![]() O Sorveteiro
Original:Ice Cream Man
Ano:1995•País:EUA Direção:Paul Norman Roteiro:Sven Davison, David Dobkin Produção:Paul Norman Elenco:Clint Howard, Justin Isfeld, Anndi McAfee, Sandahl Bergman, Steve Garvey, Andrea Evans, Olivia Hussey, David Naughton, David Warner, Jan-Michael Vincent |

As delícias geladas de Clint Howard, herdeiro da empresa Ice Cream King, podem conter alguns ingredientes especiais como partes humanas, insetos e ratos. Se perceber a aproximação do caminhão e notar que o motorista tem uma expressão insana, o melhor a fazer é manter distância, sem informar seus pais ou policiais estúpidos. Com exibição no SBT nos anos 90, com a clássica dublagem do estúdio Álamo, O Sorveteiro (Ice Cream Man, 1995) é um horror trash que um achou que poderia ser mais do que é, escalando nomes como David Naughton (o astro de Um Lobisomem Americano em Londres, 1981), David Warner (entre os inúmeros papéis está o clássico A Profecia, 1976) e Olivia Hussey (de Noite do Terror e It – Uma Obra-Prima do Medo). O orçamento tímido de US$2 milhões de dólares e os moldes de cabeças decepadas sobre casquinhas não permitiram que o longa de Paul Norman fosse algo além de cult.
É praticamente o único longa não pornográfico do diretor, que encerrou a carreira na função em 2015 depois de 130 trabalhos. Ele pretendia fazer uma produção de horror para pré-adolescentes, inspirados em Os Goonies, Deu a Louca nos Monstros e a minissérie It – Uma Obra-Prima do Medo. Para tal, colocou várias crianças espertinhas, com planos para revelar a identidade assassina do sorveteiro do bairro, atravessando ruas com suas bicicletas e se vestindo como mini-soldados. O tom onírico de algumas sequências também remetem às ações de Pennywise, incluindo até a ideia dos pequenos serem as principais vítimas do serial killer. Todas as inspirações não surtiram o efeito esperado, e o filme fracassou em seu lançamento direto para o vídeo, tornando-se mais uma produção esquisita de Clint Howard.
Quando criança, Gregory testemunhou o assassinato do sorveteiro popular do bairro, conhecido como O Rei do Sorvete. Nos anos seguintes, ficou internado no Wishing Well Sanatorium, um ambiente de injeções verdes no cérebro e alimentação à base de sorvete. Assim que deixou o local, passou a morar com a enfermeira que cuidava dele por lá, Wharton (Hussey), pagando aluguel com o que arrecada com as vendas, se auto-intitulado O Príncipe do Sorvete. Em seu caminhão decadente, o Gregory adulto (Howard) vende seus produtos, não se importando com as nojeiras que se misturam aos sabores, como insetos, restos humanos e ratos.
Depois que o pequeno Roger (Zachary Benjamin) desaparece, os pequenos Johnny (Justin Isfeld), Heather (Anndi McAfee) e Tuna (JoJo Adams) passam a desconfiar das atitudes suspeitas do sorveteiro, motivados pelo livro “infantil” sobre um encanador assassino. Mas o que realmente motiva o temor ocorre no desaparecimento do garoto Paul (Mikey LeBeau, versão genérica do Macaulay Culkin), flagrado por Tuna. Com a ameaça do sorveteiro de matar os pais se ele contar algo, Tuna resolve somente pedir ajuda depois de uma ridícula perseguição em um supermercado lotado, em que ninguém percebe uma criança fugindo de um adulto estranho! Seus pais, Marion (Sandahl Bergman) e o adúltero Martin (Naughton), vivem em pé de guerra para notar alguma coisa, e os detetives, Grifford (Jan-Michael Vincent) e Maldwyn (Lee Majors II), são péssimos para identificar qualquer problema no local.
Apenas com a denúncia do garoto, vários policiais chegam com mandato (!!!) à fábrica da Ice Cream King, com respaldo para quebrar até parede falsa. Destroem o ambiente inteiro, mas não notam uma simples entrada atrás de um móvel e nem fazem o óbvio: investigar o caminhão do suposto sequestrador! Assim, o sorveteiro fica à vontade para manter o garoto com gostos estranhos, Paul, aprisionado, curtir a vizinha assanhada Wanda (Andrea Evans) e arrancar cabeças. Os garotos partem para uma missão de fotografar as ações do sorveteiro por conta própria, em algo que resulta em evidências que não servem para nada. E há personagens desnecessários como o irmão de Johnny, Jacob (Karl Makinen), que sonha em ser policial, e o pastor Langley (Warner), pai de Heather, subaproveitado no roteiro de David Dobkin e Sven Davison.
Em meio a tantas bobagens, como o policial mastigando um olho humano, no flagra risível da câmera, O Sorveteiro quase acerta na sequência em que os detetives visitam o sanatório, comandado pelo Médico Feliz (E.E. Bell), e os pacientes agem como zumbis, atacando-os. Não fica claro os experimentos realizados ali, mas a concepção do local, parecendo um ambiente de loucos mesmo, é bem interessante. Teria um resultado melhor se os visitantes fossem mortos ali, vítimas de uma fábrica de assassinos em série, ou deixasse alguma evidência de outros sorveteiros, espalhados por cidades pequenas.
Mesmo com o insucesso financeiro do filme, por anos Howard tem lutado pela realização de uma continuação. Em 2014, ele apoiou o financiamento coletivo para a produção de Ice Cream Man 2: Sundae Bloody Sundae, mas a intenção de alcançar US$300 mil dólares não passou de US$4 mil. Sem desistir da ideia e aproveitando o lançamento de O Sorveteiro, de Eli Roth, em setembro de 2025, Howard anunciou que uma sequência estaria em pré-produção, mas sem evoluir para o sinal verde de alguma produtora e nem informações sobre elenco, direção e roteiro, o que é um bom sinal, ainda mais com as críticas negativas para o novo filme. Traria um sabor desagradável, sem precisar de misturas estranhas!





