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Unabomber
Original:Unabomber
Ano:2026•País:EUA
Direção:Janus Metz
Roteiro:Nelson Greaves, Sam Chalsen
Produção:Sophie Cassidy
Elenco:Russell Crowe, Jacob Tremblay, Annabelle Wallis, Alexander Ludwig, Marc Menchaca, Steven Ogg, Mark Camacho, David Webster, Bruce Ramsay, Michelle LeBlanc, Gus Halper

A Netflix, como as demais plataformas, já percebeu que boa parte de seus assinantes são fãs de true crime. Conhecer a trajetória de assassinos populares, mesmo em versões exageradamente fantasiosas como a da série Monstro, parece um caminho viável com rastros de sangue e corpos espalhados. Essa busca intensa permite que o público vislumbre a simpatia de Ted Bundy, as noitadas de Jeffrey Dahmer e a “esquizofrenia apocalíptica” de Ted Kaczynski, mais conhecido como Unabomber. Este último cometeu crimes explosivos e espaçados, entre 1978 e 1995, matando três pessoas e ferindo outras 23, confundindo o FBI, que precisou organizar um departamento de linguística para encontrar pistas que pudessem levar ao criminoso.

O longa Unabomber, de Janus Metz, apostou em uma dupla narrativa, apresentando as buscas finais do FBI para identificar o assassino e mostrando a juventude de Ted Kaczynski, quando ingressou na Universidade de Harvard. Promissor estudante de matemática, ele se encantou com as aulas de filosofia do professor Henry Murray (Russell Crowe) e aceitou participar de experimentos psicológicos conduzidos por ele, Christiana Morgan (Annabelle Wallis) e uma equipe analítica, com fins que vão além de torná-lo membro de uma sociedade de debate. Foi nesse processo, entre discussões acaloradas com um desafiante, que Ted moldou suas crenças, desenvolvendo oposição à industrialização e aos avanços tecnológicos.

Nos anos 90, após mais um assassinato, o FBI foi obrigado a permitir que dois jornais grandiosos publicassem seu manifesto, enquanto programas de TV pediam que as pessoas não abrissem caixas recebidas pelo correio. Mesmo desacreditada pela equipe, a agente Joanne Miller (Shailene Woodley) fez um intenso estudo sobre as publicações, partindo para uma investigação pessoal quando surgiram indícios de uma possível autoria.

Apesar da idas e vindas da narrativa, o roteiro de Nelson Greaves e Sam Chalsen se concentrou mais no passado, na origem do serial killer. E são realmente os momentos mais interessantes, contando com a atuação convincente de Jacob Tremblay como um jovem cheio de complexos, sendo capaz de enfrentar os próprios pais pelo desejo de abraçar os estudos psicológicos. Como o desfecho já é conhecido e deixando de lado os crimes pela investigação documental, Unabomber é mais um drama psicológico do que propriamente um thriller. Não deixa de ser curioso, quando se percebe que muito o que Ted temia está acontecendo nos dias atuais — não justificando seus atos, óbvio —, com o crescimento descontrolado da inteligência artificial e as pessoas cada vez mais reféns da comunicação e da tecnologia.

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