Python 2 (2002)

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Python 2
Original:Python 2
Ano:2002•País:EUA
Direção:Lee McConnell
Roteiro:Jeff Rank
Produção:Jeffery Beach, Melanie J. Elin, Phillip J. Roth
Elenco:William Zabka, Dana Ashbrook, Alex Jolig, Simmone Mackinnon, Marcus Aurelius, Mike Mitchell, Anthony Nichols, Vladimir Kolev, Raicho Vasilev, Vince Diamond, Velizar Binev

O primeiro ataque de uma píton modificada geneticamente como arma militar não fez tanto sucesso assim para render uma continuação, muito menos uma franquia. Mas, era o começo dos anos 2000, e os fãs de bagaceira haviam cultuado Anaconda (1997) e poderiam se interessar por mais genéricos. E o canal SyFy já estava a todo vapor, em seu período mais fértil e ousado, lançando trasheiras para todos os lados, sem se importar com orçamento e qualidade. No caso de Python, antes mesmo de seu encontro com a Boa, deu origem até mesmo a uma produtora para a franquia, intitulada Python Productions LLC, mas que ficou apenas nesta continuação. Parece que a ideia inicial era fazer uma série de filmes do mesmo estilo, algo que, de certa forma, aconteceu, por outras vias.

Também lançada como Pythons 2 por trazer mais de um exemplar, o longa estabelece uma conexão com o filme anterior através do personagem de William Zabka. Em Python, ele era um xerife gente boa, que havia perdido a noiva para um outro rapaz, e teve que agir com inteligência para enfrentar a cobra gigante que estava fazendo vítimas na pequena cidade de Ruby. Na cena final, ele anuncia que havia sido aceito para trabalhar na CIA, sem saber que entre suas primeiras funções estaria ir atrás de mais criaturas imensas e assassinas. Mas o novo emprego também mudou seu caráter, passando de um xerife gente boa para um agente frio a serviço de suas obrigações.

O longa começa com a ação de um oficial do Exército, Robert Evans Jefferson Jr (Marcus Aurelius), na liderança de uma missão secreta na Rússia, nos Montes Urais, atendendo ao Sargento Ivan Petrov. “Não é um problema para vocês que eu seja americano e esteja liderando soldados russos, né?“, ele diz na apresentação. “Também não é um problema eu ser negro?“, tendo ambas as respostas negadas pelo pelotão. Eles chegam ao local de helicóptero, no interior de uma caverna, onde precisam capturar a píton gigante, com o uso de armas de choque, para enviar à América. Embora a criatura resista bem às armas de fogo, ela, em efeitos ainda piores do que os vistos no anterior, desmaia e é capturada.

O avião de carga americano é confundido com um russo, sendo derrubado por rebeldes chechenos. Militares russos são acionados para resgatar a carga, matando todos os rebeldes, e levando o conteúdo para uma base no local. Toda essa sequência inicial toma mais de meia hora do filme e não diz a que veio. Até a cena do avião poderia ser uma prequel do prólogo do anterior que não faria diferença se o objetivo é liberar um píton no local. Entram em cena o americano Dwight Stoddard (Dana Ashbrook) e sua esposa russa Nalia (Simmone Jade Mackinnon), quase enganados por um comprador até terem a intervenção de Greg Larson – no primeiro filme o o personagem de Zabka se chamava Larsen, o que não faz diferença. Se era para trocar de identidade por trabalhar na CIA, a escolha foi bem ruim.

Greg pede ajuda para o casal com um certo contâiner que precisa ser retirado de uma base russa, mas sem dizer do que se trata. Ambos levam para ajudar o amigo russo Vladi, sem nome nos créditos, e vão ao local, desconfiando da missão pelo envolvimento de uma equipe armada. A tal píton desaparece do enredo, com a investigação da equipe na base, principalmente quando a encontram vazia e somente alguns corpos. Mais de uma hora depois, finalmente Dwight descobre o que seria a carga, precisando se proteger antes que os animais, considerados inteligentes, possam se alimentar deles. As cobras queimam os pneus dos transportes, sem chance para que consigam escapar dali sem enfrentá-las. Um oficial da base, Zubov (Ivaylo Geraskov), sobrevivente do massacre, pede ajuda e o local fica na iminência de ser bombardeado.

Assim, Python 2 se desenvolve em um espaço menor, sem ataques em uma cidade, colocando os personagens nessa luta pela sobrevivência, com Greg mostrando uma faceta de vilão: “Não podemos deixar testemunhas“. Perde-se o humor do primeiro que entendia as limitações e parecia se divertir com a própria proposta para apresentar um filme sério de baixo orçamento, com clichês e lugares comuns. Em um deles, Dwight é apresentado como um ex-jogador de baisebol, afastado por ter ferido uma pessoa em uma partida oficial: um subplot que servirá apenas para que um arremesso dele tenha uma importância mais tarde. E Nalia, que fica temporariamente cega pelo contato “superficial” do ácido de uma das pítons, para que depois fique boa o suficiente para realizar uma missão de busca de dinamite em um dos veículos e criar uma leve preocupação no espectador.

Sem sangue – dessa vez, nem usaram o mesmo cadáver derretido várias vezes – e com uma censura leve para exibição na TV, Python 2 é mais uma produção da leva desnecessária de bagaceiras do canal SyFy. Faz parte dos trashes pós-contemporâneos e que talvez adquriam algum valor daqui a várias décadas, pela dificuldade crescente em encontrar o filme para ver. Atualmente, não está em nenhum streaming, nem mesmo no youtube – o primeiro pode ser visto lá -, e também está fora de catálogo, já sendo considerada uma produção rara entre os fãs de cinema ruim. Talvez seja até melhor assim, que as pítons fiquem bem escondidas, longe de ameaçarem a integridade emocional daqueles que arriscarem vê-las em cena.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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