![]() O Sussurro
Original:El Sussurro / The Whisper
Ano:2025•País:Uruguai, Argentina Direção:Gustavo Hernández Roteiro:Juma Fodde Produção:Ignacio García Cucucovich Elenco: Ana Clara Guanco Aguilera, Marcelo Michinaux, Luciano Cáceres, Darío Lima, Horacio Camandule, Rasjid César, Joro Gorfain, Machu Gutiérrez, Eytan Lasca |
O cartão de visitas de Gustavo Hernández, o longa experimental A Casa (La casa muda, 2010), realizado em tomada única, foi bastante promissor, um convite para continuar acompanhando seu percurso. Ele fez, então, Deus Local (Dios Local, 2014), No dormirás (2018), Virus-32 (2022) e Lobo Feroz (2023) — produções que erroneamente ainda não vi, embora tenham avaliações positivas no IMDB. Saltei logo para seu mais recente trabalho, o horror O Sussurro (El Susurro / The Whisper, 2025), disponível no catálogo da HBO Max.
Mesmo não tendo feito todo o caminho cinematográfico do diretor, me interessei pelo novo filme, imaginando no mínimo um horror inventivo, que observa de longe os clichês do estilo. A partir de um roteiro de sua colaboradora habitual, Juma Fodde, o enredo apresenta os irmãos Lucía (Ana Clara Guanco Aguilera) e Adrián (Marcelo Michinaux), que fugiram do pai agressivo, Victor (Luciano Cáceres), para buscar abrigo em uma mansão isolada, sem saber que nas proximidades existe uma gangue de criminosos que sequestram moças para a produção de filmes snuff.
Assim, o clichê da mudança para casa nova não traz apenas sussurros na escuridão, obrigando o garoto a proteger os ouvidos, mas também uma ameaça humana, a partir de sequestradores que fazem parte de uma rede de produção e venda de filmes com registros de mortes reais. E o que poderia ser a tal assombração que parece acompanhar os irmãos como uma maldição na família? É essa a grande surpresa do longa de Hernández, que deixa de ser um filme de casa assombrada para algo mais aterrorizante, ainda que também não inovador.
Com exibições em festivais como o Sitges Film Festival e o Buenos Aires Rojo Sangre Film Festival, ambos em 2025, além do Fantasy Filmfest e SXSW London, O Sussurro é uma coprodução uruguaio-argentina que passeia por gêneros e subgêneros, alterando sua estrutura a cada nova descoberta. Ainda que comece com um thriller de fuga e recomeço — passando uma ideia de que o pai continuará perseguindo os irmãos —, logo a produção atravessa o mistério e a investigação de uma casa sinistra, uma assombração à espreita na escuridão, para culminar no tradicional “filme de monstro“. Embora seja esse o percurso da narrativa, desde as primeiras cenas, Hernández já explora a escuridão dos ambientes, a partir da fotografia de Santiago Guzmán, que deixa o infernauta com uma sensação de que ainda não viu tudo. E realmente não viu.
O filme não é inovador em qualquer direção que aponte, mas a mistura funciona bem ao propor uma expectativa animadora para o último ato. Até lá, o ritmo lento pode trazer o bocejo dos ansiosos, assim como os exigentes podem não digerir bem algumas facilidades da proposta que saltarão aos olhos, principalmente no ato final, apostando na boa vontade de um bichano. Valerá a pena se deixar levar pela narrativa e pela atmosfera incômoda, sem surpresas ou ousadias. O elenco é bom, os aspectos técnicos também agradam. Não irá sugar seu tempo, nem se alimentar da sua disposição.





