por Filipe Falcão
Se existe uma expressão que vem a calhar na introdução desse texto é a famosa “no lugar certo e na hora certa”. Para aqueles que estão acostumados com meus textos, é fácil saber que eu sou grande admirador do gênero. Curiosamente, eu nunca escrevi sobre um dos meus filmes de terror favorito. Trata-se de Sexta-feira 13 (Friday the 13th, 1980). Motivo de piada para muitos, eu realmente gosto do original e digo mais, me colocando no lugar da audiência que viu aquele filme nos cinemas em 1980, eu realmente acredito que muitas pessoas tenham gostado do filme.
E como não falar das sequências? Do remake? De Freddy Vs Jason? Nisso tudo, Jason virou uma marca registrada bastante rentável e de gosto duvidoso. Mas que atire a primeira pedra quem nunca viu um filme do assassino mascarado! Além da obra original, gosto muito também das partes 2, 3, 4 e 7. E confesso que gosto também de Jason X. Bom, mas de volta a famosa frase do começo desse artigo, permita-me explicar porque a mesma está em um texto com a temática de Sexta-feira 13.
Como morei na Inglaterra desde 2009 até 2011, trabalhando como jornalista, estava, em novembro de 2010, passeando pelo condado de Nottingham. Eu havia chegado naquele dia e iria voltar para Londres na manhã seguinte. Andando pelo centro da cidade, de repente passei em frente a uma loja chamada Monster Store e me deparei com objetos alusivos a filmes de terror e ficção. Quando começo a analisar a vitrine, encontro um cartaz que dizia que “Ari Lehman e Richard Brooker estarão na loja no dia tal para conversar com fãs, autografar DVDs e tirar fotos”.
Para quem não associou o nome com as pessoas, Ari interpretou rapidamente Jason criança em Sexta-feira 13, enquanto Richard assumiu o papel do vilão na Parte 3 (1982). O primeiro pensamento que veio a minha cabeça foi como eu gostaria de estar presente naquele dia. Foi quando observei com cuidado a data e percebi que tratava-se de algo que aconteceria naquele dia. Para ser mais exato, em menos de uma hora. Prontamente disse aos meus amigos que fossem conhecer a cidade sem mim, pois eu já estava com programa para aquela noite.

Uma hora depois, voltei ao lugar. Dentro da loja, não havia nenhuma fila. Entrei e fui para o final do prédio, onde havia uma pequena mesa com fotos e pôsteres do Ari e do Richard como Jasons. De repente, observei que o Ari estava conversando com uma das funcionárias da loja a uma certa distância na qual eu não tinha como me aproximar e, apesar de ser jornalista, sou muito tímido para gritar para chamar alguém dentro de uma loja. De repente, vi outra funcionária e me aproximei para dar início ao seguinte diálogo.
Filipe: Olá, com licença.
Funcionária: Sim, pois não.
Filipe: Eu vim para o encontro com o Ari e o Richard.
Funcionária: Ótimo, e você quer conhecer os dois?
Filipe: Sim.
Funcionária: OK, são 20 libras.
Filipe: Desculpe, eu não entendi.
Funcionária: Cada autógrafo custa 10 libras.
Filipe: Ah não, eu não quero autógrafo, quero só conhecê-los e tirar fotos com eles. Quanto custa a foto?
Funcionária:(com cara de quem não entendia o que eu estava falando): Foto? Não sei, acho que é de graça.
Filipe: Ótimo, porque eu não quero autógrafo.
Funcionária (ainda com cara de confusa): Como não? Todos querem o autógrafo.
Filipe: Eu não quero.
Funcionária (sem acreditar): Tem certeza?
De repente, o próprio Ari se aproximou e entrou na conversa:
Ari: Você é do Brasil?
Filipe: Sim.
Ari: Ah, eu percebi logo. Pode vir para cá.
Segue abaixo uma “entrevista” com o Ari Lehman:
Filipe: Como você sabe que eu sou do Brasil?
Ari: Seu sotaque é inconfundível.
Filipe: Você conhece muitos brasileiros?
Ari: Muitos brasileiros estão presentes em convenções de filmes de terror e eles são os fãs mais apaixonados. É muito bom conversar com vocês.
Filipe: Olha, eu queria apenas conhecer você e tirar uma foto, mas será que podemos conversar uns cinco minutos para uma entrevista?
Ari: Claro, mande as perguntas.
Filipe: Acho que a primeira pergunta é como é participar de convenções e encontros como esse de um filme no qual você fez mais de 30 anos atrás e no qual você aparece por apenas um minuto?
Ari: Eu acho incrível. Eu acho fantástico. Eu sei que é clichê e que todo mundo fala isso, mas ninguém esperava que o filme fosse ter essa repercussão.
Filipe: Qual foi o momento em que você percebeu que o filme seria um sucesso?
Ari: Acho que logo após o lançamento. Eu estava no colégio e um colega de classe chegou escondido para mim e falou no meu ouvido “Kill kill kill… mo mo mo…”, como escutamos no filme. Eu olhei de volta e perguntei qual era o problema dele (risos).
Filipe: E como é carregar esse título de ter sido o primeiro Jason?
Ari: Tenho muito orgulho e acho que é algo que levo em todos os demais trabalhos que eu faço. (Além de sexta-feira 13, Ari participou de mais três filmes e um curta metragem entre os anos de 2006 e 2010)
Filipe: Eu li em algum lugar que você tem uma carreira como músico?
Ari: Sim, é verdade. Eu tenho uma banda. Você já escutou o meu CD?
Filipe: Não. (eu na verdade nem sabia que ele tinha um CD). Qual é o nome da banda?
Ari: First Jason. Nosso estilo é punk/metal e nós tocamos em clubs e claro, convenções de filmes de terror. (Nesse momento, ele me entrega uma copia do CD)
Filipe: E além de cantar, você toca algum instrumento?
Ari: Teclado. E sabe quem é fã do meu som? Tom Savini (maquiador do primeiro Sexta-feira 13)
Filipe: Eu vou escutar então o seu CD. Mas de volta a Sexta-feira 13, além do original, quais outros filmes você gosta?
Ari: Eu gosto muito do 3, por ter sido a parte na qual a máscara foi apresentada ao público e que impressão positiva causou.
Filipe: E o que você achou do remake?
Ari: Não é que eu não tenha gostado, mas acho que Jason foi apresentado de uma forma que foge um pouco da ideia dos primeiros filmes. Não sei de onde tiraram a história da caverna ou do sistema elétrico.
Filipe: Quem paga a conta de luz?
Ari: Isso mesmo (risos), mas fora esses exageros, gostei do filme, mas o meu favorito sempre será o original.
Filipe: E falando em original, você mantém contato com alguém do primeiro filme?
Ari: Sempre encontro com colegas em convenções. Alguns que eu não conheci durante a filmagem, pois basicamente, do elenco trabalhei apenas com a Adrienne King.
Filipe: Eu a entrevistei alguns anos atrás. Ela é muito simpática.
Ari: Ela é a nossa irmãzinha. Eu gosto muito da Betsy Palmer, mas eu só fui conhecê-la anos depois em convenções.
Filipe: O que ela faz atualmente? Eu soube que ela se aposentou.
Ari: Sim, ela mora em Nova York, mas está aposentada. Esporadicamente ela ainda participa de alguma convenção.
Filipe: É verdade que ela recusou reprisar o papel da Senhora Voorhees em Freddy Vs Jason?
Ari: Eu não sei com certeza, mas conhecendo ela, creio sim que ela tenha recusado e vamos ser francos, a Senhora Voorhees de Freddy Vs Jason não tem nada de semelhante com a que Betsy interpretou tão bem. Não falo do aspecto físico, mas a forma como a personagem foi concebida para Freddy Vs Jason, onde ela simplesmente foi apresentada como uma louca malvada.
(Nesse momento, outras pessoa começam a chegar na loja e Ari, de forma muito simpática, informa que vai ter que atender as demais pessoas).
Filipe: Antes de você ir, posso tirar uma foto com você?
Ari: Claro, deixe eu me preparar. (Neste momento, Ari pega um par de luvas pretas de couro).
Filipe: E Ari, uma última pergunta, já que você sabe que os brasileiros amam Jason, mande um recado para eles.
Ari: Jason é o maior e escutem o meu som, vocês vão gostar.
Informações sobre Ari Lehman e sua banda: http://www.firstjason.com
Filmografia de Ari:
2010 – Night on Has Been Mountain
2009 – Terror Overload
2008 – Three Thug Mice (short)
2006 – ThanXgiving
1980 – Sexta-Feira 13
1978 – Manny’s Orphans





entrevista muito boa!!legal conhecer e saber um pouco mais da vida do “jovem Jason”!!