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A Boca do Diabo
Original:The Devil's Mouth
Ano:2026•País:EUA
Direção:Jeff Wadlow
Roteiro:Myung Joh Wesner, Aja Gabel
Produção:Basil Iwanyk, Erica Lee, Jeff Wadlow
Elenco:Kathryn Newton, Lana Condor, Nico Hiraga, Gavin Casalegno, Tommi Rose, Tayme Thapthimthong, Sahajak Boonthanakit, Harrison Luna

Quem quiser conhecer a Boca do Diabo — devia também experimentar a Boca do Inferno em Portugal — precisa estar ciente que o local possui cenários belíssimos, com formações rochosas em exemplares de estalactites e estalagmites formando os “dentes” que lhe deram a alcunha, e o ambiente é habitado por morcegos, um tubarão-touro e jovens acéfalos, tendo como destaque a carismática Kathryn Newton, de Abigail e Casamento Sangrento: A Viúva. Não se engane pela mudança de cenário: seja mar, lago, piscina, areia, neve, em um navio naufragado, rodopiando em tornados ou se alimentando de passageiros de um avião, trata-se de mais um filme de ataque de tubarão. O do longa de Jeff Wadlow defende absurdamente seu território, mesmo sendo um animal marítimo desorientado, e tem uma voracidade atípica, sendo capaz de se alimentar várias vezes ao dia, de jovens, mergulhadores experientes, um guia turístico e até morcegos incautos e provocadores.

Wadlow, de Verdade ou Desafio, A Ilha da Fantasia e Imaginário: Brinquedo Diabólico, traz mais um exemplar de sua lista de “quase filmes bons“. A partir de um roteiro de Myung Joh Wesner e Aja Gabel, que não se preocupam em reciclar ideias, A Boca do Diabo mostra a viagem de dois casais — Max (Lana Condor) e James (Nico Hiraga); Adrienne (Tommi Rose) e Greg (Gavin Casalegno) — e a amiga solteira Sara (Newton) para a Tailândia para curtições e aventuras. Entre os “uhulls” e conversas furadas, nota-se uma relação estremecida entre Max e sua melhor amiga Sara — remetendo brevemente a Sarah (Shauna Macdonald) e Juno (Natalie Mendoza) de Abismo do Medo —, principalmente depois que esta é esquecida durante um mergulho, mudando os tubarões de Mar Aberto por águas-vivas.

Mesmo ferida, Sara aceita participar do passeio a Boca do Diabo, com alguns receios de entrar na água, mas com o apoio dos amigos, do guia Wat (Tayme Thapthimthong) e do mergulhador charmoso Ryan (Harrison Luna). Assim como a rica Dionne Edwards (Tracey Bonner), de A Fera do Pântano (Hungry, 2026), Max insiste em um extra para que o guia conduza o grupo pelas cavernas mais perigosas, algumas estreitas e até exigindo passagens submersas. Quando aparece vestígios de que Ryan não está mais abaixo do grupo, o desespero toma conta dos jovens ao perceber que um tubarão está à solta, obrigando-os a buscar meios de fugir dali, mesmo que seja para chegar ao mar.

Os jovens fazem o estereótipo de qualquer filme de terror, com decisões estúpidas e pegação. Saber que Greg tem medo de sangue não traz conteúdo ao personagem, assim como questões familiares de Sara ou os incômodos de James, com a postura mandona de Max, não mudam absolutamente nada na ordem do menu do tubarão. Fica fácil até mesmo imaginar o destino de todos eles, atento apenas ao modo de ataque. Estes são meio parecidos, com a vítima sendo carregada na água até se chocar nas rochas, sem que precise mostrar o tubarão em CGI artificial. E esses estão lá para cumprir tabela, com os saltos do animal ou quando é visto com cicatrizes em imagens submersas, ou a água que deixa rastros luminosos. Wadlow até faz bem em esconder a atração principal, aproveitando a fotografia escura das cavernas, até o limite do interesse do infernauta.

Apesar dos esforços de trocar o cenário, A Boca do Diabo é mais um exemplar genérico que mistura Abismo do Medo com filme de tubarão. Está disponível no Prime para os fãs de Kathryn Newton e de tubarões digitais. Vale pela ambientação e mais nada.

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