
![]() 1408
Original:1408
Ano:2007•País:EUA Direção:Mikael Håfström Roteiro:Larry Karaszewski, Mikael Håfström, Scott Alexander Produção:Lorenzo di Bonaventura Elenco:Alexandra Silber, Andrew Lee Potts, David Nicholson, Eric Meyers, Holly Hayes, Isiah Whitlock Jr., Jasmine Jessica Anthony, Johann Urb, John Cusack, Len Cariou, Margot Leicester, Mary McCormack, Paul Birchard, Samuel L. Jackson, Tony Shalhoub, Walter Lewis |
por Gabriel Paixão
Já faz um tempo razoável que não podemos ver uma boa adaptação do Mestre Stephen King nas telonas (a última foi Janela Secreta, em 2004, e a anterior foi O Apanhador de Sonhos, de 2003, e, bem, é melhor esquecer isso…) e mesmo as boas histórias de terror de uma maneira geral estavam escassas.
Convenhamos que o gênero anda inflacionado ultimamente, sofrendo de uma falta de criatividade imensa, de modo que produções com histórias simples e eficientes, dirigidas de forma que te mantém preso e entretido o tempo todo – sem tentar chocar o espectador à toa e tampouco chamar o público de idiota – devem ser recebidas com certa empolgação.
É até para se admirar que o filme 1408, que chegou aos cinemas nacionais no dia 2 de novembro de 2007, possa surpreender uma boa parcela do fã de horror, pois muitos faróis amarelos estavam acesos para a produção: Mikael Håfström é um diretor sueco cuja experiência não é muito grande (seu último filme foi Fora de Rumo, de 2005); a censura PG-13 nos Estados Unidos que quase sempre significa filmes repletos de sustos fáceis; os testes de audiência que exigiram um final menos pessimista (detalhes no final do artigo); e mais pessoalmente eu não ia com a cara do protagonista John Cusack, até agora…
E o próprio conto 1408, encontrado no livro Tudo é Eventual, de 2002, não é uma história das melhores de Stephen King e como se não bastasse lembra muito O Iluminado. E quando falamos de adaptações de contos de King para o cinema aí que a coisa vai por água abaixo: Comboio do Terror, A Maldição de Quicksilver, Mangler, a infinita série Colheita Maldita…

Contudo esta história é das boas e trata essencialmente sobre a vida do escritor Mike Enslin (John Cusack de Identidade e Alta Fidelidade). Ele é um profissional prodigioso, mas não muito bem sucedido que ganha a vida escrevendo sobre locais que se supõem ser assombrados. Todavia nenhum dos locais que visitou – entre hotéis, mansões e cemitérios – conseguiu provocar no homem mais do que bocejos.
Dono de um humor ácido, Enslin é um homem amargo e cético, que deixou a mulher Lily (Mary McCormack, de Impacto Profundo e Full Frontal) em Nova York após a morte de sua filha Katie (Jasmine Jessica Anthony do seriado de TV Commander in Chief) por uma doença incurável e hoje vive em Los Angeles. Sua reputação é conhecida e todos os dias se dirige religiosamente aos correios onde recebe folhetos dos locais assombrados cujos proprietários tentam com sua visita ganhar publicidade gratuita.
Num destes dias comuns, o escritor recebe um folder do hotel Dolphin, em Nova York, cuja fama é feita sobre o quarto 1408 (não é coincidência que a soma dos algarismos do quarto dá 13, uma das várias referências ao número no filme) local que ninguém é autorizado a se hospedar.
Conforme se aprofunda nas pesquisas sobre o hotel, Mike se interessa cada vez mais e tenta sem sucesso se hospedar no quarto obscuro. Seu agente Sam Farrell (Tony Shalhoub, o protagonista da série Monk) sabe disso e revela, durante conversa com Enslin, que há uma lei que obriga o hóspede a ficar em qualquer quarto desde que esteja vago, conseguindo assim uma reserva no famigerado 1408.

Chegando ao hotel Dolphin, o escritor é levado para uma conversa tensa com o gerente Gerald Olin (Samuel L. Jackson, Serpentes a Bordo e Corpo Fechado), que tenta de todas as formas impedir que Enslin passe a noite naquele quarto, contando toda a história do 1408: desde sua inauguração 58 pessoas morreram no quarto (5+8=13, sacou?) – desde suicídios bizarros até causas naturais – uma camareira arrancou os próprios olhos enquanto gargalhava histericamente – ninguém consegue permanecer mais de uma hora lá dentro.
Relutante ao extremo, Olin lhe dá a chave, uma garrafa de conhaque que custa 800 dólares e os arquivos do hotel. Enslin entra no 1408 munido de seu pequeno gravador e sua camisa havaiana tirando sarro da atitude esquisita do gerente. Para ele Olin só quer atrair a mesma propaganda dos outros hotéis em que ficou.
O quarto a primeira vista é como tantos outros, com quadros de gosto duvidoso, frigobar e televisão com opção de compra de filmes pornográficos. Enslin fica entediado e grava tudo. Todavia as coisas começam a mudar rapidamente em uma nuvem de terror crescente até que o escritor se vê preso dentro do quarto, e seja lá o que habita aquele lugar quer colocar Mike em maus lençóis.
Então… Chega de contar… Saibam apenas que no 1408 nada é o que parece, repetidos flashbacks mostram outros ângulos de Enslin e que We’ve Only Just Begun, do The Carpenters nunca pareceu tão terrivelmente assombroso…
Se 1408 é um filme basicamente sobre um homem em um quarto assombrado, as escolhas destes dois personagens cruciais fazem toda a diferença para o sucesso da película: a parte inanimada fica garantida pelo excepcional trabalho do diretor de fotografia, Benoît Delhomme, e a outra parte é John Cusack.

E John Cusack é um nome que merece todo o nosso respeito: seu Mike Enslin transpira todo o sarcasmo que logo se transforma em paranoia e, finalmente, evolui para o simples medo. Claro que não poderíamos deixar de citar o sempre excelente Samuel L. Jackson e dizer que, ainda que apareça pouco, Tony Shalhoub faz um ótimo trabalho. Quem fica num patamar bem abaixo é Mary McCormack – sua participação é pequena e não chega a comprometer.
ATENÇÃO: O Final Alternativo é Revelado no Próximo Parágrafo
Como havia adiantado ao início deste artigo, a produção passou por alguns problemas durante os testes de audiência, que achou o final original excessivamente pessimista: nele, Enslin morre queimado junto com o quarto, mas satisfeito por ter acabado com a maldição. Olin se aproxima de Lily durante o funeral do escritor que recusa receber a caixa com os pertences chamuscados de Enslin. Olin ouve a fita no gravador enquanto está no carro, ouve a voz de Katie e tem um lampejo da figura queimada de Enslin pelo retrovisor. O filme termina com o escritor desaparecendo depois de ser chamado pela voz de sua filha e com o som de uma porta se fechando.
Esta final alternativa já está disponível na edição especial de 1408, em DVD duplo, já disponível em seu país de origem. O novo final filmado por sua vez também é muito bom e se aproxima mais do término do conto.
A propósito as saídas que complementam o conto, escritas a seis mãos pelos roteiristas Matt Greenberg, Scott Alexander e Larry Karaszewski são genuinamente uma extensão do trabalho original e acabam trazendo o espírito de King como poucas vezes aconteceu no cinema.
Por fim, mas não menos importante, crédito merecido para o diretor Håfström, que conseguiu criar uma atmosfera sinistra aplicando a mistura de CGI com efeitos convencionais na medida certa.
Existem alguns defeitos de edição, porém o maior deles fica na comparação que alguém pode fazer com o irretocável filme de Kubrick, O Iluminado. Apesar de ambos serem histórias de fantasmas em hotéis envolvendo insanidade e birita, os enfoques são diferentes: o primeiro é uma obra de arte sobre uma família em perigo enquanto o outro é apenas um homem cético num quarto amaldiçoado. Håfström aparenta saber até onde quer ir e não é pretensioso o bastante para tentar fazer um novo clássico, contribuindo para que a experiência seja ainda mais satisfatória.
Na minha opinião 1408 é a maior surpresa de 2007 e mesmo que não concordem não se pode negar que é diversão de primeira para assustar genuinamente ao fã do gênero, puristas de Stephen King, e a grande audiência, o que para quem apostas as fichas no futuro do terror na franquia Jogos Mortais e similares é um ótimo negócio.
Curiosidades
– Kate Walsh era cotada para fazer o papel de Lily, porém não pode fazer devido a conflitos de agenda com o seriado Grey’s Anatomy. Ela foi substituída por Mary McCormack;
– Uma das vitimas do quarto 1408 chama-se Grady. Grady foi um personagem no livro O Iluminado;
– Em uma citação engraçada no filme, Mike veste um boné escrito Paranoia is awareness (Paranóia é consciência). Esta é uma referência a uma das frases favoritas de Stephen King, Perfect paranoia is perfect awareness (perfeita paranóia é perfeita consciência);
– Na cena em que Mike assina os livros, ele diz Stay scared (continue com medo). Esta é uma frase tradicionalmente usada pelo diretor George A. Romero, amigo de Stephen King, que a aplica como parte de seus autógrafos;
– O orçamento foi estimado em 25 milhões de dólares e já rendeu quase 100 milhões ao redor do globo.



O filme deu algo q outros final ousaram e aquilo me pegou de surpresa a ponto ee ne arrepiar….
O tal do Mike é aquele cético de carteirinha que detona as crenças de todo mundo e só ele está certo… Às vezes a vida dá voltas!
Esperava muito mais. Se há filmes piores, é certo que existem muitíssimos filmes superiores e creio que Stephen King já teve dias melhores.
Nem está entre as melhores adaptações de King, mas sem dúvida está longe das piores.
Nota 7
http://gatosmucky.blogspot.com.br/2011/04/quarto-do-mal.html
Abraço.
Pra que diabos deixar um link de um blog que precisa de convite pra ler? Francamente…
ESSE FILME DEIXOU MUITO A DESEJAR.