0
(0)

Mitra, apaga la luz para poder ver
Original:Mitra, apaga la luz para poder ver / Mitra, Turn Off the Light to See
Ano:2025•País:Argentina
Direção:Diego Bellocchio
Roteiro:Diego Bellocchio, Yamila Barnasthpol
Produção:Diego Bellocchio
Elenco:Desirée Salgueiro, Bárbara Hobecker, Martín Tchira, Sabrina Melgarejo, Ezequiel Rodríguez

Assim como Rika Nishina (Megumi Okina), a assistente social de Ju-on: O Grito (2002), a psicóloga Lucia Lupei (Desirée Salgueiro, de O Mal que Nos Habita, 2023), de Mitra, apaga la luz para poder ver, adentra um inferno particular a partir do momento que assume um trabalho de campo. Ela trabalha como atendente da linha 117, auxiliando vítimas de violência doméstica, já acostumada a uma rotina de aconselhamentos e apoios. Logo no prólogo, ela atende um caso tenebroso de uma mulher que foi brutalmente espancada e a filha agora terá que enfrentar orfanatos e adoções. Mas nada poderia ser pior do que ela experimentaria na Fazenda 57, uma casa rural bastante afastada da cidade, um ambiente que poderia abrigar algum psicopata do gênero.

Em companhia de sua colega Majo (Barbara Hobecker), elas encontram o silencioso garoto Cero (Jonathan Abel Tavares) e sua mãe Lídia (Sabrina Melgarejo), bastante ferida em aparentes agressões, mas sem entender a presença das moças ali, uma vez que ninguém teria entrado em contato com a linha de apoio — e ela sequer possui telefone. Ao visitar a mata próxima, Lucia começa a sentir uma presença incômoda, como se estivesse sendo observada, amaldiçoada. À noite, em sua casa, sob um forte temporal e sem energia, uma figura bizarra irá atacá-la e violentá-la, dando início a pesadelos estranhos, visões e uma degradação psicológica intensa. Tudo parece ter relação com Guri (Martín Tchira), um devoto de Mitra, uma divindade pagã que envolve sacrifícios e gestação de bebês mortos.

Exibido no Festival de Mar del Plata 2025 e no Terror Córdoba 2026, o longa-metragem de Diego Bellocchio toca temas delicados como violência contra a mulher e fanatismo religioso, em abordagens investigativa e sobrenatural. Dúvidas sobre a identidade do garoto fantasma, que veste um saco sobre a cabeça, como se fosse uma das crianças peculiares do lar da Srta. Peregrine, e o que seria aquele ambiente sagrado, com ossos em exposição, sob o comando de um líder espiritual, habituado a aprisionar mulheres para seus fins sádicos.

A primeira parte do longa de Bellocchio, com teor investigativo e expressões como “óscuro inóculo“, é bem interessante. Vítima de violência, Lucia atravessa um Estige de mulheres que sofrem agressões e são violadas, enquanto se sente atraído para aquele local, envolto em mata e sons estranhos. Quando volta à razão, a segunda parte resgata clichês de aprisionamento e tentativas de fuga, com a protagonista dependendo da sorte e de algumas situações mal explicadas. Perde a força até seu epílogo, mas sem se afastar dos méritos de sua profundidade narrativa.

Com boas atuações, principalmente de Desirée Salgueiro, que conquistou o destaque “final girl” do Terror Córdoba, Mitra, apaga la luz para poder ver é um bom terror psicológico argentino, uma produção que traz mensagens importantes e arrepios.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *