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Morte e Mistério na Amazônia
Original:Morte e Mistério na Amazônia
Ano:2026•País:Brasil
Direção:Guto Barra, Tatiana Issa
Roteiro:Guto Barra, Tatiana Issa
Produção:Sergio Nakasone, Adriana Cechetti, Patricio Díaz
Elenco:

Esse é true crime na veia! Alguém aí lembra, ou já ouviu falar, de um tal de Tatunca Nara? O Tatunca foi um sujeito que, na década de 1970, andava por Barcelos, Manaus e outras cidades do Amazonas pregando a existência de uma cidade perdida em meio à floresta amazônica chamada Akakor. Ele era, de acordo com o próprio, filho do “rei” da cidade, que era coberta por ouro, diamantes, e alta tecnologia que, ainda de acordo com ele, “não era daqui”.

O papo de Tatunca encantava a todos, e acabou atraindo até o Erich von Daniken, que há pouco tempo havia lançado seu Eram os Deuses Astronautas, teoria que se alinhava muito aos testemunhos de Akakor espalhados por Tatunca. Só que a história tem um segundo momento. Assim como Erich, outras pessoas, inclusive de outros países, também se encantaram pelos relatos de Akakor, e vieram ao Brasil para conhecer Tatunca, com o combinado de que ele as levaria até a tal cidade perdida. O que aconteceu foi que, após partirem para Akakor, nenhuma destas pessoas foi vista novamente.

Dirigida por Tatiana Issa e Guto Barra, responsáveis pela série documental Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez e indicados 13 vezes ao Emmy, vencendo a premiação em três ocasiões, Morte e Mistério na Amazônia se inicia com a promessa de revisitar a trajetória de Tatunca e talvez encontrar novas pistas que colaborem com a justiça ainda aguardada pelas famílias das vítimas.

O doc vai fundo na biografia de Tatunca Nara, cujas histórias, aquela documentada e aquela narrada por ele, caminham paralelas, unindo-se apenas em determinados pontos intrigantes. Um exemplo é a própria história da sua vida. Enquanto ele se vendia como indígena sul americano, não se sabe se peruano ou realmente de Akakor, após certo tempo, foi constatado por pesquisadores, jornalistas e outros viajantes, que o serviço vendido por Tatunca era balela. Se tornou fato notório ainda na década de 1980 que Tatunca era Hans Günther Hauck, nascido na Alemanha, casado e com filhos, originários da região da Baviera. Günther Hauck veio ao Brasil pela primeira vez em 1968, passando por outros estados brasileiros até se estabelecer no Amazonas com sua nova esposa, Anita.

Foi nessa época que as histórias sobre Akakor começaram a se espalhar, e chamaram atenção de Daniken, que veio ter com Tatunca no Brasil para tentar visitar a cidade perdida. Em seus relatos, Daniken afirma ter levado um golpe de Tatunca, que, segundo Daniken, recebeu o dinheiro para a expedição, inclusive para o translado de helicóptero até Akakor, mas este desistiu de levar o convidado ao local na hora H. Erich von Daniken voltou pra casa com ódio e sem dinheiro, mas outros três turistas que estavam mais firmes na crença de Akakor nunca mais foram vistos tão logo se embrenharam nas matas com Tatunca para iniciar o mesmo passeio.

Ao longo de três episódios, somos soterrados de testemunhos, teorias, pontos de vistas e, especialmente, evidências e fatos documentados sobre a realidade acerca de tudo que foi oralmente construído por Tatunca Nara, um exímio contador de histórias, malandro com perfil de serial killer, mas que nunca foi condenado oficialmente pelos “desaparecimentos”. Entrevistas importantes com parentes de Tatunca da Alemanha, amigos e parentes das vítimas, além das pessoas que dividiram o cotidiano com Tatunca aqui no Brasil, também enriquecem ainda mais a pesquisa.

O ponto alto da série, inclusive, é a entrevista final, com o próprio Tatunca Nara, hoje com 85 anos e ainda morador de Barcelos, onde está estabelecido em sua total ausência de culpa desde a década de 1970. Na entrevista, ele reitera as histórias sobre Akakor, e se exime convenientemente dos desaparecimentos (ainda que evidências sugiram sua autoria, como é o caso do assassinato de um dos desaparecidos, Herbert Warner, morto com um tiro na cabeça logo após entrar na floresta com Tatunka armado). Surreal.

Gunther Hauck já foi condenado aqui no Brasil por uso de documento falso e fraude à Lei de Estrangeiros. A pena de reclusão foi substituída por medida de tratamento ambulatorial. Mais de duas décadas depois da condenação,. a partir da pesquisa realizada para o documentário, a polícia federal abriu um novo inquérito para investigar novos crimes relacionados ao uso de documentos falsos e fraudes contra a previdência. Com relação aos desaparecimentos dos turistas, há um requerimento sobre os fatos ainda pendente de análise pelas autoridades, mais de 40 anos depois. Coisas que você só vê no Brasil.

Morte e Mistério na Amazônia é um dos true crimes mais surreais em cartaz nos streaming. Tá em cartaz no HBO Max.

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