![]() A Caixa do Demônio
Original:Lockbox
Ano:2026•País:EUA, UK, Canadá Direção:Daniel Stamm Roteiro:Justin Produção:Kearie Peak Elenco:Carla Gugino, Lou Taylor Pucci, Katharine Isabelle, Darcey Johnson, Kevin McNulty, Madeleine Kelders, Aedan Edwards |
Adaptado de um episódio do podcast americano Knifepoint Horror, de Soren Narnia, A Caixa do Demônio (Lockbox, 2026) chega aos cinemas sem muito alarde, mas conta com alguns nomes conhecidos do público de terror, como o diretor Daniel Stamm, de O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010), a atriz Carla Gugino, presença recorrente nas obras de Mike Flanagan, e Katharine Isabelle, de Possuída (Ginger Snaps, 2000) e Freddy vs. Jason (2003).
Gugino interpreta Ellen, uma profissional bem-sucedida que colocou sua carreira e vida pessoal em stand-by para cuidar da mãe com Alzheimer. Após seu falecimento, Ellen começa uma nova fase mudando-se para a pequena Pontiac, no estado de Nova York. Sempre disposta a cuidar, ela acolhe em seu novo lar o primo Winthrop (Lou Taylor Pucci), um ex-militar que carrega uma série de traumas. Também conhece a vizinha Vahna (Isabelle), que se torna uma visita constante. Enquanto Winthrop se sente incomodado com a presença de Vahna, esta vai revelando um misterioso interesse no rapaz.
O êxito narrativo de certos filmes de terror reside na capacidade de desorientar o público quanto ao que está realmente acontecendo, mesmo quando a resposta é até que bastante simples (ao menos para quem está habituado ao gênero). É o que acontece em A Caixa do Demônio, especialmente graças à sua enigmática sequência inicial. Mais tarde, a entrada em cena de Winthrop e Vahna reforça essa desorientação. Quem dos dois é mais estranho? Ele, que passa horas na banheira tentando aliviar a dor de um ferimento mal explicado e que vaga pela vizinhança tarde da noite num estado de sonambulismo, ou ela, que perde unhas e tufos de cabelo pela casa como se seu corpo estivesse se desfazendo? Aliás, Isabelle está ótima, equilibrando-se entre ser divertida, inconveniente, megera e assustadora.
Contudo, se um dos pontos fortes do filme é saber embaralhar bem suas cartas, seu calcanhar de Aquiles é dedicar muito pouco tempo ao que se segue após a revelação da sua grande jogada. As questões éticas levantadas, relacionadas ao garoto interpretado por Aedan Edwards e a uma equipe que mescla padres e cientistas (vividos por Darcey Johnson, Kevin McNulty e Madeleine Kelders), são extremamente interessantes, mas rapidamente deixadas de lado a fim de abrir caminho para um final mais simplório. E isso é ainda mais esquisito numa história que aborda com sensibilidade os efeitos dos abusos sofridos por Winthrop ao longo da vida. É como se a dor de alguns fosse menos relevante do que a de outros.
Embora a mensagem sobre abuso e trauma tenha saído bastante truncada, é bonita a relação entre Elle e Winthrop, com a protagonista lutando não por marido, filho ou pais, como é mais comum, e sim por um parente mais distante.
Outra coisa que tem se tornado um pouco incomum é ver um lançamento de terror que trata exclusivamente de personagens adultos. Assim, para o bem e para o mal, não espere a energia de um terror adolescente, com elenco jovem e jump scares a todo momento.
Embora, na maior parte de sua duração, falte um tempero a mais para que chegue a ser um grande filme, A Caixa do Demônio é uma boa opção para um sábado à noite na frente da tevê. Um Supercine de respeito.





