Medo Profundo: O Segundo Ataque (2019)

Medo Profundo - O Segundo Ataque
Original:47 Meters Down: Uncaged
Ano:2019•País:UK, EUA
Direção:Johannes Roberts
Roteiro:Ernest Riera, Johannes Roberts
Produção:James Harris, Robert Jones, Mark Lane
Elenco:Sophie Nélisse, Corinne Foxx, Brianne Tju, Sistine Rose Stallone, John Corbett, Nia Long, Brec Bassinger, Davi Santos, Khylin Rhambo

Na análise do primeiro encontro com o medo, nas profundezas de um oceano de tubarões famintos, comentei sobre a curiosa carreira do diretor Johannes Roberts, que partiu de bagaceiras como Hellbreeder (2004) até alcançar obras mais conhecidas no gênero como o irregular Do Outro Lado da Porta (2016) e o fraco Os Estranhos: Caçada Noturna (2018). Um cineasta em constante ascensão, Roberts resolveu não apenas comandar uma continuação de sua, até então, obra máxima, Medo Profundo (2017), como está cogitado para dirigir o reboot de Resident Evil. Com essa perspectiva animadora que você pode vir a se interessar por Medo Profundo: O Segundo Ataque, que, com um orçamento estimado em U$12 milhões de dólares, conseguiu uma passagem pelos cinemas em novembro, conquistando mais de U$45 milhões nas bilheterias, além de uma dose mediana de críticas positivas. E o melhor: o filme está disponível na Amazon Prime!

As ideias para uma continuação obviamente vieram com o grande sucesso que fez o primeiro filme. Com 95% de cenas submersas, o enredo dinâmico, também a cargo de Roberts e Ernest Riera, mostrava duas irmãs presas numa jaula de proteção contra tubarões, após um incidente no México. Com os mais de U$60 milhões de dólares adquiridos no box office, a The Fyzz Facility deu luz verde em setembro de 2017 para um novo terror profundo. A produção, inicialmente intitulada 48 Meters Down, foi financiada também pela Entertainment Studios Motion Pictures e já tinha 20 distribuidoras interessadas em exibi-la pelo mundo, incluindo a brasileira Paris Filmes, que levou o longa discretamente aos cinemas em 20 de novembro.

Como poderia ser então esse segundo ataque? Será que algum sobrevivente do primeiro poderia tentar uma nova experiência submersa? Bom, a única relação com o anterior é que este também se passa no México, há muitas cenas gravadas no fundo do mar e, claro, tubarões. Neste, a jovem Mia (Sophie Nélisse) está tendo dificuldades para ser aceita na nova escola, diferente de sua meia-irmã, a extrovertida Sasha (Corinne Foxx). Além de não ter amigas, a garota ainda sofre bullying da popular Catherine (Brec Bassinger), que no prólogo a empurra numa piscina, em uma interessante cena inicial.

Mia é filha de Grant (John Corbett, de Os Mensageiros e Casamento Grego), que está em vias de realizar um mergulho de exploração após a descoberta de uma espécie de cidade submersa, de origem maia. Mas, com a intenção de aproximá-las, promete levá-las a um passeio de visualização de tubarões através de um aquário, embora Sasha esteja com outros propósitos, como o de ficar com as amigas Alexa (Brianne Tju) e Nicole (Sistine Stallone, estreia no cinema da filha de Sylvester Stallone). Antes de entrar na atração, as meninas optam por outra ação e conduzem Mia com elas até um lago onde possam curtir a natureza e mergulhos. Contudo, ao notarem os equipamentos de Grant e seus assistentes, Carl (Khylin Rhambo) e o namorado de Alexa, Ben (Davi Santos), resolvem pegar emprestado para visitar clandestinamente a tal cidade descoberta.

A diversão dura pouco, quando, ao encontrarem a tal cidade submersa, em um labirinto estreito, com suas belíssimas estátuas num espaço de sacrifícios, elas se deparam com um tubarão branco depois que Nicole acidentalmente derruba uma coluna de pedra. Presas na cidade, com tubarões cegos em ataques vorazes, acompanhados de uma trilha incidental como se fosse o som emitido pelos animais, elas precisam se unir e buscar uma outra saída antes que o oxigênio acabe e torne o ambiente escuro o túmulo delas.

Diferente do primeiro filme, este, para que aconteçam mais mortes, é povoado de personagens, o que afasta as sensações de solidão e abandono do original. Além das quatro garotas, logo aparecem na tal cidade submersa Grant, Ben e Carl, numa improvável coincidência, uma vez que o próprio roteiro expõe que o material de mergulho somente seria usado na outra semana e o pai estaria “do outro lado da cidade“. Se o equipamento foi usado pelas meninas a partir do lago, não fica claro por que eles estariam ali e como mergulhariam sem eles.

Roberts também opta por explorar diversos ambientes aquáticos, seja na cidade, numa prisão feita com grades de metal (!!), num respiro usado pelo pai para descer e até mesmo no mar. Essas mudanças diminuem a sensação claustrofóbica, além de permitir que as jovens, até então inexperientes mergulhadoras, encontrem diversas alternativas – e perigos, como o encontro com uma forte correnteza e até um intenso redemoinho. E os exageros vão além desses como no último ato, quando algumas conseguem até se livrar da bocarra de tubarões, ignorando a improbabilidade de ferimentos leves diante da força das mandíbulas e dos dentes das criaturas.

Com efeitos alternados entre o muito bem realizado (a cena em que elas se escondem abaixo de um tubarão imenso é fantástica) e um fraco uso de CGI (como no repetido episódio da tentativa do animal de entrar numa caverna), Medo Profundo: O Segundo Ataque faz uso de liberdades criativas (lê-se sequências dependentes da boa vontade do infernauta) e traz uma relativa tensão. Bastante inferior ao primeiro, ainda assim tem lá suas doses de sangue e sustos e pode garantir uma diversão rasa e curiosa.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

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