![]() O Homem que Sussurra
Original:The Whisper Man
Ano:2026•País:EUA Direção:James Ashcroft Roteiro:Alex North, Chase Palmer, Ben Jacoby Produção:Michael Disco, Angela Russo-Otstot, Kassee Whiting, Anthony Russo, Joe Russo Elenco:Robert De Niro, Michelle Monaghan, Adam Scott, Acston Luca Porto, Michael Keaton, Owen Teague, Hamish Linklater, Will Brill, Aniela Zeig, Exavier Montanez, Robert Clohessy |
O que O Homem que Sussurra tanto sussurra? Provavelmente as obviedades de um thriller genérico que não se salva pelo elenco ou narrativa. Inspirado em um romance do escritor britânico Alex North, a obra segue uma estrutura bastante convencional, tanto que provavelmente estará na prateleira de produções que você não tem certeza se viu, lembrando vagamente de Robert De Niro e terá dúvidas se Michael Keaton realmente esteve lá. Ainda tenho. Ora, quantas produções há envolvendo assassinos em série escondido nas sombras, investigação policial exigindo que um aposentado retorne à função, crianças desaparecidas e alguém desesperado em busca de respostas?
Já começa com a típica cena de policiais e cães buscando um corpo na mata, em Garretton. A detetive Amanda Beck (Michelle Monaghan, a detetive Williams de MaXXXine, e esteve no péssimo Jovens Bruxas: Nova Irmandade e caçou outra criança em Medo da Verdade) está conduzindo a busca que termina tragicamente com algum policial aleatório dizendo o tal “encontrei algo aqui“: o corpo de um garoto com a camiseta cobrindo o rosto evidencia que o assassino conhecido como “The Whisper Man“, que adquiriu essa denominação por sempre enviar fitas de áudio entrevistando suas vítimas, talvez tenha retornado à ativa.
O tal assassino atuou nos anos 90 até ser capturado pelo detetive Peter Willis (De Niro), que lamenta até hoje não ter descoberto o corpo da última vítima. Frank Carter (Keaton) está preso desde então, o que poderia ter despertado a ação de um copycat. Será preciso voltar a visitá-lo no presídio para pedir que atue como Hannibal Lecter no auxílio à captura do sequestrador em ação, desde que ele esteja disposto a colaborar.
E há também o estereótipo do pai viúvo, o romancista Tom Kennedy (Adam Scott, que foi um escritor menos simpático em Hokum), que se muda para a cidade para começar uma nova vida com seu filho Jake (Acston Luca Porto), que morre de medo de escada por ter encontrado a mãe morta ali e tem uma amiga imaginária mais atenciosa que seu genitor. Quanto você apostaria que Jake será o próximo a ser sequestrado? E que convencionalmente Tom é filho de Peter Willis, o que vai servir de motivação para o ex-detetive voltar à ativa? Nem preciso também dizer onde estará o corpo do garoto que Willis não encontrou nos anos 90, mantido bastante conservado tantos anos depois!
São essas obviedades que incomodam no roteiro de Ben Jacoby e Chase Palmer. Com poucos personagens em cena, as suspeitas irão recair no colecionador Norman Collins (Hamish Linklater), que possui itens de assassinos em série adquiridos ilegalmente e que — ora veja — será flagrado investigando a nova casa de Tom, exatamente após ele se mudar. A razão dele ali é justificada pela indicação de alguém, mas por que ele foi somente agora fazer isso, esperando um novo morador e que sugerirá um propósito vingativo tardio de Frank Carter? E quem iria adivinhar que Tom não somente perceberá o intruso como conseguirá ver seu rosto na fuga! Quais as chances?
James Ashcroft fez melhor em A Regra de Jenny Pen (The Rule of Jenny Pen, 2024), com Geoffrey Rush. Não precisou recorrer a sequências óbvias como a do sequestrador telefonar para um carro de polícia, somente para tirá-lo da frente da casa onde ele dará um último suspiro de vingança; de detetives revendo arquivos de época com quadro de vítimas ou ouvindo novamente as fitas de áudio para tentar identificar algo novo; alguém ignorando uma ligação importante em um momento crucial; o pai desesperado tentando agir como detetive ao seguir um suspeito; Amanda indo sozinha investigar alguém até se atentar a um detalhe bobo.
Reciclando os thrillers investigativos em cada cena, O Homem que Sussurra tem uma duração maior do que devia, e muito pouco a acrescentar pelo elenco envolvido e a proposta. Pode valer pela presença fantasmagórica da garotinha de blusa azul ou pela única cena arrepiante, envolvendo a primeira aparição do sequestrador na casa de Tom para se aproximar do garoto ainda não sequestrado e que o pai, sabe-se lá por que, ainda o deixou dormir sozinho na noite seguinte.





