![]() Psicopata em Fuga
Original:Psycho Killer
Ano:2026•País:EUA, Alemanha Direção:Gavin Polone Roteiro:Andrew Kevin Walker Produção:Matt Berenson, Roy Lee, Arnon Milchan, Andrew Kevin Walker Elenco:Georgina Campbell, James Preston Rogers, Malcolm McDowell, Logan Miller, Grace Dove, Aaron Merke, Joshua Banman, Cassandra Ebner, Darren Martens, Sydney Sabiston, Nigel Shawn Williams, Terry Ray |
Talvez não seja Georgina Campbell, atriz bastante atuante em produções do gênero, e nem a presença de Malcolm McDowell nos créditos as razões para você se interessar por Psicopata em Fuga (Psycho Killer, 2026). O diretor, Gavin Polone, é estreante em longas, tendo uma carreira mais sólida como produtor do recente Alerta Apocalipse (Cold Storage, 2026), também com Georgina, e Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap, 2019). O seu interesse tem grandes chances de ser despertado através da informação: o roteiro foi escrito por Andrew Kevin Walker, que esteve por trás do argumento de Seven, Os Sete Crimes Capitais (Seven, 1995), um dos pais dos thrillers investigativos modernos com uma premissa inteligente, uma atmosfera aterradora e um dos finais mais perturbadores do Cinema. Sabendo disso é provável que você não entenda como alguém que tenha no currículo uma obra tão significativa — e outras como 8mm: Oito Milímetros (8MM, 1999) e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999) — possa ter desenvolvido um roteiro que parece ter sido escrito por inteligência artificial.
Não é porque eu vi travessões ou frases curtas, mas pela estrutura genérica, desenvolvida em ponto morto, sem inspiração até mesmo na criação de um vilão apocalíptico com vozeirão (com uma distorção para elevar o nível da imponência) e obscurecido pelas sombras. Desde os créditos iniciais, com imagens de recortes de jornal e símbolos satânicos (se você já não viu isso antes, é porque estava usando o celular ou aquecendo a pipoca em várias sessões por aí), passando pela criação do anjo vingativo, uma policial, Jane Archer (Campbell), cujo marido também policial, da Polícia Estadual do Kansas, fora assassinado por um louco satanista, que a mídia o apelidou de “O Estripador Satânico“, numa possível tradução de “The Satanic Slasher“.
Obcecada na caça ao assassino, aproveitando que os agentes que investigam seguem a linha estúpida e atrasada como muitos por aí, Jane tenta se aproximar do FBI, através de Zolar (Michael Antonakos), mas é prontamente ignorada, contando com ajuda singular de Becky Collins (Grace Dove), que fornece informações confidenciais sobre o assassino como o roubo de analgésicos, dinamites e símbolos satânicos nos locais de crimes, a mensagem “abrir os portões“, antes de desaparecer do longa. Jane logo estabelece uma conexão com Richard Joshua Reeves, um jovem adorador do diabo que cometeu um massacre numa igreja da Pensilvânia décadas atrás e teria morrido na prisão. Possivelmente, trata-se de um copycat, ou alguém que talvez tenha sobrevivido ao massacre e seguido as ideias do garoto diabólico. E a resposta pode estar, acredite se quiser, na banda de heavy metal Demon Fist, cuja música “The Ballad of Richard Joshua Reeves” basicamente direciona as ações do serial killer.
Muito mais expressiva e inteligente (sem a sensibilidade intuitiva) que a personagem de Maika Monroe em Longlegs – Vínculo Mortal (Longlegs, 2024), Jane ainda assim segue o estereótipo dos agentes que sofrem para descobrir o mistério em pauta, com o mesmo mau humor, faltando apenas o quadro de fotos numa parede com as conexões entre os crimes. Ela logo entra no radar do assassino em um primeiro confronto, ao descobrir seu paradeiro, contando mais com a sorte do que juízo. Descobrindo mais coisas no Google que os agentes do FBI e o próprio assassino, que busca um grupo satânico, liderado pelo Sr. Pendleton (McDowell), através de um diálogo por mensagens codificadas no jornal — teria sido mais fácil procurar na deepweb, uma vez que os jornais impressos já se tornaram obsoletos —, para encontrar uma pessoa importante, contando com a ajuda do fiel Marvin (Logan Miller). Organizado em um casarão, o culto é embebido em clichês, com inspiração em A Sociedade dos Amigos do Diabo (Society, 1989), com uso de drogas, sexo e menções a demônios. Jane ficará sempre no encalço do psicopata, tentando descobrir o objetivo final de seu plano satânico.
Com um título nacional horrível, que faz parecer filme da Sessão da Tarde, Psicopata em Fuga não chega próximo de emular um thriller surpreendente. Para ser mais óbvio, só bastava a protagonista descobrir que está grávida do marido falecido e um clímax com uma contagem regressiva, sendo tudo solucionado pela própria protagonista e um final otimista, distante da atmosfera opressora do longa de David Fincher. Até mesmo a atuação caricatural de Nicolas Cage, envolto em maquiagem pancake, desperta mais incômodo que o inimigo satanista deste pastiche.





