Followed: Influência Maligna (2018)

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Followed: Influência Maligna
Original:Followed
Ano:2018•País:EUA
Direção:Antoine Le
Roteiro:Todd Klick
Produção:Matthew Brewbaker, Todd Klick, Antoine Le
Elenco:Matthew Solomon, John Savage, Tim Drier, Sam Valentine, Caitlin Grace, Kelsey Griswold, Christopher Ross Martin, Sarah Chang, Karan Sagoo

Mais um filme que envolve o subgênero dos influencers que, em busca de preservação da popularidade, encontram o medo. Poderíamos chamar esse estilo de S.I.H. (Stupid Influencer Horror) porque é que o move o enredo de produções como #SemSaída, Não Desligue, O Manicômio e toda aquela gama de histórias sobre documentaristas em busca de fama e conteúdo indevido. No caso de Followed: Influência Maligna, em exibição na programação do Telecine, o receio sobre a qualidade do material também envolve seu formato: o famigerado found footage. Desde seu crescimento no novo milênio, favorecido pelos custos de realização, até seu recente declínio pelo desgaste da fórmula, ainda impressiona a ingenuidade de produtores em continuar investindo em obras que forjam a necessidade de se usar a câmera subjetiva o tempo todo na concepção de uma narrativa linear.

Dirigido por Antoine Le, em seu debut, a partir de um roteiro desenvolvido por Todd Klick, o filme traz um vlogger em apuros ao resolver produzir um novo episódio de seu programa de bobagens em um hotel assombrado. Mike (Matthew Solomon), apelidado nas redes sociais como “DropTheMike“, é um controverso influencer que desapareceu depois de realizar gravações no Lennox Hotel, em Los Angeles. A sequência dos vídeos é organizada por um estranho, que parece administrar o conteúdo, mesmo com insistentes mensagens de amigos que querem saber o que aconteceu. Assim, depois de mostrar algumas gravações de Mike para que o público conheça seu estilo descontraído e intrometido, o próprio anuncia que um patrocinador ofereceu U$250 mil dólares caso ele consiga 50 mil novos inscritos em seu canal.

Com essa proposta, ele decidiu então passar o Halloween nesse hotel que é considerado “o mais assombrado” e blá blá blá, ignorando os informes sobre o local de ter sido palco de inúmeros assassinatos e suicídios, além de ter sido palco de um mistério que assombra sites de terror pelo mundo: a morte da turista coreana Meghan Kim (Sarah Chang), cujo corpo fora encontrado queimado na sala da caldeira depois de ter sido vista fazendo movimentos estranhos em um elevador. Sim, essa é uma referência ao bizarro ocorrido com Elisa Lam, que, em 2013, foi vista em um elevador se comunicando com algo invisível antes de seu corpo desaparecer e ser encontrado na caixa d´água do Hotel Cecil. Oportunismo é o que move o cinema e suas limitações criativas.

Antes de ir ao local, Mike entrevista o escritor Wallace Fleischer (o veterano John Savage, de clássicos de guerra), que lhe conta sobre o serial killer satanista David Olmos (Ethan Alexander), que residiu no hotel nos anos 80. Fleischer escreveu sobre o hotel, mesmo sem ter acompanhado de perto os acontecidos e faz o alerta sobre os riscos de tentar investigar as histórias, ainda mais numa noite de Halloween. Ignorando os inúmeros avisos, Mike parte com sua equipe composta por Nic (Caitlin Grace), responsável pela edição dos vídeos; Christopher (Tim Drier), o câmera, que se nega a participar da aventura até ser convencido por sua paixão platônica, Dani (Sam Valentine), que cuida do som.

Sabendo que filmagens não são autorizadas, o grupo se hospeda com discrição no mesmo andar onde David Olmos teria cometido seus crimes, no apartamento 1408, em uma referência ao longa inspirado em Stephen King. E começam a relatar os episódios sinistros, usando um drone para tentar visualizar o lado externo e a sala da caldeira e Mike fazendo posteriormente o “desafio do elevador“, que consiste em pressionar a mesma sequência de números relativos aos andares como Meghan fez. De acordo com a lenda, depois de realizada, a pessoa recebe a visita do fantasma desorientado da garota e deve evitar olhar para ela. Pode-se dizer que até esse momento de investigação e jogo insano, o filme se conduzia bem, trazendo calafrios e sensação de insegurança, o que poderia lhe render uma nota mediana. O problema é que o filme continua…

Sem saber para onde seguir, o roteiro resolve atirar para todos os lados e inclui desnecessariamente a perseguição de um traficante no hotel, algo que destoa completamente do clima fantasmagórico. Também não sabe muito bem o que fazer a partir de sua metade, como se todas as ideias tenham se esvaído. As referências a Atividade Paranormal, no momento em que a equipe dorme, e a falta de uma ameaça real começam a incomodar. Você ainda acha estranho o fato de tantas entidades permitirem a entrada e saída do hotel o tempo todo, sem transparecer uma sensação de claustrofobia e desespero – diferente do que acontecia em Fenômenos Paranormais, entre outras produções. Em outras palavras, se Mike tivesse ido embora assim que teve a experiência no elevador, já teria material para conseguir os inscritos e poderia talvez sair dali para visitar outros lugares sinistros – foi a sua insistência solitária que o levou a sua queda.

Ainda há o acréscimo de outros subplots como os que envolvem as intervenções de Jess (Kelsey Griswold), a noiva de Mike, para anunciar uma gravidez. É claro que ela serve como um porto seguro ao protagonista e também para o que irá acontecer na sequência final, mas teria um resultado melhor se Mike e sua equipe não conseguissem contato com o mundo exterior. Passa a impressão que a qualquer momento que ele pode pedir ajuda e sair dali – dois elementos que trariam uma perturbação ainda maior para os personagens e transmitiria uma sensação de insegurança ao espectador.

Com uma primeira metade animadora, mesmo com o cansativo formato, Followed: Influência Maligna perde força em seu final, o que compromete bastante uma avaliação positiva. Alguns sustos falsos e clichês também se hospedaram nesse mesmo hotel, e o check out não é convidativo a um retorno.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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