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Yesterday (2009)

Yesterday
Original:Yesterday
Ano:2009•País:EUA
Direção:Rob Grant
Roteiro:Rob Grant
Produção:Scott Mainwood
Elenco:Graham Wardle, P. Lynn Johnson, Bill Murdoch, Mike Kovac, Michael Fenske, John Fitzgerald, Naomi Inglis, Shaun Omaid

É curioso como os filmes de zumbis quase nunca falam de zumbis. São longas que tratam de sentimentos humanos, de amizade, de loucura. Na série de Romero, por exemplo, a devastação provocada pelos mortos-vivos é o meio e não a mensagem. Romero discute o capitalismo, o consumismo, o militarismo, os preconceitos. Yesterday, produção canadense de baixíssimo orçamento, segue esta mesma linha; apesar do humor exagerado e dos efeitos quase amadores, Yesterday fala de tudo, menos de zumbis.

Em síntese, o roteiro de Yesterday narra a drama de um grupo de desconhecidos formado por um cawboy expert em tiro ao alvo, dois criminosos, dois yuppies e um jovem que acabou de perder a noiva. Uma série de incidentes une os seis homens, que lutam contra pela sobrevivência. Nesta situação extrema onde reina o caos, os conceitos de certo e de errado se subvertem a cada instante.

No roteiro escrito pelo canadense Rob Grant, que também acumulou a direção, ficam evidentes duas grandes influências. A primeira, mais óbvia e inevitável é a de Romero – o inventor dos zumbis clássicos. Um dos momentos mais engraçados do filme faz referência direta a Madrugada dos Mortos, em especial a sequência em que os zumbis são alvejados por atiradores localizados no terraço de um shopping. A diferença é que em Yesterday os atiradores (dois delinquentes com tendências homicidas) se empolgam e acabam atingindo de propósito pessoas não infectadas. A segunda influência é a do universo pop criado por Quentin Tarantino, seja no velho e imitado duelo de pessoas armadas onde todos apontam a arma para todos (que na verdade não foi criação de Tarantino e sim do cineasta-coreógrafo chinês John Woo), nos diálogos verborrágicos ou na única canção tocada no filme, uma variação de The Grand Duel (Parte Prima), parte da trilha de Kill Bill.

Yesterday foi exibido no Festival Internacional de Cinema Fantástico de São Paulo (SP Terror – 2009), disputando a mostra competitiva internacional (sem chances reais de ganhar, já que concorria com produções mais sofisticadas e bem acabadas como o sueco Deixe Ela Entrar, que acabou escolhido oficialmente como melhor filme pelo júri). Mas apesar das limitações e da postura de trash assumido, Yesterday acabou agradando boa parte do público, formado especialmente por fãs do gênero.

No entanto, a maior decepção em Yesterday é exatamente no que mais atrai num filme de zumbis: os efeitos especiais e a maquiagem. No filme canadense, mesmo considerando a limitação de orçamento, a maquiagem e os efeitos são muito ruins e os zumbis parecem pessoas normais com o rosto sujo de sangue, ou melhor, de tinta.

O elenco, apesar de formado por desconhecidos, surpreendentemente não é o que mais compromete o desempenho do filme. Mas da escolha do elenco deriva outro defeito considerável de Yesterday… onde estão as personagens femininas? O mundo está acabando e sobrevivem apenas seis marmanjos psicopatas? Melhor pra eles (e para o público) se tivessem sido infectados e transformados em zumbis. Não é necessário especialização no assunto para saber que em filmes de terror, especialmente nos chamados trashes, não podem faltar, de modo algum, mulheres.

Contido, indeciso (entre o horror e a comédia) e perdido em alguns momentos, o fraco desempenho de Yesterday nos leva a repensar o subgênero zumbis, tema preferido entre nove de dez cineastas iniciantes. Fazer um filme de zumbis pode não ser uma escolha muito feliz, se considerarmos que só o desgaste da ideia já praticamente impede que um novo filme sobre o assunto surpreenda ou mesmo impressione.

Infelizmente, o diretor Rob Grant não soube nem ao menos aproveitar a liberdade criativa proporcionada pelo “independente” de sua produção. Sem novidades, usando a fórmula cansativa e já muito utilizada de mortos-vivos retardados (lentos e pouco inteligentes, brilhantemente explorados por Romero e vulgarmente copiados por uma centena de cineastas sem imaginação), Yesterday não empolga e mostra-se tão passado como o próprio título.

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