Maligno (2019)

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Maligno
Original:The Prodigy
Ano:2019•País:EUA, Canadá
Direção:Nicholas McCarthy
Roteiro:Jeff Buhler
Produção:Tara Farney, Tripp Vinson
Elenco:Jackson Robert Scott, Taylor Schilling, Peter Mooney, Colm Feore, Paul Fauteux, Brittany Allen, Paula Boudreau, Elisa Moolecherry, Olunike Adeliyi, Janet Land, Martin RoachByron Abalos

Há algo de errado com o pequeno Miles (Jackson Robert Scott, o George de It – A Coisa, 2017). Possessão demoníaca, alguma transformação psicológica ou seria parte de uma natureza maligna como o garoto de O Anjo Malvado? Dotado de uma curiosa heterocromia – olhos de cores diferentes -, desde o nascimento ele tem demonstrado uma inteligência fora do comum, além de uma personalidade que alterna momentos de carinho e brincadeiras, com atitudes frias e violentas. Talvez a explicação possa estar no prólogo do terror Maligno (The Prodigy, 2019), de Nicholas McCarthy (diretor de Pesadelos do Passado e Na Porta do Diabo), que teve uma estreia discreta nos cinemas brasileiros no dia 14 de março.

Assim como A Maldição da Freira, que acentuou o subgênero das freiras malditas, iniciado com A Freira, Maligno é o pontapé inicial das produções envolvendo crianças maléficas de 2019. Além dele, o cinema ainda terá a nova versão de Cemitério Maldito e BrightBurn – sem contar a refilmagem de The Bad Seed e outros filmes de menor expressão. Na verdade, esse estilo já veio e voltou algumas vezes e sempre causa um certo desconforto no espectador: ora, sempre é difícil ver na tela uma criança assassina, torturando e matando algum familiar para depois expor um sorriso maroto de quem apenas derrubou o pão com manteiga.

Com apenas oito anos – e o roteiro, de Jeff Buhler (de O Último Trem, Nightflyers e – pasmem! – do novo Cemitério Maldito), nos traz algumas etapas interessantes de seu desenvolvimento para mostrar não somente o quanto ele é esperto, mas também suas ações malignas -, Miles já causas alguns transtornos para seu pai, John (Peter Mooney), e, principalmente, para a mãe, Sarah (Taylor Schilling, a Piper de Orange Is the New Black). Espanca um coleguinha da escola infantil, e ainda demonstra a incrível habilidade de falar durante o sono uma variação do russo sem qualquer contato com o idioma. Quando a mãe resolve buscar ajuda, tem uma surpreendente revelação transmitida pelo especialista Arthur Jacobson (Colm Feore, de A Batalha de Riddick, 2004), algo que necessitará de muito mais do que apenas a compreensão dos pais e umas chineladas.

Consciente da ideia já explorada anteriormente (mesmo irregular gosto bastante de Alma Perdida), o longa não perde tempo mostrando pequenas maldades de Miles para dar a ele uma inteligência madura, às vezes até exagerada. Se a câmera construída e escondida pelo garoto soou um pouco forçada, por outro lado há algumas soluções bem interessantes ali, como a constrangedora cena em que o garoto se deita com a mãe, com a mão sobre o ombro dela, ou o simples fascínio do jovem por partes femininas, estabelecendo uma assustadora conexão com a sequência inicial. Também traz um grande incômodo o visual de Miles quando ele está de costas numa cadeira giratória, em um efeito bem realizado em sua esquisitice.

Boas atuações, como a do próprio Jackson, além de Paul Fauteux e Taylor Schilling, Maligno só perde pontos pelo final óbvio, que remete escancaradamente ao clássico A Profecia. Deixa um gosto amargo no espectador com o avanço dos créditos e a triste perspectiva do que poderá acontecer em um epilógo imaginário, assim que você volta deixa a sala de cinema e começa a pensar a respeito.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

2 thoughts on “Maligno (2019)

  • 16/05/2019 em 01:20
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    Acho que poderia ser melhor, tipo não mostrando aquele epílogo e deixar para descobrirmos o que de fato acontece com Miles depois.

    Eu jurei que ia terminar a alma da mãe reencarnando em algum bebê para futuramente tentar se vingar do seu não mais filho.

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  • 02/04/2019 em 14:38
    Permalink

    Não percam tempo assistindo. Filme muito fraco, sem sustos e previsível ao extremo. Gosto amargo no final? Não… O que fica é a vontade de pedir o dinheiro de volta na bilheteria!

    Resposta

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