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Alma Perdida (2009)
Ele quer nascer agora!
Alma Perdida
Original:The Unborn
Ano:2009•País:EUA
Direção:David S. Goyer
Roteiro:David S. Goyer
Produção:Andrew Form, Bradley Fuller, Michael Bay
Elenco:Atticus Shaffer, Brian Boland, C.S. Lee, Cam Gigandet, Carla Gugino, Craig J. Harris, Ethan Cutkosky, Gary Oldman, Idris Elba, James Remar, Jane Alexander, Kymberly Mellen, Mandy Schneider, Maury Cooper, Meagan Good, Michael Sassone, Mindy Bell, Odette Yustman, Rachel Brosnahan, Rhys Coiro, Roslyn Alexander

por Filipe Falcão

Criatividade é, na grande maioria dos casos, a fórmula para se produzir um bom filme de terror. Tal característica pode ser identificada de várias formas, mas geralmente acontece quando algum cineasta ou produtor decide trabalhar um tema inédito ou consegue dar uma roupagem nova a uma ideia já manjada. Em outros casos, a criatividade surge através da necessidade. O nosso José Mojica Marins estava precisando de dinheiro em 1978 quando decidiu utilizar o material que havia sido censurado dos seus filmes anteriores e roteirizou uma trama inédita chamada Delírios de um Anormal, que teve apenas 30 minutos de cenas novas e até hoje coleciona elogios de críticos e fãs.

Infelizmente, a criatividade que sobra em algumas produções, falta em outras. O filme norte-americano Alma Perdida (The Unborn) pode ser considerado um verdadeiro caldeirão de referências cinematográficas tamanha é a falta de criatividade de roteiristas e do diretor David S. Goyer.

A película pode ser vista como um verdadeiro liquidificador que simplesmente une elementos comuns às obras do terror sem que haja maiores cuidados com o resultado final. Dos filmes clássicos, passando por referências orientais e edição barulhenta da moda, Alma Perdida é praticamente uma grande colagem.

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Agora vem a pergunta que mais interessa. Alma Perdida é um filme bom ou ruim? Vamos tratá-lo como mediano. A trama acompanha a jovem Casey Beldon (Odette Yustman, de Cloverfield – Monstro), que um belo dia começa a ter sonhos estranhos com fetos mortos. As coisas começam a ficarem complicadas quando uma criança simplesmente fala para a moça que “ele quer nascer agora”. Aliado a isso, ela passa a ter estranhas visões de um garoto com cara de não muito amigo.

As coisas realmente ficam estranhas quando a íris da garota passa a mudar de cor, em um processo oftalmológico raro que acontece com quem possui um irmão gêmeo. Mas Casey é filha única ou ao menos ela acreditava nisso. Após algumas poucas investigações, a jovem logo descobre que teria um irmão gêmeo, mas que o mesmo morreu antes do parto e que provavelmente ela estaria sendo assombrada pelo fantasma do morto, aliás, do não-nascido do título em inglês.

Salada

Já deu para perceber, apenas nos dois parágrafos que falam da trama de Alma Perdida, porque o filme pode ser visto como uma grande salada de referências. Mas verdade seja dita e algumas referências até que são bem utilizadas. Como destaque, podemos mencionar as visões dos sonhos de Casey e de demais personagens. Com exceção do garotinho, que mais parece vindo de um filme da Xuxa, as demais assombrações são muito bem realizadas por explorarem elementos que fogem a compreensão humana.

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Se o menino apenas se limita a fazer (sem muito sucesso) cara de mal e ser amparado por uma série de efeitos especiais e sonoros, as demais criaturas que surgem neste universo sombrio são dignas de nota por serem verdadeiras anomalias e explorarem fisicamente os limites da elasticidade humana e animal. Destaque para um cão que hora aparece com uma estranha máscara e em outra cena é visto com a cabeça invertida. Uma das melhores sequências conta com um inofensivo velhinho que tem paralisia cerebral, mas que com uma ajudinha do menino-fantasma, transforma-se em uma horrenda criatura que mais parece ter saído de Silent Hill.

O filme também tem uma boa ambientação com hospitais velhos e asilos e tais cenários sempre contam pontos positivos. Além disso, Alma Perdida trabalha com o tema de um fantasma que não apenas assombra uma pessoa, mas quer algo dela e essa temática sempre é bem vinda. Basta pensar nas ótimas produções asiáticas.

Alma Perdida também procura narrar a trama de forma mística a utiliza elementos da cabala, uma doutrina esotérica do antigo judaísmo para explicar a origem do fantasma, além de formas simbolistas de como combatê-lo, incluindo até um exorcismo em hebraico que é definitivamente um dos pontos mais fracos de toda a trama. Mas quem dera este fosse o único problema do filme.

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Fantasma com altos pontos na Escala Richer

Voltando a comparação de Alma Perdida com um liquidificador, é bom ressaltar que as inúmeras referências e clonagens incluem características boas e ruins. Desta forma, temos uma trama até interessante, mas com algumas falhas que poderiam ter ficado de fora. Talvez a principal dela recaia justamente na concepção do menino-fantasma. Depois de tantos remakes de filmes asiáticos, os produtores norte-americanos ainda não aprenderam que uma assombração silenciosa e quieta provoca muito mais medo do que os fantasmas americanos que assustam apenas pelo barulho que fazem. É janela quebrada, quadro caindo, ventania e praticamente um mini-terremoto quando as assombrações made in USA aparecem.

Outras falhas gritantes ainda são mostradas antes da conclusão da trama como uma facilidade muito grande da personagem Casey em solucionar todo o mistério em volta dela. Lá pelas tantas, descobre-se que o tal espirito mirim do mau pode “baixar” em corpos vivos para fazer maldades pela vizinhança. A ideia até soa interessante, mas na prática ficou falsa e deixou bastante a desejar.

Uma outra questão negativa de Alma Perdida é a insistência do diretor em sair matando o elenco já que praticamente todas as mortes do filme são desnecessárias. Teria sido muito mais interessante ter uma trama que trabalhasse o lado psicológico de Casey provocado pelas visões do fantasminha nada camarada. Mas o diretor saiu matando todo mundo e optou em transformar a mocinha em brava heroína que vai enfrentar o capeta.

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Culpado

Aparentemente, o diretor David Goyer assistiu a vários filmes de terror e anotou em um caderninho o que estava sendo produzido nos EUA antes de assumir Alma Perdida. E olha que o cara já havia comandado o interessante Blade: Trinity, em 2004.

Já o elenco é tão fraco que nem mereceria algum comentário. Odette Yustman faz uma Casey dentro do esperado, mas não vai um centímetro além disso. Meagan Good, de Jogos Mortais V, faz a melhor amiga de Casey e entrou no filme com o único propósito de aumentar o número de óbitos. Cam Gigandet, do seriado xarope The OC, é o namoradinho Mark e nada acrescenta para a trama.

Na verdade, são dois veteranos que tentam passar alguma credibilidade ao filme. Jane Alexander, do clássico Kramer Vs Kramer, faz o papel de uma sobrevivente do holocausto que também tinha um irmão gêmeo e que esconde alguns segredos que podem ser importantes para Casey. Outro ator de peso presente em Alma Perdida é o grande Gary Oldman, da nova série Batman, que aqui interpreta um rabino. Curiosamente, o ator é tão bom e respeitado que acaba destoando dentro da trama. É claramente perceptível que ele levou apenas uma semana para gravar a sua participação e que em pouco mais de um ano, mal vai se lembrar do nome deste filme.

Aliás, o público também dificilmente vai se lembrar deste filme após um ano. O que é uma pena, pois a produção possui alguns bons elementos que poderiam ter sido mais bem utilizados. Talvez se Alma Perdida tivesse menos mortes, menos barulho e menos efeitos, fosse possível ter uma melhor impressão do filme. Mas para um gênero que cada vez está mais limitado pela falta de boas ideias, lançar obras que não sejam criativas é praticamente ter a certeza de que as mesmos vão cair no esquecimento.

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5 Comentários

  1. Olha eu tomei alguns sustos porém o filme teve um roteiro fraco

  2. Na boa, isso não serve. Tinha que ter que pagado um peitinho. Pagar peitinho é regra de filme de terror. É mandamento!

  3. muito fraco,o único atrativo (para os homens) é que a atriz principal aparece de calcinha várias vezes.

    1. Na boa, isso não serve. Tinha que ter que pagado um peitinho. Pagar peitinho é regra de filme de terror. É mandamento!

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