Jurassic World: Acampamento Jurássico – 4ª Temporada (2021)

4.3
(3)

Jurassic World: Acampamento Jurássico - 4ª Temporada
Original:urassic World: Camp Cretaceous - Season 4
Ano:2021•País:EUA
Direção:Zesung Kang, Michael Mullen, Eric Elrod, Leah Artwick
Roteiro:Sheela Shrinivas, Rick Williams, Zack Stentz, Josie Campbell, Lindsay Kerns, Bethany Armstrong Johnson
Produção:
Elenco:Paul-Mikél Williams, Haley Joel Osment, Mohammed, Jenna Ortega, Ryan Potter, Raini Rodriguez, Sean Giambrone, Kirby Howell-Baptiste, Kausar Mohammed

O final da terceira temporada de Jurassic World: Acampamento Jurássico deixou a dúvida sobre uma possível continuação. Se terminasse ali, com o grupo de pré-adolescentes partindo em uma embarcação remendada para a Costa Rica, seria uma conclusão coerente, ainda que dois personagens, Darius (na voz de Paul-Mikél Williams) e Kenji (Ryan Potter), tivessem apresentado uma rusga evidente no último episódio. Talvez uma situação que poderia ser resolvida em uma eventual participação da dupla em Jurassic World Dominion. Contudo, uma nova temporada foi disponibilizada pela Netflix em 3 de dezembro, mostrando que novas confusões e dinossauros ainda iriam acontecer na tentativa de volta para casa dos jovens.

No primeiro episódio, Beneath the Surface, eles descobrem que um Compsognathus – aquele dinossaurinho bastante usado desde os tempos da trilogia original – está de gaiato no barco, e tentam prendê-lo com a ajuda de todos. Ao mesmo tempo, Kenji percebe que a embarcação está presa, provavelmente devido ao acúmulo de algas na hélice, exigindo uma ação heroica e improvável de Darius. Apesar de temerem que o garoto se torne alimento de tubarão, o principal problema surge com o incômodo do gigantesco Mosasaurus.

O confronto destrói qualquer perspectiva de continuidade da viagem, e ainda faz com que eles acordem em uma estranha ilha – torci que fosse a Ilha Sorna, de O Mundo Perdido: Jurassic Park, mas trata-se de um outro local, onde experimentos estão sendo realizados com dinossauros no estímulo pelo combate em diferentes habitats. Já chegaremos lá. Caminhando por um intenso deserto no segundo episódio, At Least…, os jovens enfrentam uma tempestade de areia e encontram um ameaçador Tigre Dente-de-Sabre, algo que teria promovido situações interessantes nos live actions. Com a ação ousada e inteligente de Ben (Sean Giambrone) e contando com a sorte de Kenji e Brooklynn (Jenna Ortega), eles conseguem sobreviver à ameaça entre cânions, em sequências bem realizadas de animação.

Com Kenji sentindo-se atraído por Brooklynn, a principal temática pré-adolescente da temporada, eles encontram uma estrutura metálica e uma porta invisível que conduz a um corredor. O terceiro episódio, Turning Dr. Turner, mostra que essa estrutura divide ecossistemas diferenciados, sendo que em um deles está a doutora Mae Turner (Kirby Howell-Baptiste), que realiza observações da rotina de uma família de Tiranossauros, sendo cuidada por cães-robôs chamados B.R.A.D., que eliminam formas de vida não autorizadas – o nonsense se estabelece de maneira exagerada na quarta temporada. Logo eles percebem que ela trabalha para a Mantah Corp, mesma empresa que recrutou Sammy (Raini Rodriguez) como visto na primeira temporada. Ainda que tenham uma desconfiança inicial devido a problemas anteriores com adultos, eles depositam confiança no relato da estranha, e suas investigações levam a acreditar que a tal empresa utiliza uma droga experimental para tornar as criaturas mais agressivas na promoção de torneios.

Como era de se imaginar, existem outras mentes por trás da produção das drogas e dos combates entre os dinossauros, e uma delas chega ao local de avião, numa quase oportunidade de partida para os jovens. Trata-se de Kash (na voz de Haley Joel Osment), disposto a usar seus recursos tecnológicos como os próprios B.R.A.D (quase indestrutível na versão X) para proteger seus intentos, exigindo que Darius tente fingir uma aproximação para desvendar e atrapalhar seus planos. Com Mae ferida, a situação se complica, e os jovens partem para uma ação combinada para tentar salvar os dinossauros e impedir que os testes de Kash deem certo.

Como se nota, a quarta temporada trouxe uma mudança completa na estrutura da série. Os dinossauros deixaram de ser a principal ameaça, tendo até menos participação, e o grupo teve que enfrentar um cientista maluco e monstros metálicos, algo não visto em nenhum filme das franquias Jurassic Park e Jurassic World. E é aí que está o problema: ainda que mudanças sejam sempre bem aceitas, desta vez partiram para algo que destoa das aventuras de sobrevivência na mata, funcionando quase como uma temporada à parte dentro do mesmo universo, apostando no carisma dos personagens na solução dos problemas. É sempre divertido ver a interação dos jovens, suas piadas e atitudes que passam a ser rotineiras, na composição de um grupo com características tridimensionais e que se mete em diversas confusões para fugir dos perigos e se defender do mundo adulto.

É uma pena que os realizadores tenham optado por não se comunicar mais com os filmes da segunda trilogia. Enquanto havia esse diálogo, Jurassic World: Acampamento Jurássico se mostrava mais eficiente e interessante, revisitando ambientes onde o elenco principal da franquia encontrara problemas, sem a preocupação em desenvolver uma continuidade. No final desta quarta, nota-se uma tendência natural ao encerramento das aventuras dos jovens provavelmente na próxima, devido ao gancho promovido, o que pode ser benéfico para evitar que incluam naves espaciais e uma viagem interdimensional, discutindo o bullying e as relações que envolvem a idade.

 

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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