5
(4)

Casamento Sangrento: A Viúva
Original:Ready or Not 2: Here I Come
Ano:2026•País:EUA
Direção:Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett
Roteiro:Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett, Guy Busick, R. Christopher Murphy
Produção:Bradley J. Fischer, William Sherak, James Vanderbilt, Tripp Vinson
Elenco:Samara Weaving, Kathryn Newton, Elijah Wood, Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy, David Cronenberg, Dan Beirne, Olivia Cheng, Antony Hall, Varun Saranga

Nossos queridos Gretchen e Fábio Jr. provavelmente diriam que “é casando que se aprende”. Mas, a julgar por Casamento Sangrento: A Viúva (Ready or Not 2: Here I Come, 2026), os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett parecem mesmo é ter desaprendido algo depois do delicioso Casamento Sangrento (Ready or Not, 2019). Enquanto o filme anterior trazia um frescor surpreendente ao tema do “safári humano”, inaugurado no cinema por Zaroff, o Caçador de Vidas (The Most Dangerous Game, 1932) e explorado mais tarde por filmes como O Alvo (Hard Target, 1993), A Caçada (The Hunt, 2020) e Bacurau (2019), esta sequência, que aposta menos no suspense e no terror e mais na ação, consegue ser tão monótona quanto um ensaio de casamento.

Após sobreviver ao jogo de esconde-esconde mortal empreendido pela família de seu marido, Grace MacCaullay (Samara Weaving) se vê novamente como a disputada presa de uma caçada implacável, desta vez conduzida por diversas famílias da elite mundial. Contra sua vontade, Grace acaba recebendo a companhia da sua irmã mais nova, Faith (Kathryn Newton, arroz de festa do terror contemporâneo), com quem possui assuntos familiares mal resolvidos.

Existem dois fatores que inserem alguma novidade em Casamento Sangrento: A Viúva. Um deles é a diversidade de assassinos bilionários que agora persegue Grace: além de americanos – com destaque para os irmãos Danforth, Ursula (Sarah Michelle Gellar) e Titus (Shawn Hatosy) -, temos também espanhóis, chineses e indianos, o que confere um caráter global ao tema do pacto satânico em busca de poder econômico e político. Com isso, expande-se também o lore em torno das regras impostas pelo misterioso Sr. Le Bail e explicadas pelo personagem de Elijah Wood, literalmente um advogado do diabo. No entanto, todos os antagonistas são tão exageradamente incompetentes que a agora já experiente Grace escapa fácil de situações que, de outra maneira, poderiam render desafios muito mais empolgantes. Existe até mesmo um confronto com Francesca (Maia Jae), ex-namorada de seu marido, que se desenrola de forma até que interessante, mas que parece um pouco chupada do segmento final de Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, 2014).

A outra novidade é a presença de Faith, irmã de Grace. O problema é que Faith e Grace não parecem estar no mesmo filme. O tom e o estilo de humor de cada uma são completamente díspares, fazendo com que cada interação entre elas seja desastrosa e gere um sentimento de vergonha alheia no público. A química entre a dupla é zero. No primeiro filme, ainda que o humor estivesse presente o tempo todo, o drama de Grace era real, convincente e nossa âncora emocional no enredo. Agora, os roteiristas Guy Busick & R. Christopher Murphy lançam mão do que há de pior nessa tendência do cinema americano em retratar personagens adultos em situações perigosas agindo como crianças paspalhas e parando tudo para soltar aquilo que os autores imaginam que seja uma boa piada. Não acredito que a culpa por um personagem tão patético seja de Kathryn Newton, ainda mais após saber que Faith foi enfiada no roteiro já escrito depois que Bettinelli-Olpin e Gillett ficaram impressionados com a performance da atriz em Abigail (2024) e resolveram trabalhar com ela novamente.

Se no longa anterior a explosão sanguinolenta dos membros da família Le Domas foi a cereja no bolo de um clímax apoteótico, agora prepare-se para ver gente explodindo daquele jeito a cada cinco minutos. Na verdade, o filme todo é tão previsível e desprovido de imaginação que as pessoas sentadas ao meu lado na pré-estreia já estavam cantando a bola do que iria acontecer nos minutos seguintes.

Entre os acertos estão a sempre excelente atuação de Samara Weaving, lutando para manter a densidade dramática de sua personagem mesmo em meio à enorme brincadeira sem graça que é o longa, e o visual da disputa que ocorre durante o clímax e remete a pinturas renascentistas que retratam o apocalipse.

Contudo, os autores optam por um desfecho menos corajoso para Casamento Sangrento: A Viúva, quando existia ali um caminho muito interessante que poderia levar a uma nova sequência que, diferentemente desse segundo filme, não seria apenas um mais do mesmo sem inspiração.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 4

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Vou ver esse por motivos de Samara Weaving, mas tudo o que vi sobre me deixou beeeemmmm sem expectativas. Enfim, espero que seja ao menos divertido.

    Ótimo texto!

    1. Brigadão, Matheus!
      Realmente, a Samara é incrível

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *