
![]() Zona Zero
Original:Colony / Gunche
Ano:2026•País:Coreia do Sul Direção:Yeon Sang-ho Roteiro:Yeon Sang-ho, Choi Kyu-seok Produção:Hailey Yoomin Yang, Ahn So-hee Elenco:Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook, Kim Shin-rock, Shin Hyeon-bin, Go Soo, Kim Hyung-mook, Agung Bagus |
Um atentado terrorista dissemina um vírus que transforma pessoas em zumbis comedores de carne. Para piorar, os zumbis possuem um verdadeiro comportamento colonial, agindo como uma rede de organismos altamente coordenada. Sim, já vimos isso antes. Sim, lembra muito The Last of Us e outras milhares de produções sobre mortos-vivos (ainda que a série da HBO não tenha se aprofundado muito no hive mind – uma pena, inclusive). No entanto, o diferencial de Zona Zero, filme que vem chamando a atenção nos cinemas coreanos, é quem está por trás das câmeras: Yeon Sang-ho, o diretor do fantástico Invasão Zumbi.
O início da trama é bem clichê: o CEO de uma grande empresa de biotecnologia anunciando os benefícios do uso de um fungo chamado Physarum polycephalum, que teoricamente conseguiria fazer um rato com paralisia voltar a usar as pernas. Naturalmente, o modus operandi dessa empresa não agrada a todos os funcionários e ex-funcionários, e um deles retalia infectando um prédio inteiro com o fungo. Desnecessário dizer que os infectados se transformam em vorazes monstros canibais, e os poucos que conseguem se salvar deverão se unir para escapar.
A sinopse (e o início do longa) não são lá muito animadoras, mas, pelo apreço que tenho pela obra de Yeon Sang-ho, decidi dar uma chance a Zona Zero, e não me arrependi. Como o título original do filme indica (Colônia, em tradução direta), os monstros aqui não são apenas zumbis descerebrados, mas criaturas que compartilham um estado de consciência coletiva, assim como os fungos e outros organismos tidos como “primitivos”. Primitivos só no nome, porque diferente dos animais, que centralizam o processamento de dados em um cérebro, uma colônia fúngica usa a cognição distribuída entre todos os seus componentes. Se um aprende, todos aprendem. Se um evolui, todos evoluem.
Toda essa aula de biologia funciona no contexto do filme, tornando o enredo interessante à medida que novos conceitos vão sendo introduzidos (às vezes sendo até demasiado explicativos). Gosto particularmente de como o fenômeno do redemoinho de formigas é inserido no roteiro e a importância disso no ato final. Alguns conceitos e atitudes podem parecer meio exagerados, como a justificativa para os atos do lunático Yeong-cheol (Go Soon) ou a abrupta revolta do segurança Hyeon-seok (Ji Chang-wook), mas acredito que os iniciados em produções asiáticas não ficarão particularmente incomodados (Chang-wook, inclusive, um veterano dos doramas).
Zona Zero pode não vir a ser um marco do cinema de horror coreano como foi Train to Busan. Afinal, o longa esbarra em alguns clichês e explicações bobas, mas é extremamente divertido e um prato cheio para fãs de filmes de zumbis, nerds da área de biológicas e, por que não, dorameiros por todo o mundo. O filme estreou dia 22 de outubro nos cinemas brasileiros e definitivamente vale a conferida.
OBS: o Physarum polycephalum, apesar de ser tratado como um fungo, faz parte do reino Protista. 😁





