma pustulenta ferida em seu joelho, acompanhada em sua rotina pela filha Chris (Bianca Terraza) em um ambiente rural sonolento. Após o banho do lado externo, ela está andando normalmente, cuidando dos afazeres domésticos. “Acho que ontem a gente recebeu a visita dela“, a mãe diz, descrevendo-a como bonita, com olhos negros, e que pode ser responsável pela morte dos animais. Logo, ela novamente passa a não sentir as pernas e sugere que “precisem de mais“, sem até então explicar os ingredientes que a ajudam na sua cura temporária. A chegada de um comprador, Heitor (Sérgio Sartório), seduzido pela jovem, apresenta mais dois elementos que completam a fórmula: um óleo que o contato traz paralisia e o que justifica o título da produção.

Imagens do passado mostram o que teria acontecido com o pai da garota, interpretado por Wellington Abreu, dialogando com os efeitos propostos no sujeito que apareceu na moradia. A sequência final e sangrenta e envolta em angústia, com o gemido da vítima sendo justificado pela sua condição. A morte parece vir lenta e fria, como as duas personagens, sem sinais de degradação psicológica pelo ato.

Bem realizado, com boa direção, atuações e trilha – conquistou a Menção Honrosa por Melhor Som na Mostra Monstro, pelo excelente trabalho de Érico Paiva -, Cáustico é um ótimo causo de horror, com uma narrativa perturbadora e que não traz todas as respostas, sem que isso importe. Cria-se empatia pelas personagens pela própria proposta, pela localização erma, pelo tom melancólico e uma sensação perturbadora de que outros andarilhos e compradores poderão ter o mesmo destino. Mas, quem seria a tal visitante, presente nos sonhos e nos sussurros?

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 5

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Avatar photo

Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *