![]() Pacto com o Diabo
Original:Witchcraft
Ano:1964•País:UK Direção:Don Sharp Roteiro:Harry Spalding Produção:Robert L. Lippert, Jack Parsons Elenco:Lon Chaney Jr., Jack Hedley, Jill Dixon, Viola Keats, Marie Ney, David Weston, Diane Clare, Yvette Rees, Barry Linehan, Victor Brooks, Marianne Stone, John Dunbar, Hilda Fenemore |
Witchcraft se inicia com uma cena que compreende uma situação clássica para os fãs de horror: tratores revirando a terra de um cemitério para nivelar um terreno. O objetivo é construir novas residências no local, ocupá-las e desenvolver o lugarejo que, por vezes, parece uma vila medieval. Quem lembra de Poltergeist também lembra dos perigos de se erguer construções sobre antigos cemitérios. No caso de c, ou Pacto com o Diabo, como o longa é conhecido no Brasil, o alerta já é dado na primeira cena por Morgan Whitlock (Lon Chaney Jr.), patriarca de uma antiga família que está, em boa parte, enterrada no local.
A disputa imobiliária, no entanto, é mais complexa do que aparenta e remonta ao século XVII, quando os Lanier, família à qual pertence o principal empreendedor do projeto imobiliário, tornaram-se responsáveis pela morte de Vanessa Whitlock (Yvette Rees) devido ao interesse por suas terras. Vanessa foi acusada pelos Lanier de bruxaria e, por esse motivo, morta, embora o filme não explique com clareza as circunstâncias exatas de sua execução. Com o revirar do cemitério e de seus antigos túmulos, Vanessa Whitlock volta à vida, e um antigo culto se restabelece para dar suporte à sua presença e à sua vingança contra os Lanier.
Com direção de Don Sharp, que dirigiu outros “nuggets” do horror sessentista, como O Beijo do Vampiro (1963), A Maldição da Mosca (1965) e Rasputin – O Monge Louco (1966), Witchcraft é muito leve para a temática que propõe. O roteiro consegue criar boas imagens mas aprofunda pouco nas tramas, que vamos compreendendo mais por constatação do que por densidade narrativa. Enquanto a cinematografia geral satisfaz os fãs do horror gótico clássico, do tipo associado à Hammer Films ou à Universal, alguns desses dirigidos pelo próprio Sharp, o roteiro de Harry Spalding deixa a desejar, com seus furos e situações inverossímeis, mesmo dentro da lógica fantástica da narrativa.
A presença de Lon Chaney Jr. dá um peso maior ao clima, num bom sentido, mas não o suficiente para manter a empolgação nas partes que deveriam ser as mais interessantes, como as reuniões do culto ou as aparições do fantasma/zumbi da bruxa Vanessa. A adição de um casal jovem, formado por uma integrante e um não integrante do culto, e suas aflições também não geram simpatia, apesar de ser o núcleo que dá movimento à história a partir da segunda metade do longa.
Dessa forma, o maior barato desse filme passa a ser, então, aproveitar o clima despretensioso desse antigo conto de bruxaria, muito bem realizado, repleto de elementos góticos e bons movimentos de câmera, tudo embalado por uma trilha estranha que conduz uma antagonista sobrenatural que, por sua vez, dispensa maiores elaborações. Um charme que vem mais da “simplicidade bem administrada” da produção (tão barata que Don Sharp se alegrou por o filme ter se pago nas duas primeiras semanas de exibição apenas na Califórnia) do que por seus méritos narrativos e construção simbólica. Está disponível no YouTube.






