![]() Monarch: Legado de Monstros
Original:Monarch: Legacy of Monsters
Ano:2026•País:EUA, Japão Direção:Lawrence Trilling, Hiromi Kamata, Jeff F. King, Gandja Monteiro Roteiro:Chris Black, Matt Fraction, Mariko Tamaki, Andrew Colville, Joe Pokaski, Kari Drake, Dan Dworkin, Tanner Hansinger, Maria Melnik Produção:Kenji Okuhira, Brian Rogers, Scott Schofield, Kei Banno, Elenco:Anna Sawai, Kiersey Clemons, Ren Watabe, Wyatt Russell, Kurt Russell, Joe Tippett, Mari Yamamoto, Anders Holm, Takehiro Hira, Mirelly Taylor, Elisa Lasowski, Dominique Tipper, Qyoko Kudo, Amber Midthunder, Curtiss Cook, Cliff Curtis |
Os monstros gigantes e os conflitos entre as empresas Monarch e Apex Cybernetics retornaram para uma surpreendente segunda temporada. Ora, pelos custos de produção e lançamento diretamente para a Apple TV, era difícil imaginar um retorno para esse universo de dimensões e criaturas, contando ainda com a presença de Kurt Russell no comando das ações. Contudo, em abril de 2024, três meses após o término da primeira temporada, a série Monarch: Legado de Monstros ganhou uma sobrevida, estreando em 27 de fevereiro de 2026. Havia realmente o gancho para uma continuação, quando finalmente o Kong surgiu imponente na estação de pesquisa da Apex, na Ilha da Caveira, atiçando a curiosidade dos fãs em vê-lo mais em tela.
O episódio “Cause and Effect“, de Lawrence Trilling, começa exatamente onde o anterior terminou: o ataque de Kong força a evacuação de todos para uma embarcação da Monarch, conhecida como Posto Avançado 18. A responsável, Natalia Verdugo (Mirelly Taylor), não intenciona resgatar Shaw (Kurt Russell) no Axis Mundi, mas Kentaro (Ren Watabe), Hiroshi (Takehiro Hira), May (Kiersey Clemons) e principalmente Cate (Anna Sawai) retornam à estação destruída para uma tentativa de ajudá-lo. Quando a Monarch se aproxima para impedir as ações e seus próprios conhecidos já desistem de tentar qualquer coisa, conscientes do risco pela energia necessária, Cate lança o transporte e Shaw o utiliza para uma carona de volta, trazendo a tiracolo um titã imenso, cheio de tentáculos e parasistas, chamados Scarabs. Verdugo é morta, e os demais fogem para o barco.
Não é o primeiro contato de Shaw e a Dra. Keiko (Mari Yamamoto) com o titã. Em um flashback, mostrando 1957 e o Shaw de Wyatt Russell, os dois e Bill (Anders Holm) estiveram na ilha Santa Soledad, no Chile, investigando um possível titã, e encontrando evidências de que a criatura é considerada um deus para os locais, numa interessante referência à obra de Lovecraft e seu Dagon. Com a morte de Verdugo, o comando do Posto fica a cargo de Tim (Joe Tippett), que, embora não prenda Shaw, procura meios de evitar que o titã chegue à civilização, através de um drone com sonar. Mas é Shaw quem salva o dia, usando um dos parasitas para mudar a rota do monstro. Já em 57, na vila, o trio é convidado a participar de um festival noturno, sem imaginar que se trata de um culto com sacrifício para quem eles chamam de “Co-Cai“, deus mapuche da água.
Enquanto segue nessa constante de perseguição desenfreada ao titã, a temporada caminha bem interessante. O terceiro episódio, “Secrets“, de Hiromi Kamata, volta à terra, mais precisamente Tóquio. É lá que uma equipe da Apex, liderada por Jason Trissop (Cliff Curtis, de Avatar e Fear the Walking Dead), resolve assumir o controle do posto. O diretor da Monarch, Reddick Barris (Curtiss Cook), insiste na prisão de Shaw, ignorando sua ação que impediu uma tragédia no Estreito de Malaca, na Indonésia. O título do episódio refere-se à atitude de May, que aceita uma oferta de emprego na Apex a convite de Brenda (Dominique Tipper) e descobre que a empresa roubou Hiroshi, e também tem relação com uma sequência no passado, quando Shaw e Keiko fogem dos cultistas, separando-se de Bill, e acabam se relacionando. Arrependida, Keiko escreve uma carta para Bill revelando o que aconteceu, algo que irá influenciar suas decisões quando encontrar a carta em 1962, culminando em seu fim na Ilha da Caveira em 1973, como visto no prólogo do longa de 2017.
Também de Kamata, no quarto episódio, “Trespass“, o monstro gigante, apelidado em 2017 como Titâ X, se aproxima de São Francisco. É lá que está Cate, desolada, sentindo-se responsável por ter despertado a criatura, dando indícios de que irá encerrar sua vida. Mas ao reencontrar uma pessoa que salvou no famigerado Dia G, ela decide agir para mandá-la de volta. Em Pensacola, Kentaro, Hiroshi, Keiko e Shaw fazem um plano de invasão a Apex para resgatar o que foi roubado e acabam descobrindo, que o local mantém monstrinhos aprisionados e encontram um mapa de Bill traçando a rota do Titã X. Toda a sequência ao estilo Missão Impossível traz uma boa dinâmica à temporada, ainda mais quando todos estão envolvidos na mesma ação.
Sabendo que o Titã X está voltando para Santa Soledad, no quinto episódio, “Furusato“, de Jeff F. King, o grupo parte para o local, enfrentando um bando de parasitas, antes da chegada do monstro. Descobre-se nesse episódio, que traz a morte de um personagem, que Cate parece ter um meio de comunicação com o Titã, quando está tocando na água, uma novidade desnecessária para a série, como se buscasse uma redenção da personagem, dando-lhe uma função paranormal. No seguinte, “Requiem“, outra decisão boba do enredo principal: Kentaro conhece num bar – numa ação forçada pela garota, claro – Isabel Simmons (Amber Midthunder), uma das filhas de Walter Simmons. Ela o convida a trabalhar com ele, e o rapaz, que parecia inteligente, acaba aceitando, mudando toda a sua trajetória na série, para que ocasione futuramente uma “traição” ao grupo. Já Shaw tem a ideia de despertar Godzilla para ajudar no combate ao Titã X, mesmo contrariando a opinião de todos, e o próprio conceito dos filmes que diziam que o monstro lendário despertava exatamente para conter outras ameaças.
“String Theory“, de Gandja Monteiro, promove uma situação que vai além dos flashbacks. Shaw do futuro consegue se comunicar com o do passado, com a ajuda de um envelhecido Dr. Suzuki (Leo Ashizawa), convencendo-o a instalar um rastreador no Titã para ajudá-los no presente, e pede que, embora ele encontre Keiko no Axis Mundis, que não entre em contato para evitar mudar situações importantes. Kentaro descobre que o plano da Isabel é exatamente mudar o passado e evitar que aconteça o Dia G, enquanto Dra. Keiko percebe que a comunicação de Cate também envolvia outras mulheres e permite que ela finalmente entenda o que o Titã X quer.
A volta do Godzilla acontece no oitavo episódio, “Separate Ways“, no primeiro confronto com o Titã X, quando a razão para a busca da criatura é finalmente conhecida. Com as ações finais acontecendo na Ilha da Caveira, no nono e décimo episódios, “Ends of the Earth” e “Where We Belong“, respectivamente, dirigidos por Lawrence Trilling, Isabel planeja enfurecer o Titã para matar Godzilla, enquanto Shaw e Dra. Keiko descobrem nas pistas de Bill que existem outros acessos para a outra dimensão, e que ele nunca desistiu de tentar resgatá-la. É claro que Kong também aparecerá para confrontos até descobrir a razão da fúria do Titã X.
Mesmo com algumas liberdades que nunca foram exploradas nos filmes, Monarch: Legado de Monstros diverte pelos bons efeitos especiais e todas as dinâmicas de perseguição, tentativas de controle dos monstros, a exploração de um novo Titã e descobertas sobre o passado. Há momentos de emoção, perdas importantes, e ações acontecendo no passado e no “presente“. Como aconteceu no final da temporada anterior, a série deixou uma ponta curiosa para uma continuidade, uma possibilidade ainda não confirmada pela Apple. Provavelmente uma continuidade traria uma exploração na questão viagem no tempo, algo pincelado nesta e que poderia ser desenvolvido em uma nova história. De todo modo, esse multiverso dos monstros gigantes será explorado em um spinoff, ambientado em 1984, com o Shaw, de Wyatt Russell, tentando impedir que a União Soviética utilizasse um titã para enfrentar os EUA. Mostra-se o quanto esse universo de monstros gigantes é rico e não deve ficar por muito tempo adormecido.







