O Exorcista: O Devoto (2023)

2.2
(20)

O Exorcista - O Devoto
Original:The Exorcist: Believer
Ano:2023•País:EUA
Direção:David Gordon Green
Roteiro:David Gordon Green, Peter Sattler, Scott Teems, Danny McBride
Produção:Jason Blum, David Robinson, James G. Robinson
Elenco:Linda Blair, Ellen Burstyn, Jennifer Nettles, Leslie Odom Jr., Olivia O'Neill, Ann Dowd, Lidya Jewett, Raphael Sbarge, Norbert Leo Butz, Ben Bladon, Chloe Traicos, E.J. Bonilla, Lize Johnston

Duas garotas pré-adolescentes desaparecem depois de sair da escolar. Aparecem três dias depois, sem lembranças do que aconteceu com elas. As duas teriam feito uma “sessão espírita” para tentar falar com a mãe de Angela (uma das duas garotas), mas algo deu errado e as duas meninas voltaram… com alguma coisa diferente. As duas famílias começam a observar e sofrer acontecimentos estranhos e assustadores, que indicam que suas filhas estão possuídas por alguma força maligna, e, ao buscar uma cura, recorrem ao exorcismo.

O Exorcista: O Devoto (The Exorcista: Believer) é uma mistura de continuação com reboot da franquia O Exorcista, que ficou a cargo de David Gordon Green, o mesmo diretor que reiniciou com moderado sucesso outra franquia, Halloween. Aliás, o sucesso do reboot anterior deu a Green o prestígio e carta branca para encabeçar esse novo projeto, o de dar uma nova versão ou direcionamento para o novo filme derivado de O Exorcista (The Exorcist, 1973, dir. William Friedkin), considerado um dos filmes mais assustadores já feitos. Assim como em Halloween, a proposta de Green é fazer uma trilogia.

O filme de 1973 não apenas é um dos maiores filmes de terror da história, mas como também acumula vários feitos notáveis, como bilheteria excepcional (caso raro entre filmes do gênero), aclamação da crítica (caso raro entre filmes do gênero), a criação de um subgênero (o de possessão demoníaca/exorcismo) que perdura até os dias atuais e uma influência tão marcante, que é possível encontrar diretores, roteiristas e cineastas que frequentemente o citam ou utilizam seus elementos mesmo em produções de outros gêneros.

Com um legado tão grandioso, as expectativas estavam bem altas quanto a essa nova continuação, que foi divulgada por Green como sendo uma sequência direta do primeiro filme, não levando em consideração os acontecimentos das outras continuações e nem mesmo da série de 2016, que teve duas temporadas (assim como fez com Halloween). Green também afirmou que os eventos mostrados no filme seriam uma sequência direta dos fatos relatados no livro de William Peter Blatty.

Infelizmente, o resultado ficou um pouco aquém do esperado. O Exorcista: O Devoto não é um filme ruim, tem boas ideias e uma história que poderia ser um tipo de herdeira do filme original, mas tem vários problemas, várias escolhas ruins que acabam fazem a trama desandar do meio pra frente. David G. Green é um bom diretor e sabe o que mostrar, como contar a história e como conduzir o elenco, e entrega um filme que, no geral, é tecnicamente bom. Um dos primeiros problemas está no roteiro, que apesar de ter uma história boa, parece escolher não desenvolvê-la de forma satisfatória, deixando muita coisa de forma rasa e genérica.

Entendemos que Victor (personagem interpretado por Leslie Odom Jr.) perdeu a fé depois da morte de sua esposa, mas isso é mostrado de forma muito rápida e rasa, apenas para constar, e considerando que isso faz parte do título e do que deveria ser o tema principal da trama, parece que fica perdido. As representações das pessoas religiosas e dos líderes religiosos é rasa, superficial e beira o ofensivo. Parece tudo genérico, feito por uma pessoa que claramente não conhece ou não entende do que está mostrando (ou escrevendo). A personagem Doutra Beehibe (Okwui Okpokwasili) é apresentada como uma sacerdotisa de uma religião de matriz africana, mas igualmente genérica e vaga, com ritos e frases que não fazem muito sentido. E a escolha da forma que a Igreja Católica é mostrada é bem infeliz, e o que poderia ser mais um tema a ser abordado ou que fizesse um contraponto ao filme original se perde.

O diretor tentou levar a história principal (o exorcismo em si) para uma direção bem diferente, mas falhou ao fazê-lo. Tudo parece apenas uma bagunça improvisada, com algumas grandes forçadas para se criar momentos tensos. Há bons sustos e boas sequências, mas algumas simplesmente acabam sem muito adicionar para trama ou para o clima. Algumas imagens assustadoras e fotos de possuídos (e similares) que “saltam” entre algumas cenas são absolutamente desnecessárias, e não servem pra deixar o clima tenso ou dar medo.

A ligação dessa história com a do filme de 1973 é muito tênue e, ao mesmo tempo, forçada. Chris MacNell (interpretada por Ellen Burstyn), a mãe de Regan (a garota possuída original), é chamada como uma “especialista” no assunto, mas sua participação é pequena e, essencialmente, não adiciona nada a história. É só mesmo para se dizer que a coisa acontece no mesmo “universo”, mas é muito forçado. Assim como a cena final envolvendo a personagem (que poderia ser uma cena pós-créditos).

O problema principal de O Exorcista: O Devoto é justamente pertencer a franquia O Exorcista. Se fosse um outro filme qualquer, seria um bom filme de possessão, com algumas boas ideias, uns sustinhos legais e alguns detalhes que poderiam ser melhores aproveitados. Como sequência (ou reboot) é fraco e raso, com alguns momentos que podem até dar medo, mas que perdem qualquer efeito que possam ter logo em seguida.

Boatos dizem que William Friedkin, antes de morrer, teria dito que o filme que esse cara novo fizesse ficasse ruim, e se existisse um mundo espiritual, ele voltaria pra possuir David Gordon Green e tornar a vida dele um inferno.

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Rogerio Saladino

Rogerio Saladino é escritor, jornalista, editor, tradutor e autor, atuando nas áreas de quadrinhos, literatura, RPG e cultura pop. Um entusiasta do terror em todas suas formas e, inexplicavelmente, adora a série Puppetmaster, mesmo consciente da sua qualidade duvidosa.

8 thoughts on “O Exorcista: O Devoto (2023)

  • 02/12/2023 em 09:42
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    Como documentário de inclusão da diversidade e do veganismo o filme capricha.
    Só ficou faltando o terror mesmo…

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  • 26/10/2023 em 02:57
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    Olhando pelo lado positivo, pelo menos agora o Exorcista – O Herege não parece ser tão ruim…hahaha.

    Mal posso esperar pelas sequências. Se o primeiro já saiu essa bomba de estrume, imagina os próximos.

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    • 04/11/2023 em 09:20
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      O filme tem o um bom início e o ator negro é otimo… E é só isso… Do meio pro final tudo vai caindo… Uma pena… O diretor não é ruim mas o produto final ficou sem verovidade… Dificil ter medo de algo ali…a mae da Regan deveria ser melhor aproveitada e não se envolver e terminar daquela forma… É uma bagunça cheios de cenas fracas e o padre da igreja católica que deveria ser pelo menos transmitir algo…. Nem de longe faz sentido… Olha o exorcista a origem que conta a história de do Padre Merlin pra mim é o único que pode ser considerado…. A Série pel menos a primeira temporada também é bem feita ali sim temos um terror e um roteiro bem melhor que esse filme …so prova que após 50 anos o filme original é um ícone sem precedentes.

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  • 23/10/2023 em 19:19
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    Aquela parte do “patriarcado”… feminismo destruiu o cinema. Aposto que Felipe M. Guerra, que agora virou homem feminista, deve ter adorado.

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  • 23/10/2023 em 08:38
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    David Gordon Green devia estar com o capiroto em seu corpo quando escreveu o “roteiro” dessa bomba dos infernos!!!
    Vá de retro, satanás

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  • 22/10/2023 em 02:07
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    NÃO É UM FILME RUIM E D.G.GREEN É BOM DIRETOR FOI DE DOER… LIXO LACRADOR( PATRIARCADO? CARA, QUE BOBAGEM FEMINISTA NA BOCA DE UMA MULHER DE 90 ANOS… ). UMA RAJADA DE VÔMITO VERDE NA OBRA ORIGINAL. UM INSULTO PROPOSITAL AO SAGRADO RITUAL CATÓLICO-CRISTÃO. QUEIMEM NO HELL.

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    • 23/10/2023 em 01:43
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      Cara essa aí do “patriarcado” foi de doer. Filme asqueroso que desrespeita o original que é imortal e oscarizado. A velha é uma total ingrata com os 2 padres que salvaram a filha dela e ainda morreram no processo, pra que essa baixaria nojenta? Por que essa merda de Hollywood da atualidade dos infernos é contra a igreja católica e homens brancos agora? Que desrespeito aos finados atores dos padres (Max Von Sydow e Jason Miller) e principalmente um desrespeito ao finado diretor do original William Friedkin que está se revirando no túmulo. O Exorcista 2 é um clássico incompreendido se comparado á essa abominação de filme, pelo menos O Exorcista 2 ofende bem menos o original.

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  • 20/10/2023 em 14:01
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    Um dos piores filmes de todos os tempos. Péssimo !! Não sei qual o pior: Se é Exorcista – O Herege ou este aqui. Este filme só me deu tédio e sono. 0% de terror. A participação de Ellen Burstyn é patética. Onde já se viu filme de Exorcista SEM EXORCISTA ? Devemos fazer um boicote para proibir o nefasto David Gordon Green a fazer outro filme com título semelhante. Vá de retro !!

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